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sábado, 16 de agosto de 2014

Chôro de vagas.

   

CHÔRO DE VAGAS

Não é de águas apenas e de ventos,
no rude som, formada a voz do Oceano:
em seu clamor – ouço um clamor humano,
em seus lamentos – todos os lamentos.

São de náufragos mil estes acentos,
estes gemidos, esse aiar insano;
agarrados a um mastro, ou tábua, ou pano,
vejo-os varridos de tufões violentos;

vejo-os, na escuridão da noite, aflitos,
bracejando, ou já mortos e de bruços,
largados das marés, em ermas plagas...

Ah! Que são deles estes surdos gritos,
este rumor de preces e soluços
e o choro de saudade destas vagas!

Alberto de Oliveira 

Leia mais um belo soneto e a biografia do autor aqui: