quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Escritório irritante.

 
ESCRITÓRIO IRRITANTE

Não acho nada, nem o que não
procuro, nenhum livro se abre
e os que se abrem, raivosos
não prestam para o momento.

Se apertam nas estantes, se
embaralham, fora de ordem
se precipitam, suicidas
mortos, amarrotados, muitos

Não os lerei mais, morri
com eles, minhas marcas
no pó das passadas páginas

se desbotam, os personagens
idem, a flor no papel de poema
se fecha, furada por traças.

Armando Freitas Filho 



Armando Freitas Filho (Armando Martins de Freitas Filho), nasceu no Rio, em 1940. Foi pesquisador na Fundação Casa de Rui Barbosa, secretário da Câmara de Artes no Conselho federal de Cultura, assessor do Instituto Nacional do Livro, no Rio de Janeiro, pesquisador da Fundação Biblioteca Nacional, assessor no gabinete da presidência da Funarte, onde se aposentou. Sua obra literária tem merecido a atenção da crítica especializada destacando-se entre outros, os artigos, resenhas e prefácios de: José Guilherme Merquior, Heloísa Buarque de Hollanda, Luís Costa Lima, Silviano Santiago, Ana Cristina César... Leia mais aqui:



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6 comentários:

✿ chica disse...

Inspiração linda nesse soneto que nos mostras hoje! Boa escolha! abração,lindo dia! chica

Pérola disse...

Acredito que há sempre um livro apropriado para qualquer ocasião.

Beijos

Laura Santos disse...

Este poeta já conheço!...:-)
Aqui apresentado com um poema desalento, como se todos os livros já não tivessem razão de ser. Como se as traças nem se incomodassem mais com o mais belo poema!...
Muito interessante a outra página, com belas fotos.
Obrigada, Furtado.
Tudo de bom!
xx

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Oi, Rosemildo:
O soneto é belo, como sempre.
Tenha um bom dia.
Abraço

Wanderley Elian Lima disse...

Estou precisando, arrumar meu escritório, está irritante.

Edumanes disse...

Escritório irritante,
enfrenta a vida com razão
não tem medo homem chibante
sem trigo não há farinha nem pão
a vida é um rodopio constante
nem sempre na perfeição
quando se está doente
sofre mais o coração!

Um abraço amigo Furtado,
Eduardo.

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