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quarta-feira, 23 de março de 2011

Pós-Escrito.


PÓS-ESCRITO

Quando eu morrer, abram-me o peito,
E desta jaula, onde houve um leão,
Tirem, o cárcere era estreito,
Meu velho e altivo coração.

Depois sem dó e sem respeito,
Sem um murmúrio de oração,
Lancem-no assim, vai satisfeito,
À vala obscura, à podridão.

Para que durma e se desfaça
No lado amargo da desgraça,
Por quem bateu continuamente,

Como um tambor que entre a metralha
Estoira ao fim duma batalha,
Rouco, furioso, ansioso, ardente!

Guerra Junqueiro


Abílio Manuel Guerra Junqueiro nasceu em Freixo de Espada à Cinta a 17 de Setembro de 1850, filho do negociante e lavrador abastado José António Junqueiro e de sua mulher D. Ana Guerra. A mãe faleceu quando Guerra Junqueiro contava apenas 3 anos de idade. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova". Poeta panfletário, a sua poesia ajudou criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República.

Estudou os preparatórios em Bragança, matriculando-se em 1866 no curso de Teologia da Universidade de Coimbra. Compreendendo que não tinha vocação para a vida religiosa, dois anos depois transferiu-se para o curso de Direito. Terminou o curso em 1873.

Entrando no funcionalismo público da época, foi secretário-geral do Governador Civil dos distritos de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo.

Em 1878, foi eleito deputado pelo círculo de Macedo de Cavaleiros.

Faleceu em Lisboa a 7 de julho de 1923.

Fontes: http://www.becodogatopreto.hpg.ig.com.br/ e Wikipédia.