O CICERONE
Olhe! Preste bem
atenção, ó sô moço,
Pras coisa qui
agora, eu vou le dizê.
A terra aqui é boa
e tem um poço,
É só plantar,
isperá botá, e culhê,
Aos pouco, sem
pressa e arvoroço,
Pra mode a famia o
ano intero cumê.
Mais num vá
pensando, ó sô moço,
Qui a vida aqui é
de fartura. É osso!
Num pense qui é
face, né moleza não.
O cabra aqui sofre.
Tem qui trabaiá,
Tem qui regaçá as
manga, bataiá e suá,
Pra mode cumê um
pedacim de pão.
A água num é boa,
é pôca e barrenta,
Dá pra lavá as
coisa, a cara e a venta,
Banho só no riacho,
com buxa e sabão.
Se tivé cuidado, a
água dá pra bebê,
Basta só botá no
fogo e isperá felvê,
Pra num dá
lumbriga, ficá cum barrigão.
A gente daqui é
carma, num é arruacera,
Num sabe nem comu
pegá na pexera,
Mais tem muita
corage, num é froxa não.
Se xingá ela, sai
da frente, disimbesta,
Ela fica comu um
cão, fica cum a mulesta,
Vai pra cima e mata,
estraçaia cum as mão.
A gente daqui num
veve só pra trabaiá
Aqui também é
divirtido, tem coisa boa
Sempre no mei do
ano, eles tem diversão
Em junho eles sempre
trata de se arrumá
Toma cachaça e sai
de braço cum a patroa
E pro terrero filiz,
vai brincá o São João.
R.S. Furtado.
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