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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Dois corações.


DOIS CORAÇÕES 

Tu tens um coração dentro da boca 
E tens um coração dentro do peito... 
Dois corações?! Mas, que morena louca! 
Perdão... Tudo que vejo está direito: 

Tudo o que tens de belo está bem feito... 
Somente é pouca a inspiração, é pouca, 
Para cantar teu coração do peito, 
Para pintar teu coração da boca! 

Morena, escuta aqui: não tenho jeito 
De alimentar o amor que se me apouca 
Na voluptuosidade de teu leito. 

Morena, escuta bem: não sejas mouca... 
Quando eu pedir o coração do peito, 
Oh! não me dês o coração da boca! 

Anderson de Araújo Horta 


Anderson de Araújo Horta nasceu em Tombos, Zona da Mata mineira, em 30.11.1906. Estudou na cidade natal, em Leopoldina e em Carangola; diplomou-se, em 1931, pela Academia de Comércio de Juiz de Fora e, em 1937, pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, do Rio de Janeiro. Casou-se em Manhumirim, MG, em 1934, com a poetisa Maria Braga. Pai do poeta Anderson Braga Horta. Sempre advogou. Antes e depois de formado, lecionou (Inglês, Geografia e História) em Carangola, em Goiás — no Liceu Oficial — e no Rio de Janeiro. Foi, em 1945, chamado da antiga Vila Boa de Goiás por Pedro Ludovico para ocupar o cargo de Primeiro-Promotor Público em Goiânia. Em 1947, voltou ao Estado natal, onde continuou advogando. Em 1956, mudou-se, com a família, para o Rio de Janeiro, aí ora advogando, ora lecionando. Em 1964, transferiu-se para Brasília, onde faleceu em 16.6. 1985. Deixou um romance inédito e grande número de poemas, alguns deles publicados em jornais, revistas e antologias. Saiu em 2004, pelas Edições Galo Branco, do Rio de Janeiro, o seu livro de poesia – Invenção do Espanto. 

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br

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