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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ao espelho.


AO ESPELHO 

Tu, que não foste belo nem perfeito, 
Ora te vejo (e tu me vês) com tédio 
E vã melancolia, contrafeito, 
Como a um condenado sem remédio. 

Evitas meu olhar inquiridor 
Fugindo, aos meus dois olhos vermelhos, 
Porque já te falece algum valor 
Para enfrentar o tédio dos espelhos. 

Ontem bebeste em demasia, certo, 
Mas não foi, convenhamos, a primeira 
Nem a milésima vez que hás bebido.

Volta portanto a cara, vê de perto 
A cara, tua cara verdadeira, 
Oh Braga envelhecido, envilecido. 

Rubem Braga 


Rubem Braga (Cachoeiro de Itapemirim, 12 de janeiro de 1913 – Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 1990) foi um escritor lembrado como um dos melhores cronistas brasileiros. Era irmão do poeta e jornalista Newton Braga. 

Iniciou-se no jornalismo profissional ainda estudante, aos 15 anos, no Correio do Sul, de Cachoeiro de Itapemirim, fazendo reportagens e assinando crônicas diárias no jornal Diário da Tarde. Formou-se bacharel pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte em 1932, mas não exerceu a profissão. Neste mesmo ano, cobriu a Revolução Constitucionalista deflagrada em São Paulo, na qual chega a ser preso. Transferindo-se para Recife, dirigiu a página de crônicas policiais no Diário de Pernambuco. Nesta cidade, fundou o periódico Folha do Povo. Em 1936 lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho, e fundou em São Paulo a revista Problemas, além de outras. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou como correspondente de guerra junto à F.E.B. (Força Expedicionária Brasileira). 

Rubem Braga fez diversas viagens ao exterior, onde desempenhou função diplomática em Rabat, a capital do Marrocos, atuando também como correspondente de jornais brasileiros. Após seu regresso, exerceu o jornalismo em várias cidades do país, fixando domicílio no Rio de Janeiro, onde escreveu crônicas e críticas literárias para o Jornal Hoje, da Rede Globo de Televisão. Sua vida como jornalista registra a colaboração em inúmeros periódicos, além da participação em várias antologias, entre elas a Antologia dos Poetas Contemporâneos. 

Fonte: Wikipédia. 

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