segunda-feira, 23 de julho de 2018

Vingativamente.


VINGATIVAMENTE

Durante aquele, amor pura loucura,
Que me consagraste fervorosamente.
Tu recusaste desdenhosamente,
Minhas cartas de amor, a antiga jura.

Cedo, porém, perdeste a formosura,
Resiste o orgulho fragorosamente.
É em balde que, com teu riso aparente,
Disfarçar queiras tua desventura.

Quando se esfuma a última esperança,
A triste realidade se descobre,
A ilusão foge e o desengano avança.

Hoje, um olhar se quer não te suplico,
Já de orgulho e desdém ficaste pobre,
De indiferença estou ficando rico.

R.S. Furtado

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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Problemas.


PROBLEMAS 
“Às vezes um probleminha é necessário porque, além de exigir um certo exercício mental, nos beneficia com a emoção sentida quando na sua solução.”
R.S. Furtado
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segunda-feira, 9 de julho de 2018

O Sonho.


O SONHO

Sonhei que estávamos num belo jardim,
Verdejante e ornado com lindas flores.
Açucena, amor perfeito, crisântemo e jasmim,
Exalando fragrâncias num misto de odores.

De um lado, formosa, estava uma rosa,
E do outro, perfilado, estava um cravo.
A rosa repousava com sua graça mimosa,
O cravo implorava seu amor como um bravo.

E assim, de uma forma magna, esplendorosa,
A história de um lindo amor aconteceu.
A felicidade reinou para ambos, imperiosa,

Mas o sonho findou. O dia lentamente amanheceu.
Ao meu lado dormindo, tu eras a rosa,
Ao teu lado acordado, o cravo era eu.

R.S. Furtado

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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Preferência.


PREFERÊNCIA 
É preferível que venham as dores, do que a causa de não mais poder senti-las.”
R.S. Furtado
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segunda-feira, 25 de junho de 2018

A fofoqueira.

A FOFOQUEIRA 

Vem logo vê muié! Se assenta aqui,
Oia só quem vai passando por aí,
Nunca vi muiesinha tão derpravada.
A safada veve todo tempo cum fome.
Num pode nunca avistá um home,
Qui fica logo fogosa, toda assanhada.

Só veve na rua, é o dia todo andano,
Pra riba e pra baxo, somente mostrano,
As coisa qui tem e qui divia di iscondê.
A rôpa vremêia, curtinha e apertada, 
Pra riba do joeio, tá sempre alevantada,
Qui é pra mode os home da rua vê.

Trabaiá? Eu? Qui nada! Nem pensá,
Vadiá é muito mais mió pra nóis ganhá.
Isso é como as garrafa! Sai puraí falano.
Adispois é só lavá, imboicá e já tá nova,
Aí, a mais otros besta eu vô dano prova,
E as merreca qui arrumá, eu vô imbosano.

Num vá dizê a ninguém qui eu disse,
Pruquê eu vô só dizê qui tu mintisse,
E qui tu gosta munto dumas istorinha.
É qui a quenga qui agora eu tô falano,
Qui veve puraí, pelas rua só vadiano,
Mora aqui junto deu, é fia da vizinha.

Mais dêxa pra lá, ela faz pruquê é dela,
Pros povo daqui, ela num vale uma ruela,
Faz desde minina, cumeçô muito cedo.
É! Vamu se arrumá, qui hoje é dia de festa,
Vô cumê, e bebê, vô dançá cá mulesta
Inté o sol raiá, nas festança de São Pedo.
R.S. Furtado.

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