ÁRIA
NOTURNA
Da
janela em que olhando para fora,
bebes
da noite o incenso a longos tragos,
claro
escorre o luar... Em sonhos vagos,
atrás
da sombra espreita, rindo, a aurora...
Longe
uns dolentes, músicos afagos,
sentes?...
Não é o rouxinol que chora
nas
balsas, nem o vento que desflora
a
toalha friíssima dos lagos...
É
ele; e vaga toda a noite, enquanto
o
luar macilento e o campo flóreo
tressuam
mole e pérfido quebranto...
Não
lhe ouças, filha, o canto merencório!
Fecha
a janela e foge, que esse canto
vem
da guitarra de D. Juan Tenório!
Raimundo
Correia
Leia
mais um belo soneto e um resumo da biografia do autor aqui:

