UM CÃO
Um cão
é isto de sermos gente.
Se temos só duas pernas
temos em contrapartida
uma complicação escura
dentro do peito.
Qualquer coisa como
os fundos desconhecidos
da água
só conhecidos
dos náufragos.
Para matar
é preciso uma arma
e para voar
como búzios
precisamos papel e lápis
— e assim viajamos
dentro de vegetais malas de viagens
procurando o destino sufocante
de todas as paragens.
Cruzeiro Seixas
Cruzeiro Seixas, de nome completo, Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas (Amadora, 3 de Dezembro de 1920) é um "homem que pinta" (a designação de pintor aborrece-o e poeta português, militante do movimento artístico surrealismo de meados do século XX.
Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde conheceu Mário Cesariny e com quem frequentou o Grupo Surrealista de Lisboa. Mais tarde, adere ao antigrupo (dissidente) "Os Surrealistas", fundado por Cesariny e a que pertenciam também António Maria Lisboa, Risques Pereira, Pedro Oom, Fernando José Francisco e Mário Henrique Leiria. Em 1950 parte para África, como marinheiro mercante, fixando-se em Angola em 1952, onde no ano seguinte expõe individualmente pela primeira vez em Luanda, regressando a Portugal em 1964.
Para Cruzeiro Seixas, a homossexualidade era "a arma mais terrível contra tudo o que havia à minha volta e com que eu não estava de acordo - chamasse-se ou não fascismo. Era uma atitude de revolta", que utilizava, tal como Cesariny, para escandalizar e provocar a sociedade portuguesa conservadora e religiosa, da época.
Fonte: Wikipédia.
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