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domingo, 4 de março de 2012

Um cão.


UM CÃO 

Um cão 
é isto de sermos gente. 

Se temos só duas pernas 
temos em contrapartida 
uma complicação escura 
dentro do peito. 

Qualquer coisa como 
os fundos desconhecidos 
da água 
só conhecidos 
dos náufragos. 

Para matar 
é preciso uma arma 
e para voar 
como búzios 
precisamos papel e lápis 
— e assim viajamos 
dentro de vegetais malas de viagens 
procurando o destino sufocante 
de todas as paragens. 

Cruzeiro Seixas 


Cruzeiro Seixas, de nome completo, Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas (Amadora, 3 de Dezembro de 1920) é um "homem que pinta" (a designação de pintor aborrece-o e poeta português, militante do movimento artístico surrealismo de meados do século XX. 

Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde conheceu Mário Cesariny e com quem frequentou o Grupo Surrealista de Lisboa. Mais tarde, adere ao antigrupo (dissidente) "Os Surrealistas", fundado por Cesariny e a que pertenciam também António Maria Lisboa, Risques Pereira, Pedro Oom, Fernando José Francisco e Mário Henrique Leiria. Em 1950 parte para África, como marinheiro mercante, fixando-se em Angola em 1952, onde no ano seguinte expõe individualmente pela primeira vez em Luanda, regressando a Portugal em 1964. 

Para Cruzeiro Seixas, a homossexualidade era "a arma mais terrível contra tudo o que havia à minha volta e com que eu não estava de acordo - chamasse-se ou não fascismo. Era uma atitude de revolta", que utilizava, tal como Cesariny, para escandalizar e provocar a sociedade portuguesa conservadora e religiosa, da época. 

Fonte: Wikipédia.

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