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domingo, 21 de julho de 2013

Olhos que apalpam.



OLHOS QUE APALPAM

Tímida, com seu ar de tapuia do mato,
quando ao meu lado está, fica suspensa e queda;
muda, porém, o olhar balbucia e segreda
o que a boca não diz de receio e recato.

E esse, a cujo fulgor não há nada que exceda,
untuoso olhar, por bem sentir o meu contato,
parece às vezes ter sutileza de tato,
finuras digitais de duas mãos de seda.

Fala-me o seu olhar com franqueza e descuido
tecendo em torno a mim suas tramas e enredos;
e ele envolve-me tanto em seu mágico fluido,

diz-me com tal calor os seus grandes segredos,
que quase sinto à flor da pele e quase cuido
que igual à mão, o seu olhar tem cinco dedos.

Júlio César da Silva

Júlio César da Silva nasceu em Xiririca, atual Eldorado, no Estado de São Paulo, em 23 de dezembro de 1872, e estudou Direito na Faculdade de São Paulo, pela qual se formou em 1895. Teve mocidade aventurosa, trabalhou em circo, andou por Buenos Aires e Montevidéu, e fixou-se afinal como funcionário da Prefeitura de São Paulo. Faleceu na capital do Estado em 15 de julho de 1936.

Fonte: Poesia Parnasiana - Antologia. Edições Melhoramentos - 1967.

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