O BEBÊ E A MÃE
crescera dentro
da mãe
como todos os bebês
uma faca grande
talvez suja
como tantas vezes acontece
cortara
o cordão da vida
que o ligava
à mãe
uma manhã
aninhado
no calor das costas
da mãe
acordou de repente
a mãe corria
depois a mãe caiu
e ele com ela
a mãe ficou
quieta
muito quieta
e ele
chorou alto
sentiu então
que o uniam de novo
à mãe
com uma faca grande
talvez suja
como tantas vezes acontece
José Mena
José Mena Abrantes nasceu em Malanje, ano de 1945. É jornalista, diretor, ator e escritor (ficção, teatro e poesia). As atividades ligadas ao teatro começaram em 1967, como ator em o "Barbeiro de Sevilha", sob direção de Luís de Lima. Desde 1988, Mena Abrantes é diretor e encenador do grupo Elinga-Teatro, de Portugal. Em 1995, participou do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (Fitei), com a peça "O Pássaro e a Morte", em que assina a direção e o texto. Como jornalista, foi director-geral da Agência Angola Press, entre 1982 e 1984, e chefe do setor de Informação e Divulgação da Cinemateca Nacional, entre 1985 e 1987.
Obra poética:
Meninos, 1991, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Na Curva do Cão Morto, 1995, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Objetos Musicais, 1997, Luanda, Edições Chá De Caxinde.
Fonte: http://betogomes.sites.uol.com.br

