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quarta-feira, 19 de junho de 2013

O vinho da Hebe.


 
O VINHO DE HEBE

Quando do Olimpo nos festins surgia
Hebe risonha, os deuses majestosos
Os copos estendiam-lhe, ruidosos,
E ela, passando, os copos lhes enchia…

A Mocidade, assim, na rubra orgia
Da vida, alegre e pródiga de gozos,
Passa por nós, e nós também, sequiosos,
Nossa taça estendemos-lhe, vazia…

E o vinho do prazer em nossa taça
Verte-nos ela, verte-nos e passa…
Passa, e não torna atrás o seu caminho.

Nós chamamo-la em vão; em nossos lábios
Restam apenas tímidos ressábios,
Como recordações daquele vinho.


 Raimundo Correia

Leia mais um belo soneto e a biografia do autor clicando aqui: 

Fonte: Poesia Parnasiana -- Antologia - Edições Melhoramentos.

Visite também:
 

http://arteemoes.blogspot.com.br/2010/01/ouro-sobre-azul.html

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ouro sobre azul...

http://www.artehistoria.jcyl.es/genios/jpg/CAN04089.jpg

OURO SOBRE AZUL...

Quando ela, sobre as águas transparentes,
surge em casta nudez, de amor acesa,
a vaga envolve em ósculos frementes
todo o corpo de olímpica princesa.

O misto de luxúria e de pureza
dos seus contornos nítidos, patentes,
é o poema excelso da Beleza
em estrofes de Paros, reluzentes...

Vendo-a assim, cuido ver, branca de espuma
Vênus que surge, e da onda que flutua
no verde flanco lânguida se apruma;

e soltos vendo-lhes os cabelos, cuido
ver despenhar-se sobre a deusa nua
serena catadupa de oiro fluido...

Raimundo Correia

http://lh4.ggpht.com/_v6-VdkZ_4O0/SoQO4lDd3YI/AAAAAAAABi0/Ue2_H8ajhQY/image_thumb%5B1%5D.png?imgmax=800
Raimundo da Mota Azevedo Correia nasceu em 13 de maio de 1859, a bordo do navio nacional São Luís, ancorado nas costas do Maranhão. Estudou no Colégio Pedro II e na Faculdade de Direito de São Paulo, pela qual se formou em 1882. Foi promotor de justiça em São João da Barra e em São João do Príncipe; juiz em Vassouras (1884); secretário da Presidência da Província do Rio de Janeiro (1889); juiz de Direito em Santa Isabel, Minas Gerais; diretor da Secretaria de Finanças do mesmo Estado e professor de Direito. Exerceu as funções de 2º Secretário da Legação do Brasil em Portugal e depois de juiz de Direito no Rio de Janeiro. Fundador da Academia Brasileira de Letras. Faleceu em Paris, em 13 de setembro de 1911, tendo sido transladados seus restos para o Brasil em 1920.

Fonte: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.