Mostrando postagens com marcador Alceu de Freitas Wamosy. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alceu de Freitas Wamosy. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Duas Almas.


 DUAS ALMAS

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

Alceu Wamosy  
Nasceu em Uruguaiana (RS), em 14/02/1895; e faleceu em Livramento (RS), em 13/09/1923. Publicou seu primeiro livro de poesia, Flâmulas, em 1913. Na época já trabalhava como colaborador no jornal A Cidade, fundado por seu pai, em Alegrete (RS). A partir de 1917, tornou-se proprietário do jornal O Republicano, apoiando o Partido Republicano. Continuou colaborando para diversos periódicos, como os jornais A Notícia, A Federação, O Diário e a revista A Máscara.

Alfares republicano, lutou na Revolução Federalista, combatendo em Santa Maria Chica, Pontes do Ibirapuitá e Ponche Verde, onde foi ferido — ferimento este que provocaria a sua morte. Publicou as obras poéticas Na Terra Virgem (1914) e Coroa de Sonho (1923).

Postumamente foram publicados Poesias Completas (1925), pela editora Globo, e Poesia Completa (1994), em Porto Alegre, na “Coleção Memória”, da EDIPURCS. Poeta simbolista, Alceu Wamosy escreveu poemas cheios de desencanto, em uma produção que se destacou no sul do país e que é uma das obras mais significativas do Simbolismo brasileiro, sendo o seu soneto “Duas Almas” um dos mais belos produzido em língua portuguesa.
 
Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br 

Visite também:

domingo, 29 de janeiro de 2012

Cítara.


CÍTARA 

Firo-te as cordas, cítara dormente, 
Velha cítara poenta, abandonada, 
Que um régio artista fez vibrar, pulsada 
Pela divina mão, antigamente. 

E assim, por um instante despertada, 
Na mesma vibração profunda e ardente 
De outrora freme, cítara dolente, 
Toda a tua alma, trêmula, acordada. 

Nessa maviosa música embebido, 
Escuto as notas, múrmuras, chegando 
Como um coro celeste, ao meu ouvido. 

E eu julgo, então, sentir, no derradeiro, 
No último som que morre, a alma, chorando, 
Desse que as cordas te tangeu primeiro... 

Alceu Wamosy 


Alceu de Freitas Wamosy (Uruguaiana, 14 de fevereiro de 1895 – Santana do Livramento. 13 de setembro de 1923) foi um jornalista e poeta brasileiro. 

Filho de José Afonso Wamosy, de origem húngara e Maria de Freitas, foi um poeta simbolista publicou seu primeiro livro de poesia, Flâmulas, em 1913, enquanto já trabalhava como colaborador no jornal fundado por seu pai, A Cidade, em Alegrete. 

Em 1917 adquiriu o jornal O Republicano, no qual permaneceu trabalhando até seu falecimento. Lutou na Revolução de 1923, onde foi ferido a bala e faleceu, aos vinte e oito anos de idade. 

É patrono da cadeira n.° 40 da Academia Rio-Grandense de Letras. Foi homenageado como patrono da Feira do Livro de Porto Alegre de 1967. 

Fonte: Wikipédia. 

Visite também: