A
GARRAFA
Que
importa o caminho
da
garrafa que atirei ao mar?
Que
importa o gesto que a colheu?
Que
importa a mão que a tocou
— se
foi a criança
ou
o ladrão
ou
filósofo
quem
libertou a sua mensagem
e
a leu para si ou para os outros.
Que
se destrua contra os recifes
eu
role no areal infindável
ou
volte às minhas mãos
na
mesma praia erma donde a lancei
ou
jamais seja vista por olhos humanos
que
importa?
...
se só de atirá-la às ondas vagabundas
libertei
meu destino
da
sua prisão?...
Manuel
Lopes
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