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domingo, 15 de dezembro de 2013

Beijos-de-mulata.


 

BEIJOS-DE-MULATA

Os beijos-de-mulata
não têm perfume

Apenas
a limpidez do seu desejo
branco
Ou uma concêntrica fúria
acesa de tacula-roxo-carmesim
além de ser
a melhor droga contra o câncer.

Pra que perfume...?
Onde elas crescem
morrem as outras plantas...

Arnaldo dos Santos

Escritor e poeta angolano, Arnaldo Moreira dos Santos nasceu a 14 de março de 1935, em Luanda, na Ingombota. Fez a escola primária e os estudos secundários nesta cidade, findos os quais, começou a sua atividade profissional na função pública.

Mantendo, desde sempre, uma íntima relação com a cultura, integrou, nos anos 50000, a plêiade “Grupo de Cultura”.

Amante do jornalismo, Arnaldo Santos foi chefe de redação da revista novembro e colaborador e diretor do Jornal de Angola. Na década de 60, colaborou na revista Cultura, na ABC e na revista dos Estudantes da Casa do Império chamada Mensagem.

Depois da independência, dirigiu o INALD (Instituto Nacional do Livro e do Disco) e o IAC (Instituto Angolano do Cinema).

Viveu a infância e a adolescência no conhecido bairro do Quinaxixi, espaço de germinação de muita... Leia mais aqui:

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Regresso dos contratados.


REGRESSO DOS CONTRATADOS

Bandeiras sem cores
Tremulam ao vento...

Passa o camião
onde vozes cantam.
São homens que voltam.

E o sonoro canto
vai longe... longe
às cubatas sós
onde mães esperam.

Bandeiras desejos
Tremulam ao vento...

E as vozes deixam
na esteira dura
com o pó da estrada
cantos de renúncia.

E tremulando sempre
Bandeiras sem cores
Agitam desejos.

Nas sanzalas
Nascem vagidos novos!

Arnaldo dos Santos


Arnaldo Santos é natural de Luanda onde nasceu em 1935. Fez os estudos primários e secundários em Luanda. Na década de 50 integrou o chamado "grupo da Cultura". Colaborou em várias publicações periódicas luandenses entre as quais a revista Cultura, o Jornal de Angola (da década de 60), ABC, Mensagem da Casa dos Estudantes do Império. É membro fundador da UEA. Passou a infância e a adolescência no bairro do Kinaxixi, topónimo que ocupa um lugar privilegiado na sua produção narrativa. Aos vinte anos de idade publicou a sua primeira colectânea de contos Quinaxixi. Com o livro de crónicas Tempo do Munhungo, arrebatou em 1968 o Prémio Mota Veiga, um dos poucos atribuídos em Luanda, na década de 60 e 70. Arnaldo Santos é um autor que se situa num nível singular de tratamento da linguagem. É um preciosista na depuração do texto narrativo curto e de todos os seus recursos e elementos. Daí que a sua ficção narrativa não tenha conhecido até à década de 90, variações para além do conto (Kinaxixi), crónica (Tempo do Munhungo) e novela (A Boneca de Quilengues). No dizer de Jorge Macedo, ele usa " lexias-kimbundo no interior de um português de luzidia correcção". O seu nome é uma referência incontornável, associada àquele minimalismo narrativo que, nas gerações seguintes, encontraremos em Boaventura Cardoso. É um dos poucos narradores que evidencia elevado sentido de rigor na selecção dos tipos de personagens. Na sua obra inicial, reconhecemos traços caracteriais de uma perfeita articulação da psicologia das personagens a esse espaço urbano de Luanda que obedece à lógica e história predominantemente autóctones.

Fonte: www.nexus.ao/kandjimbo