SOL
E ANARDA
O
sol ostenta a graça luminosa,
Anarda
por luzida se pondera;
o
sol é brilhador na quarta esfera,
brilha
Anarda na esfera de fermosa.
Fomenta
o sol a chama calorosa,
Anarda
ao peito viva chama altera,
o
jasmim, cravo e rosa ao sol se esmera,
cria
Anarda o jasmim, o cravo e a rosa.
O
sol à sombra dá belos desmaios,
com
os olhos de Anarda a sombra é clara,
pinta
maios o sol, Anarda maios.
Mas
(desiguais só nisto) se repara
o
sol liberal sempre de seus raios,
Anarda
de seus raios sempre avara.
Manuel
Botelho de Oliveira
Manuel
Botelho de Oliveira nasceu na Bahia em 1636; estudou Direito em
Coimbra, e, de volta ao Brasil, dedicou-se à advocacia e à
política: foi vereador do Senado da Câmara de Salvador (1710) e
capitão-mor das ordenanças de Jacobina. Morreu em 05 de janeiro de
1711. Era bastante rico, segundo Pedro Calmon, para emprestar
dinheiro ao Estado, e ainda com vigor para lhe entrar os sertões.
“Argentário - continua o historiador – aparece em vários
documentos como credor de dinheiro a juros: assim no testamento de D.
Francisca de Saúde (Cr$ 175)... Foi casado com D. Felipa de Brito e
sepultado na igreja do Carmo”. Esse casamento era o segundo;
matrimoniara-se antes com D. Antônia de Meneses, celebrando-se as
novas núpcias, por viuvez, em 24 de janeiro de 1677. Seu livro foi
publicado quando ele tinha quase setenta anos.
Fonte:
“Poesia Barroca” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.
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