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sábado, 15 de junho de 2013

O Avarento.



O AVARENTO

O Avarento No meio de seus cofres, desvelado, 
Co'as tampas levantadas, rasas de ouro, 
Cevando a vista está no metal louro 
Dele o cioso Avarento namorado. 

Temendo que lhe venha a ser roubado, 
Emprega alma e vida em seu tesouro, 
Girando com os olhos, qual besouro, 
Zumbindo sem cessar, afervorado. 

Fechado nele está, com sete portas, 
Com temor de algum fero arrombamento 
De astutas invenções, de ideias tortas. 

Não emprega em mais nada o pensamento. 
Cega ambição de vãs riquezas mortas! 
Quão infeliz não és, louco avarento!


Francisco Joaquim Bingre

Leia mais um belo poema e a biografia do autor, aqui.

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domingo, 10 de julho de 2011

À sua velhice.


À SUA VELHICE

Meu corpo assaz tem sido espicaçado
Com buídos punhais, por mão da Morte,
Que arrebatado tem, da minha corte,
Grande rancho de quanto tenho amado.

Não me poupa a cruel no triste estado
Do caduco viver da minha Sorte:
Quando era vigoroso, moço forte,
Suportava com mais valor meu Fado.

Então as minhas ásperas feridas
Não tinham para mim tardias curas,
Porque o Tempo receitas tem, sabidas.

Mas velho e c'o vapor das sepulturas,
Como posso curar as desabridas
Chagas, das minhas novas amarguras?

Francisco Joaquim Bingre


Francisco Joaquim Bingre, poeta arcádico e pré-romântico português, nasceu em Canelas, Estarreja no dia 9 de julho de 1763, filho de Manuel Fernandes natural da mesma freguesia e de Ana Maria Clara Hebinger, natural de Viena de Áustria. Famoso em vida na sociedade portuguesa, veio a ser quase olvidado nos séculos seguintes.

Embora nascido em Canelas, cedo rumaram os seus pais a Lisboa a fim de participar nos negócios de seus parentes alemães ali instalados. Na capital realizou os seus estudos, durante os quais ficou patente a sua preferência por temas literários e o seu pouco apreço por temas técnicos e económicos. Dedicou a melhor parte das suas energias de juventude às tertúlias com a sociedade literata do seu tempo, em prejuízo da gestão dos negócios familiares. Dotado de uma capacidade de improvisão notável, facilmente se excedia não havendo naquele tempo outeiro, serenata ou função para que não fosse convidado na companhia de Manuel Maria Barbosa du Bocage e outros poetas da Nova Arcádia. Despendeu a segunda metade da sua longa vida na vila de Mira, no distrito de Coimbra, entre 1801 e 1834. Aí exerceu as funções de escrivão do Juízo, câmara e tabelião. Morreu aos 93 anos no dia 26 de Março de 1865, famoso entre os seus contemporâneos letrados, mas afligido por grandes dificuldades económicas. Encontra-se sepultado no jazigo mirense dos Bingre do Amaral, seus descendentes directos.

Fonte: Wikipédia.