BRIÁRIO E CENTÍMANO
Solitário coqueiro miserando,
Que as tormentas não deixam sossegar!
E, de contínuo, as palmas agitando
Pareces um vesânico a imprecar.
Desgraçada palmeira, como e quando
Irão teus pobres dias acabar;
E com eles ou teu destino infando
De cativo da Terra ao pé do Mar ?
Hemos conformes nossos tristes fados.
Tu, germente Briaréu dos vendavais
Eu, Centímano de cem mil cuidados.
Um retorcido aos ventos outonais
Outro com os seus anelos sossobrados...
Nem sei qual de nós dois braceja mais!
Carlos Dias Fernandes
Carlos Augusto Furtado de Mendonça Dias Fernandes, Nasceu em 20 de setembro de
1874, na cidade de Mamanguape, Estado da Paraíba e faleceu em 09 de dezembro de 1942, no
Hospital da Cruz Vermelha, no Rio de Janeiro. Era filho do Dr. Nepomuceno Dias Fernandes e
de D. Maria Augusta Saboia Dias Fernandes. Aprendeu as primeiras letras com a sua mãe,
continuando com os professores Luiz Aprígio e Isaac Ribeiro que lhe ministraram aulas de
Português e Latim. Aos dezesseis anos já tinha lido Os lusíadas bem como
Virgílio e Horácio na língua original . Apesar de Mamanguape se, a esse tempo, um
importante centro de exportação de algodão e da cana-de-açúcar, através do porto de
Salema, Carlos Fernandes não sentia atração pela cidade que , pela falta de
desenvolvimento cultural não lhe oferecia condições para expandir o seu potencial
latente; de espírito aventureiro, aspirava a uma vida menos repressiva e mais alegre o
que faltava ali. Quer ler mais?
Fonte: Academia Paraibana de Letras.
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