JULGANDO
SER
Julgo-me
às vezes poeta, e com vaidade,
Como
agora ao papel eis que me atiro.
Nunca
arranjo que sirva esta verdade,
Leitor,
dizer-te logo aqui prefiro.
A
caixa do pensar, viro e reviro,
Mexo,
remexo e, com dificuldade.
Martelando
eu, é que às vezes dela tiro,
Alguns
versos de baixa qualidade.
Quando
além de um, consigo outro quarteto,
É
já descontrolado, o miolo tonto.
E,
outra estrofe não passa de terceto.
E,
certo de que um poema, não dou pronto,
Pra
sair da enrascada que me meto,
Deixo
em paz a cachola, faço ponto.
R.S. Furtado
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