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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ser mãe.


SER MÃE

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!

Coelho Neto


Henrique Maximiano Coelho Neto, escritor, poeta e jornalista, foi fundador da cadeira número dois da Academia Brasileira de Letras, e também seu presidente em 1926. Nasceu no dia 21 de fevereiro de 1864, na cidade de Caxias, no estado do Maranhão, transferindo-se com a família para o Rio de Janeiro aos seis anos de idade.

Tendo ingressado na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1885 abandonou o curso para dedicar-se ao jornalismo. Voltou para a Capital Federal, integrando o grupo de Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney, cujas histórias relataria mais tarde no romance A Conquista. Ingressou na Gazeta da Tarde e depois na Cidade do Rio, começando a publicar seus primeiros trabalhos literários. Foi nomeado para o cargo de secretário do governo do Estado do Rio de Janeiro em 1890 e, no ano seguinte, Diretor dos Negócios do Estado.

Republicano e abolicionista, após o 15 de novembro tornou-se professor, dando aulas de história da arte e literatura em diversas instituições cariocas. Foi eleito deputado federal pelo Maranhão em 1909 e reeleito em 1917. Cultivando diversos gêneros literários, multiplicava sua produção em revistas e jornais do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras, sendo, por longos anos, o autor mais lido do país. Sua obra, marcada por forte presença realista, inclui mais de um centena de volumes, dentre os quais destacam-se A Capital Federal (1893), O Rei Fantasma (1895) e o livro de contos Sertão (1896).

Coelho Neto faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro no dia 28 de novembro de 1934.

Fontes: www.projetomemoria.art.br
             www.secrel.com.br

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O menino rico e o menino pobre.

O MENINO RICO E O MENINO POBRE
http://www.nadialopes2.blogger.com.br/maos%20dadas.JPG

Sentados na mesma pedra, á beira dágua, disse o menino ao pequenito:

– Que lindos cabelos tens! Parecem de ouro.
– Se meus cabelos fossem de ouro, minha mãe que é tão boa, não trabalharia tanto.
– Tens mãe! Exclamou o menino maravilhado.

O pequenito corou como a uma afronta.

– Se tenho mãe... Como não? Ela é que me penteia os cabelos; ela é que me conta histórias; ela é que me cura quando adoeço; ela é que me conserta a roupa e me adormece no colo, quando, cantando nas noites escuras, tremo de medo ouvindo piar a coruja. Tenho mãe, como não? Também não sou tão pobre assim.

– Pois eu não tenho! Suspirou o menino. Minha mãe morreu quando eu nasci. Estas terras, com tudo que nelas há, são de meu pai, que só me tem a mim. No palácio em que moro já se hospedou um príncipe com toda sua corte. O salão em que durmo é todo forrado de seda com lustres de ouro e tapetes onde os pés se afogam. São tantos os meus criados que, a muitos, tenho por estranhos e pasmo quando me pedem ordens.

– E quem lhe conta histórias?
– Hitórias? Leio-as nos livros.
– Quem o veste e penteia?
– A velha aia.
– Quem o acalenta, à noite, quando a coruja chirria e o vento gema nas árvores?
– Rezo a Nossa Senhora.
– Quando adoece, quem o cura?
– Os médicos.
– E quando a tristeza entra em seu coração, quem o consola?
– Choro.

Levantou-se, então o pequenito e, tomando nas suas as mãos do menino milionário, encarou-o compadecido, com os lindos olhos arrasados dágua.

– Por que choras? Que tens? Perguntou o menino comovido.
– Choro de pena, porque nunca pensei que houvesse no mundo outro mais pobre do que eu.

Coelho Neto.