O
CERCADO
De
que cor era o meu cinto de missangas, mãe
feito
pelas tuas mãos
e
fios do teu cabelo
cortado
na lua cheia
guardado
do cacimbo
no
cesto trançado das coisas da avó
Onde
está a panela do provérbio, mãe
a
das três pernas
e
asa partida
que
me deste antes das chuvas grandes
no
dia do noivado
De
que cor era a minha voz, mãe
quando
anunciava a manhã junto à cascata
e
descia devagarinho pelos dias
Onde
está o tempo prometido p'ra viver, mãe
se
tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
p'ra
lá do cercado.
Ana
Paula Tavares
Leia mais um belo poema e a biografia da autora aqui:
Visite
também:
