SONETO DRAMÁTICO
O Incesto. Drama em 3 atos. Ato primeiro:
Jardim. Velho castelo iluminado ao fundo.
O cavaleiro jura um casto amor profundo,
e a castelã resiste... Um fâmulo matreiro
vem dizer que o barão suspeita o cavaleiro...
ele foge, ela grita... – Apito! – Ato segundo:
um salão do castelo. O barão, iracundo,
sabe de tudo... Horror! Vingança! – Ato terceiro:
em casa do galã, que, sentado, trabalha,
entra o barão armado e diz: “Morre, tirano,
que me roubaste a honra e me roubaste o amor!”
O mancebo descobre o peito. – “Uma medalha!
Quem ta deu?!” – “Minha mãe!” – “Meu filho!” Cai o pano...
À cena o autor! À cena o autor! À cena o autor!
Artur de Azevedo.
Irmão do romancista Aluísio de Azevedo, Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís do Maranhão, em 07 de julho de 1855. Começou a escrever muito cedo, ainda menino, e desde essa ocasião manifestou interesse pelo teatro. Empregado no comércio, ingressou depois no funcionalismo do Maranhão, do qual foi injustamente demitido, diz-se que por se sentirem atingidos por suas “Carapuças” alguns figurões da província. Mudou-se para o Rio de janeiro, onde fez carreira burocrática, de amanuense a diretor-geral, posto no qual sucedeu a Machado de Assis. Militou na imprensa, escreveu e traduziu copiosamente para o palco; importou o gênero “revista”. Fundador da Academia brasileira, faleceu no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1908. Sua morte comoveu os círculos literários porque, depois de tanto labor, não deixara a família ao abrigo da necessidade, e também porque estava em plena produtividade intelectual.
Fonte: “Poesia parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.