O LAGO
Um pouco
d'água só, e, ao fundo, areia ou lama.
Um pouco
d'água em que, no entanto, se retrata
o pássaro
que o voo aos ares arrebata,
e o rubro
e infindo céu do crepúsculo em chama.
Água que
se transmuda em reluzente prata,
quando, do
bosque em flor, que as brisas embalsama,
a lua,
como uma áurea e finíssima trama,
pelos
ombros da Noite a sua luz desata.
Poeta,
como esse lago adormecido e mudo,
onde não
há, sequer, um frêmito de vida,
onde tudo
é ilusório e passageiro é tudo,
existem,
sobre um fundo, ou de lama ou de areia,
almas em
que tu vês apenas refletida
a tua
alma, onde o sonho astros de oiro semeia.
Júlia
Cortines
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