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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Ária noturna.



ÁRIA NOTURNA

Da janela em que olhando para fora,
bebes da noite o incenso a longos tragos,
claro escorre o luar... Em sonhos vagos,
atrás da sombra espreita, rindo, a aurora...

Longe uns dolentes, músicos afagos,
sentes?... Não é o rouxinol que chora
nas balsas, nem o vento que desflora
a toalha friíssima dos lagos...

É ele; e vaga toda a noite, enquanto
o luar macilento e o campo flóreo
tressuam mole e pérfido quebranto...

Não lhe ouças, filha, o canto merencório!
Fecha a janela e foge, que esse canto
vem da guitarra de D. Juan Tenório!

Raimundo Correia
Leia mais um belo soneto e um resumo da biografia do autor aqui: