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terça-feira, 19 de junho de 2012

Mutação.


MUTAÇÃO 

Batel sem norte, o espírito naufraga 
neste medonho pélago de ciúme, 
que os suplícios do amor todos resume, 
e as vítimas do amor todas alaga: 

quando entram n'alma as sombras do azedume, 
quando nasce no peito hedionda chaga; 
sofre-se... curte-se uma dor que esmaga, 
e não se exala ao menos um queixume... 

Mas, de repente – delicioso instante! – 
uma doce cartinha, inesperada, 
torna feliz um coração amante! 

Dor... azedume... isso não vale nada! 
Todos os males se dissipam diante 
das garatujas da mulher amada! 

Artur Azevedo 

Leia mais um belo soneto e a biografia do autor aqui: 

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