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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Drama na cela disciplinar.


DRAMA NA CELA DISCIPLINAR 

A aranha monstruosa está com apepsia: 
Dou-lhe a aprazada mosca sempre a hora habitual, 
Mas não galga o violino como já fazia, 
Solerte, amarela e negro, para a fatal 
Deglutição. E só já reage à terceira 
Fumarada do meu cigarro. Enfim, zangada: 
Não me lembrei ver se aquela insulsa rameira, 
Já tonta, que lhe dei, estaria tocada 
Pelo insecticida de horas antes. Farricoco 
De moscardos a boa vida ou domador 
Falhado, restam-me as paredes e eu — oco 
No cerne — estes fonemas a doer, o calor 
E o frio; a loucura, os janízaros bem pouco 
Amigos, a colite, os versos sem valor... 

António Cardoso 

Leia mais um belo poema e a biografia do autor, aqui: 

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