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quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Lago.



O LAGO

Um pouco d'água só, e, ao fundo, areia ou lama.
Um pouco d'água em que, no entanto, se retrata
o pássaro que o voo aos ares arrebata,
e o rubro e infindo céu do crepúsculo em chama.

Água que se transmuda em reluzente prata,
quando, do bosque em flor, que as brisas embalsama,
a lua, como uma áurea e finíssima trama,
pelos ombros da Noite a sua luz desata.

Poeta, como esse lago adormecido e mudo,
onde não há, sequer, um frêmito de vida,
onde tudo é ilusório e passageiro é tudo,

existem, sobre um fundo, ou de lama ou de areia,
almas em que tu vês apenas refletida
a tua alma, onde o sonho astros de oiro semeia.

Júlia Cortines
Leia mais um belo soneto e a biografia da autora aqui:

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