UM
EX-CAMPEÃO
Sentado
numa ponta de calçada,
Um
velhote que em tempos que lá vão.
Da
conquista foi forte campeão,
Contempla
com espanto a pequenada.
Que
ali passa, exubera e desafia,
Mas
o velhote apenas se arrepia.
Que
tentação tremendamente roxa,
Como
era no seu tempo diferente!
Por
mais audaz que fosse o insolente,
Não
via perna, e muito pior vê coxa.
Com
a delícia da saia joelho acima,
Ele
se agita, mas já não se anima.
Recorda
a sua mocidade ardente,
Que
dele, a muito, está distanciada.
Busca
então seu torrado lentamente,
E,
por desforra, cheira uma pitada.
R.S.
Furtado.
