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domingo, 10 de junho de 2012

Desncontro.


DESENCONTRO 

Quantas vezes me viste sem te eu ver, 
E quantas eu te vi que me não viste... 
E só agora, ao ver que me fugiste, 
Eu vejo o que perdi, em te perder. 

Estranha condição do estranho ser 
Que alegre vive nesta vida triste: 
Que só saibamos em que o bem consiste, 
Quando o bem só consiste no morrer. 

Quão feliz eu seria, se, na hora 
Em que te vi, te visse como agora, 
Ideal, nos meus sonhos ideais!... 

Se o que eu sinto por ti sentir pudera, 
Então, sorrindo, eu te diria: Espera, 
E hoje, chorando, não te espero mais. 

Silva Ramos 


Leia mais um belo soneto e a biografia do autor aqui:

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Nós.

http://3.bp.blogspot.com/_C6k_5pT4pZE/Ry6wT9OTOGI/AAAAAAAAAAk/5dKVbWw5NmU/s400/almas1.JPG

NÓS

Eu e tu: a existência repartida
por duas almas; duas almas numa
só existência. Tu e eu: ávida
de duas vidas que uma só resuma.

Vida de dois, em cada uma vivida,
vida de um só vivida em dois; em suma:
a essência unida à essência, sem que alguma
perca o ser una, sendo a outra unida.

Duplo egoísmo altruísta, a cujo enleio
no próprio coração cada qual sente
a chama que em si nutre o incêndio alheio.

O mistério do amor onipotente,
que eternamente eu viva no teu seio,
e vivas no meu seio eternamente.

Silva Ramos.

No Recife nasceu José Júlio da Silva Ramos, em 06 de março de 1853, filho de pai brasileiro (médico formado em Coimbra) e mãe portuguesa. Feitos os preparatórios, foi estudar leis em Coimbra, onde chegou em 1869, depois de breve estagio na Escola Acadêmica de Lisboa. Conheceu durante sua estada futuros grandes vultos literários, como Gonçalves Crespo, João de Deus, Guerra Junqueiro e outros. De volta ao Brasil (1882), foi inspetor escolar (1890), diretor do Ginásio Fluminense, em Petrópolis, e professor de português no Colégio Pedro II (1903). Colaborou em A Semana, sob o pseudônimo de Júlio Valmor, na Revista Brasileira e na Revista da Academia. Pertencia ao sodalício, como fundador. Faleceu em 16 de dezembro de 1930.

Fonte: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.