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sábado, 5 de abril de 2014

Tântalo.

 
 
TÂNTALO

Não poderei ter de certo os olhos sempre enxutos
Quem sofre qual, no Erebo, o Tãntalo maldito:
Sedento – vê debalde um córrego infinito;
Faminto – vê debalde os floridos produtos!...

Ante um castigo tal, que apiedava os brutos
Leve talvez pareça um bárbaro delito!...
Foge sempre a torrente ao mísero precito
E, se tenta comer, escapam-se-lhe os frutos!

Há Tântalos também na vida transitória:
Querem estes a lympha e os pomos do talento,
E morrem no hospital para viver na história.

Desditosos que são... no malogrado intento!...
Longe de haverem ganho os loiros da vitória,
Encontram no sepulcro o eterno esquecimento!

Inácio Raposo
  
Inácio Raposo – Escritor brasileiro. Nasceu em Alcântara, Estado do Maranhão, a 16-6-1875. Iniciou seus estudos na terra natal. Aos doze anos veio para São Luís, onde fez o curso de humanidades. Frequentou escolas superiores de Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. Dedicou-se à imprensa e ao magistério. Foi professor catedrático de filosofia do direito, do Rio de Janeiro e de metafísica, na faculdade de Filosofia da mesma cidade. Embora não se sentisse atraído para as agremiações científicas, foi eleito membro de diversas delas, nacionais e estrangeiras. Ingressando temporariamente na política, representou como deputado seu Estado natal, destacando-se, no desempenho do mandato,... Leia mais aqui:

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