BÊBADO
A vista turva, o crânio
atordoado,
Nada o entristece nem
tampouco o encanta.
Tomba, tropeça, cai e
se levanta,
Vai cair mais distante,
do outro lado.
Julga que a bebedeira.
O desgraçado,
Os seus desgostos
trágicos espantam.
Esbraveja, sorri, às
vezes canta,
Talvez algum lampejo do
passado.
Vive, e, não sabe ao
certo se tem alma,
Fogem-lhe os dias, e
ele jamais sente,
Ruir-lhe do vício o
cansaço tão voraz.
Se acaso, o sono, o
cérebro lhe acalma,
Ele após despertar,
pensa somente,
Em ir para a taverna
beber mais.
R.S. Furtado
Visite também:
