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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Iara.


A IARA

Vive dentro de mim, como num rio,
uma linda mulher, esquiva e rara,
num borbulhar de argênteos flocos, Iara
de cabeleira de ouro e corpo frio.

Entre as ninfeias a namoro e espio:
e ela, do espelho móbil da onda clara,
com os verdes olhos úmidos me encara,
e oferece-me o seio alvo e macio.

Precipito-me, no ímpeto de esposo,
na desesperação da glória suma,
para a estreitar, louco de orgulho e gozo...

Mas nos meus braços a ilusão se esfuma:
e a mãe-da-água, exalando um ai piedoso,
desfaz-se em mortas pérolas de espuma.

Olavo Bilac

Leia mais um belo soneto e um resumo da biografia do autor aqui: