A LANCHA NEGRA
Para velar da luz a face
refulgente
Nuvens pesadas vão correndo acumuladas,
E, na treva do oceano, as vagas compassadas
Passam, uma por uma, interminavelmente.
Nuvens pesadas vão correndo acumuladas,
E, na treva do oceano, as vagas compassadas
Passam, uma por uma, interminavelmente.
Mais do que a sombra,
escura, avulta de repente
A lancha negra, vem… dos remos as pancadas
Ferem o mar, que chora, em gotas prateadas
As lágrimas sem fim, da sua dor pungente.
A lancha negra, vem… dos remos as pancadas
Ferem o mar, que chora, em gotas prateadas
As lágrimas sem fim, da sua dor pungente.
Eil-a a meus pés, a
lancha, e nella, silenciosa,
Embarca a doce e branca imagem de outra idade!
E vejo-a ir… sumir-se… a lancha mysteriosa!…
Embarca a doce e branca imagem de outra idade!
E vejo-a ir… sumir-se… a lancha mysteriosa!…
Então, dentro de mim, num
soluço, a saudade
Murmura, a perscrutar a sombra tenebrosa:
Nunca mais voltarás, nunca mais! Mocidade.
Murmura, a perscrutar a sombra tenebrosa:
Nunca mais voltarás, nunca mais! Mocidade.
Em: A
Faceira, ano 1, n. 4, nov. 1911.
Adelina
Lopes Vieira
Leia
mais um belo soneto e a biografia da autora aqui:

