domingo, 30 de setembro de 2012

Aurora.


AURORA 

A poesia não é voz - é uma inflexão. 
Dizer, diz tudo a prosa.  No verso 
nada se acrescenta a nada, somente 
um jeito impalpável dá figura 
ao sonho de cada um, expectativa 
das formas por achar.  No verso nasce 
à palavra uma verdade que não acha 
entre os escombros da prosa o seu caminho. 
E aos homens um sentido que não há 
nos gestos nem nas coisas:
 
Adolfo Casais Monteiro 

Adolfo Victor Casais Monteiro nasceu no dia 4 de Julho de 1908, na cidade do Porto, freguesia de Massarelos. Filho de Adolfo de Paiva Monteiro e de Victorina de Sousa Casais Monteiro, recebeu uma educação laica que privilegiou os valores da cultura e da intelectualidade, típicos do seu estrato social.
Cinco anos após a implantação da República, Casais Monteiro frequentou, na mesma cidade, o segundo grau do ensino primário no Colégio Almeida Garrett e iniciou os estudos liceais no Liceu Rodrigues de Freitas, ambos no Porto. Em meados dos anos 20, aquando da implantação da ditadura militar, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto
 para frequentar o curso de Ciências Históricas e Geográficas, acabando por concluir o curso de Ciências Históricas e Filosóficas em 1933. Leia mais aqui:

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Poema quarto de um canto de acusação.


POEMA QUARTO DE UM CANTO DE ACUSAÇÃO 

Há sobre a terra 50 000 mortos que ninguém chorou 
                                                                          sobre a terra 
                                                                               insepultos 
                                                                        50 000 mortos  
que ninguém chorou. 

Mil Guernicas e a palavra dos pincéis de Orozco e de Siqueiros  
do tamanho do mar este silêncio  
espalhado sobre a terra 

                        como se chuvas chovessem sangue    
                        como se os cabelos rudes fossem capim de muitos 
metros 
                        como se as bocas condenassem  
                        no preciso instante das suas 50 000 mortes  
todos os vivos da terra.  

Há sobre a terra 50 000 mortos  
que ninguém chorou  

ninguém...  

As Mães de Angola
             caíram com seus filhos   

Costa Andrade 

Leia mais um belo poema e a biografia do autor aqui: 

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Não Sabes.


NÃO SABES 

Quando alta noite n'amplidão flutua 
Pálida a lua com fatal palor, 
Não sabes, virgem, que eu por ti suspiro 
E que deliro a suspirar o amor. 

Quando no leito entre sutis cortinas 
Tu te reclinas indolente aí, 
Ai! Tu não sabes que sòzinho e triste 
Um ser existe que só pensa em ti. 

Lírio dest'alma, sensitiva bela, 
És minha estrela, meu viver, meu Deus. 
Se olhas – me rio, se sorris – me inspiro, 
Choras – deliro por martírios teus. 

E tu não sabes deste meu segredo, 
Ah! tenho medo do teu rir cruel!... 
Pois se o desprezo fosse a minha sorte 
Bebera a morte neste amargo fel. 

Mas dá-me a esperança num olhar quebrado, 
Num ai magoado, num sorrir do céu, 
Ver-me-ás dizer-te na febril vertigem: 
“Não sabes, virgem? Meu futuro é teu!” 

Castro Alves 

Leia mais um belo poema e a biografia do autor aqui: 

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domingo, 23 de setembro de 2012

Setuagenário.

  SETUAGENÁRIO 

Completos hoje estão na minha vida, 
Setenta anos de sonhos e esperanças. 
Dias, noites, têm sido na subida, 
Como brumas rolando pelas tranças. 

Porto sempre distante - indócil guarida, 
Velas brancas levadas sem bonanças. 
Da fragílima nau, mas destemida, 
Num oceano de sagas nunca mansas. 

Colher eu tenho só nos maus amores, 
No trajeto me dado a percorrer, 
Pétalas secas de caídas flores. 

Chegando ao fim já da jornada estou, 
Que traçou-me o destino; e, no viver, 
Penso em ser tanta coisa, e, nada sou. 

R.F. Furtado 

Queridos amigos! 

Hoje, 23 de setembro é o dia em que, para nós, a mais bela estação do ano está chegando aqui no nosso Brasil, assim como um dia muito especial, por ser no ano, o dia em que nós, Rosemildo Sales Furtado, Rosemildo Sales Furtado Filho e Rosenildo Pereira de Aguiar Furtado, agradecemos ao nosso PAI SUPREMO o fato de estarmos vivos e podermos comemorar mais uma primavera. 

NOSSO MUITO OBRIGADO AO NOSSO AMADO DEUS! 

Rosemildo Sales Furtado 
Rosemildo Sales Furtado Filho 
Rosenildo Pereira de Aguiar Furtado (filho) 

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Lentes para frangos.


LENTES PARA FRANGOS 

1963 – O Dr. Albert Shriner, presidente do Centro de Controle de Investigações sobre visão, acaba de criar uma lente de contacto a ser usada pelos frangos e outras aves frustradas, que tenham alterações nervosas. Tal Centro que se localiza em Santa Rosa, na Califórnia, mantém nessa cidade uma farmácia, que avia receitas a aves, de que é grande produtora, bem como de ovos. As lentes de contacto para frangos são de material plástico, de cor avermelhada e reduzirão o nervosismo das aves e o desperdício de alimentos. Evitam o pânico, quando as aves se acham expostas a ruídos e movimentos repentinos. Resolve ainda o problema do canibalismo, que tanto atormenta os avicultores. As lentes adaptadas às galinhas e frangos, são colocadas nos olhos dessas aves, quando ainda têm seis a oito semanas de idade. Elas se acostumam e usam-nas permanentemente. Tornam-se dóceis, calmas. Os frangos, com isso, perdem a mania de bicar seus irmãos de terreiro e as galinhas produzem mais ovos, pois deixam de ser nervosas e irritadas. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 5, página 887. 

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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Drama na cela disciplinar.


DRAMA NA CELA DISCIPLINAR 

A aranha monstruosa está com apepsia: 
Dou-lhe a aprazada mosca sempre a hora habitual, 
Mas não galga o violino como já fazia, 
Solerte, amarela e negro, para a fatal 
Deglutição. E só já reage à terceira 
Fumarada do meu cigarro. Enfim, zangada: 
Não me lembrei ver se aquela insulsa rameira, 
Já tonta, que lhe dei, estaria tocada 
Pelo insecticida de horas antes. Farricoco 
De moscardos a boa vida ou domador 
Falhado, restam-me as paredes e eu — oco 
No cerne — estes fonemas a doer, o calor 
E o frio; a loucura, os janízaros bem pouco 
Amigos, a colite, os versos sem valor... 

António Cardoso 

Leia mais um belo poema e a biografia do autor, aqui: 

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Segunda impaciência do poeta.


SEGUNDA IMPACIÊNCIA DO POETA 

Cresce o desejo, falta o sofrimento, 
Sofrendo morro, morro desejando, 
Por uma, e outra parte estou penando 
Sem poder dar alívio a meu tormento. 

Se quero declarar meu pensamento, 
Está-me um gesto grave acobardando, 
E tenho por melhor morrer calando, 
Que fiar-me de um néscio atrevimento. 

Quem pretende alcançar, espera, e cala, 
Porque quem temerário se abalança, 
Muitas vezes o amor o desiguala. 

Pois se aquele, que espera se alcança, 
Quero ter por melhor morrer sem fala, 
Que falando, perder toda esperança. 

Gregório de Matos 


Leia mais um belo soneto e a biografia do autor clicando em: http://arteemoes.blogspot.com.br/2010/01/buscando-cristo.html 

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sábado, 15 de setembro de 2012

Soneto XVI.


SONETO XVI 

O louro chá no bule fumegando 
De Mandarins e Brâmanes cercado; 
Brilhante açúcar em torrões cortado; 
O leite na caneca branquejando. 

Vermelhas brasas, alvo pão tostado; 
Ruiva manteiga em prato bem lavado; 
O gado feminino rebanhado, 
E o pisco Ganimedes apalpando; 

A ponto a mesa está de enxaropar-nos. 
Só falta que tu queiras, meu Sarmento, 
Com teus discretos ditos alegrar-nos. 

Se vens, ou caia chuva, ou brame o vento, 
Não pode a longa noite enfastiar-nos, 
Antes tudo será contentamento. 

Correia Garção 

Pedro António Correia Garção (1724-1772) nasceu em Lisboa. Frequentou o curso de Direito da Universidade de Coimbra, mas teve de abandonar os estudos, tornando-se oficial de secretaria e redactor da Gazeta de Lisboa. É considerado um dos mais importantes poetas neoclássicos da litratura portuguesa. Pertenceu à Arcádia Lusitana, utilizando o pseudónimo de Corydon Erimantheo. As suas poesias foram publicadas em 1778 num só volume intitulado Obras Poéticas. Escreveu duas comédias: Teatro Novo e Assembleia ou Partida. 

Fonte: http://alfarrabio.di.uminho.pt

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Reação.


REAÇÃO 

Vamos querida, pela vida a fora, 
Unidos pelo nosso amor florido. 
Que seja num céu azul, e lindo agora, 
O mundo enganador e denegrido. 

Que o nosso amor jamais seja contido, 
Floresça em cada e em cada aurora. 
Estáticos, atiremos para o abismo, 
Os dissabores trágicos de outrora. 

Abandonemos do martírio a cruz, 
Façamos do viver um paraíso, 
De róseas tardes e manhãs azuis. 

Fortes, renasçam, pois, nossos desejos, 
Haja alegria em flor nos teus sorrisos, 
E sôfrega harmonia nos meus beijos. 

R.S. Furtado 

Meus queridos amigos! 

Depois de quase três meses de ausência, tempo utilizado para solução de assuntos particulares, eis que, com a graça de DEUS, aqui estamos de volta para agraciar-nos com o maravilhoso convívio de todos vocês. 

Agradecemos penhoradamente pela valiosa compreensão, as amáveis visitas, assim como todos os comentários, inclusive, alguns com uma certa dose de preocupação, em virtude do nosso afastamento. 

Aproveitamos a oportunidade, para informar que estamos bem, e que, aos poucos, todas as visitas serão retribuídas, pois, como sempre, a recíproca será verdadeira. 

Muito obrigado de coração. 

“QUE DEUS SEJA LOUVADO” 

Rosemildo Sales Furtado 

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