quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sol e Anarda.




SOL E ANARDA

O sol ostenta a graça luminosa,
Anarda por luzida se pondera;
o sol é brilhador na quarta esfera,
brilha Anarda na esfera de fermosa.

Fomenta o sol a chama calorosa,
Anarda ao peito viva chama altera,
o jasmim, cravo e rosa ao sol se esmera,
cria Anarda o jasmim, o cravo e a rosa.

O sol à sombra dá belos desmaios,
com os olhos de Anarda a sombra é clara,
pinta maios o sol, Anarda maios.

Mas (desiguais só nisto) se repara
o sol liberal sempre de seus raios,
Anarda de seus raios sempre avara.

Manuel Botelho de Oliveira

Manuel Botelho de Oliveira nasceu na Bahia em 1636; estudou Direito em Coimbra, e, de volta ao Brasil, dedicou-se à advocacia e à política: foi vereador do Senado da Câmara de Salvador (1710) e capitão-mor das ordenanças de Jacobina. Morreu em 05 de janeiro de 1711. Era bastante rico, segundo Pedro Calmon, para emprestar dinheiro ao Estado, e ainda com vigor para lhe entrar os sertões. “Argentário - continua o historiador – aparece em vários documentos como credor de dinheiro a juros: assim no testamento de D. Francisca de Saúde (Cr$ 175)... Foi casado com D. Felipa de Brito e sepultado na igreja do Carmo”. Esse casamento era o segundo; matrimoniara-se antes com D. Antônia de Meneses, celebrando-se as novas núpcias, por viuvez, em 24 de janeiro de 1677. Seu livro foi publicado quando ele tinha quase setenta anos.

Fonte: “Poesia Barroca” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

A Trapezista Voadora.


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A TRAPEZISTA VOADORA


Rasga a abóbada celeste do circo.
Fica a noite suspensa de seu alto
e ousado gesto absoluto. Tremo,
deslumbrado, entre silêncio e salto,


entre barra e pulso, amor e medo,
raiz e fruto. O corpo de gata
e lantejoulas rápidas, sereno,
flutua no espaço e arrebata


meu coração aflito, olhar e sexo.
É luz, lume, nuvem, deusa, acrobata?
Ou gata no cio num céu sem nexo?


Flor de lótus ou lis? Astro secreto?
Voo seu voo veloz, for exacta,
concisa como um verso no soneto.

José Carlos Vasconcelos

José Carlos de Vasconcelos (Freamunde, Paços de Ferreira, 10 de Setembro de 1940) é um jornalista e advogado português.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra iniciou a carreira em 1966 no Diário de Lisboa. Foi dirigente da Associação Académica de Coimbra e do Sindicato dos Jornalistas e deputado à Assembleia da República eleito pelo extinto partido Renovador Democrático, de que foi um dos fundadores.
Foi director-adjunto do Diário de Notícias e um dos fundadores do semanário O Jornal, de que veio a ser director.
Atualmente pertence à direcção editorial da revista Visão e é director do Jornal de Letras.
Fonte: Wikipédia. 
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domingo, 7 de outubro de 2012

Mundo Interior.


MUNDO INTERIOR

Ouço que a natureza é uma lauda eterna
de pompa, de fulgor, de movimento e lida,
uma escala de luz, uma escala de vida
de sol à ínfima luzerna.

Ouço que a natureza, – a natureza externa, –
tem o olhar que namora, e o gesto que intimida,
feiticeira que ceva uma hidra de Lerna
entre as flores da bela Armida.

E contudo, se fecho os olhos, e mergulho
dentro em mim, vejo à luz de outro sol, outro abismo
em que um mundo mais vasto, armado de outro orgulho,

rola a vida imortal e o eterno cataclismo,
e, como o outro, guarda em seu âmbito enorme,
um segredo que atrai, que desafia, – e dorme.

Machado de Assis
 
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839. Em 1855 viu sair na Marmota Literária, pela primeira vez, um seu trabalho, a poesia “Ela”. Entrou em 1856 na Imprensa Nacional como aprendiz de tipógrafo, e no ano seguinte passou a exercer a função de mister de revisor de provas, em livraria e em jornal. Em 1859 já é crítico teatral e em 1860 tem a seu cargo várias secções, no Diário do Rio de Janeiro. Cavaleiro da Ordem da Rosa, por serviços às letras (1867), foi elevado a oficial em 1888. Chegou a diretor-geral em sua carreira de funcionário público, na qual se aposentou. Foi o primeiro presidente da Academia Brasileira, e faleceu no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908.

Fonte: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições melhoramentos – 1967.
  
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Ceder é necessário.

 CEDER É NECESSÁRIO!
Para se ter uma vida em comum, necessário se faz que as partes saibam ceder o suficiente, para que possam fazer jus ao suficientemente cedido.”
R.S. Furtado 
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terça-feira, 2 de outubro de 2012

A Mochila de Ouro.


 A MOCHILA DE OURO

Havia dois homens, um rico e outro pobre, que gostavam de fazer peças um ao outro. Foi o compadre pobre à casa do rico pedir um pedaço de terra para fazer uma roça. O rico, para fazer peça ao outro, lhe deu a pior que tinha. Logo que o pobre teve o sim, foi para casa dizer a mulher, e foram ambos ver o terreno. Chegando lá nas matas, o marido viu uma mochila de ouro, e, como era em terras do compadre rico, o pobre não a quis levar para casa, e foi dizer ao outro que em suas matas havia aquela riqueza. O rico ficou logo todo agitado, e não quis que o compadre trabalhasse mais nas suas terras. Quando o pobre se retirou, o outro largou-se com a sua mulher para as matas a ver a grande riqueza. Chegando lá, o que achou foi uma grande casa de marimbondos; meteu-a num grande saco e tomou o caminho da casa do pobre e, logo que o avistou, foi gritando:

– “Ó compadre, fecha as portas e deixa somente uma banda da janela aberta”. O compadre assim fez, e o rico, chegando perto da janela, atirou a casa de marimbondos dentro da casa do amigo e gritou: – “Fecha a janela compadre!” Mal os marimbondos bateram no chão, transformaram-se em moedas de ouro, e o pobre chamou a mulher e os filhos para as ajuntar. O ricaço gritou então: – “Ó compadre, abre a porta!” Ao que o outro respondia: as – “Deixa-me, os marimbondos estão me matando!” E assim ficou o pobre rico e o rico ridículo.

Sílvio Romero. 

 
Fundador da Cadeira 17. Recebeu o Acadêmico Euclides da Cunha.
Sílvio Romero (S. Vasconcelos da Silveira Ramos R.), crítico, ensaísta, folclorista, polemista, professor e historiador da literatura brasileira, nasceu em Lagarto, SE, em 21 de abril de 1851, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 18 de julho de 1914. Convidado a comparecer à sessão de instalação da Academia Brasileira de Letras, em 28 de janeiro de 1897, fundou a Cadeira nº 17, escolhendo como patrono Hipólito da Costa. Leia mais aqui:

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