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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Fruto proibido.

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FRUTO PROIBIDO

Escravo dessa angélica meiguice
por uma lei fatal, como um castiga,
não abrigara tanta dor comigo,
se este afeto que sinto não sentisse.

Que te não doa, entanto, isto que digo
nem as magoadas falas que te disse.
Não tas dissera nunca, senão visse
que por dizê-las minha dor mitigo.

Longe de ti, sereno e resoluto,
irei morrer, misérrimo, esquecido,
mas hei de amar-te sempre, anjo impoluto.

És para mim o fruto proibido:
não pousarei meus lábios nesse fruto,
mas morrerei sem nunca ter vivido.

Adelino Fontoura.
http://novo.almanaquebrasil.com.br/wp-content/uploads/2008/11/74vocesabia5.jpg

Adelino Fontoura Chaves nasceu em Axixá, no Maranhão, em data não estabelecida até hoje com certeza: indicam uns 30 de março de 1855, consignam outros 1859. O primeiro registro é o de Fernão Neves, Velho Sobrinho (segundo Múcio Leão), e figura na Antologia da Academia Maranhense de Letras (São Luís, Maranhão, 1958): o segundo é o de Artur Mota. Trabalhou no comércio e fez-se ator em São Luís do Maranhão, passando-se depois para o Rio, onde se encarreirou no jornalismo. Enviado pela Gazeta da Tarde, seguiu para a Europa em 1º de maio de 1883, com destino a Paris. Já partira enfermo; não se deu bem na França e faleceu em Lisboa, em 02 de maio de 1884, no Real Hospital São José.

Fonte: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.