Mostrando postagens com marcador Visita.... Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Visita.... Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de maio de 2012

Visita


VISITA 

Visito os amigos mortos, 
Pensando que inda, estão vivos. 
Entre a penumbra dos quadros 
Andam eles em sorrisos. 
Pronuncio a frase antiga 
E dou comigo sozinha. 
Oiço então o dia exacto 
Da estridente campainha. 
Volto a casa, fecho o som 
Por dentro da persiana. 
E então os retratos andam, 
À volta da minha cama. 

Natércia Freire 

Natércia Freire nasceu em 1919 em Benavente, no Ribatejo. Editou o seu primeiro livro de poesia, Castelos de Sonho, em 1935, seguido de O Meu Caminho de Luz. Estudou música mas dedicou-se à poesia e ao jornalismo cultural. Foi Coordenadora da Página de "Artes e Letras" do "Diário de Notícias" desde 1954 até 1974. 

Foi membro da Comissão de Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian. 

A partir de 1974 retirou-se da vida literária nacional, marcando porém discreta presença em alguns artigos de opinião no ’"O Tempo" e n’ "O Século", e publicando poesia em várias revistas e jornais. 

Desde 1980 exerceu, por várias vezes, o papel de Júri do Prémio Literário da Fundação Oriente. Em 1991 e 1995 editou a sua obra poética completa sob a chancela da Imprensa Nacional/ Casa da Moeda. Morreu no dia 17 de Dezembro de 2004. 

Fonte: http//um-buraco-na-sombra.netsigma.pt: 

Visite também:

domingo, 13 de novembro de 2011

Visita.


VISITA 

Na escassa penumbra da tarde, sonho. 
Vêm me visitar as fadigas do dia, os defuntos do ano, 
as lembranças da década, 
como uma procissão dos mortos daquela aldeia 
perdida lá no horizonte. 
Este é o mesmo sol, 
impregnado de miragens 
o mesmo céu
que presenças ocultas dissimulam 
o mesmo céu temido 
daqueles que tratam 
com os que se foram 
Eis que a mim vêm os meus mortos. 

Léopold Sédar Senghor 


Léopold Sédar Senghor (Joal-Fadiout, 9 de outubro de 1906 – Verson, 20 de dezembro de 2001) foi um político e escritos senegalês. Governou o país como presidente de 1960 a 1980. 

Senghor nasceu na cidade costeira de Joal. Seu pai, Basile Diogoye Senghor, era um comerciante católico da etnia serer, minoritária no Senegal. Sua mãe, Gnilane Ndiémé Bakhou, era muçulmana de etnia peul. O sobrenome de seu pai, Senghor deriva da palavra portuguesa "senhor"

Em 1928 foi estudar em Paris, onde entrou para a Sorbonne, lá permanecendo entre 1935 e 1939, tornando-se o primeiro africano a completar uma licenciatura nesta universidade parisiense. 

Como escritor, desenvolveu a Négritude (movimento literário que exaltava a identidade negra, lamentando o impacto negativo que a cultura europeia teve junto das tradições africanas). Nas suas obras, as mais engrandecidas são Chants d'ombre(1945), Hosties noires (1948), Ethiopiques (1956), Nocturnes (1961) e Elegies majeures (1979),. Sua obra tem como tema principal a cultura africana, que tanto ajudou a difundir, e o seu estilo como escritor se aproxima com a literatura francesa. 

Durante a Segunda Guerra Mundial esteve preso por dois anos num campo de concentração nazi e só depois é que os seus ensaios e poemas seriam publicados. 

Entre 1948 e 1958 foi deputado senegalês na Assembleia Nacional Francesa, sendo o primeiro negro a ocupar o cargo de deputado nessa Assembleia. 

Quando o Senegal foi proclamado independente, em 1960 - por conta de um apelo feito por Léopold ao então presidente da França Charles de Gaulle - Senghor foi eleito por uma unanimidade presidente da nova República, vindo a desempenhar o cargo ate final de 1980, graças a reeleições sucessivas. 

Defensor do socialismo aplicado à realidade africana, tentou desenvolver a agricultura, combater a corrupção e manter uma política de cooperação com a França. 

Fonte: Wikipédia. 

Visite também: