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segunda-feira, 26 de março de 2012

Oblíquo o meu olhar.


OBLÍQUO O MEU OLHAR 

Oblíquo o meu olhar, gesto e o jogo 
que musical desmantela em volta o espaço 
e retira à carne seu subjectivo desejo 
cego, visão do inenarrável, seus perfumes. 

Oblíquo o meu olho e o inquieto instante 
a própria luz que aponta e beija com ardor 
tuas ancas de canela na oblíqua esteira 
oblíqua a tua lenda, invisíveis tuas barcas 

no embalo lento da monção dos sentidos, 
sobreimpressar inscrevendo-se no meu corpo 
oblíquo o teu olhar, o híbrido veio insaciável 

como o próprio eco das vagas contra a muralha 
da fortaleza, abrindo-se a meus assaltos 
mudos, minerais, fragmentando oblíquo poente 

Virgílio de Lemos


Virgílio de Lemos nasceu na Ilha do Ibo em Moçambique em 1929. Cresceu e estudou entre Lourenço Marques e Joanesburgo. É uma das figuras fundamentais da poesia moçambicana, ao lado de Rui Knopfli e José Craveirinha

Fundador da revista de poesia Msaho em 1952, que simboliza a ruptura com a literatura colonial. No seu primeiro número figuram Noémia de Sousa, Reinaldo Ferreira e Alberto Lacerda. A sua obra conta poemas, contos e crónicas, e um estudo sobre o "barroco estético" na literatura de Moçambique. Ele teve uma parte activa na vida política e na resistência ao regime colonial entre 1958 e 1963, altura em que opta pelo exílio em França. 

O seu livro de poesia, "Para fazer um mar", editado pelo Isnstituto Camões, foi lançado a 31 de Maio 2001 na Feira do Livro de Lisboa, com prefácio de Luís Carlos Petraquim

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br

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