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quinta-feira, 8 de março de 2012

Declaração.


DECLARAÇÃO 

As aves, como voam livremente 
num voar de desafio! 
Eu te escrevo, meu amor, 
num escrever de libertação. 

Tantas, tantas coisas comigo 
adentro do coração 
que só escrevendo as liberto 
destas grades sem limitação. 
Que não se frustre o sentimento 
de o guardar em segredo 
como liones, correm as águas do rio! 
corram límpidos amores sem medo. 

Ei-lo que to apresento 
puro e simples - o amor 
que vive e cresce ao momento 
em que fecunda cada flor. 

O meu escrever-te é 
realização de cada instante 
germine a semente, e rompa o fruto 
da Mãe-Terra fertilizante. 

António Jacinto 


Leia mais um belo poema e a biografia do autor aqui. 

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Era uma vez.

http://s001.adimg.com/ImgAd/2010/04/15/1060736/acompanhante-mulata-alto-ninvel-vitoria-es_T1.jpg

ERA UMA VEZ

Vôvô Bartolomé, ao sol que se coava da mulembeira
por sobre a entrada da casa de chapa,
enlanguescido em carcomida cadeira
vivia
- relembrando-a -
a história de Teresa mulata

Teresa Mulata!

essa mulata Teresa
tirada lá do sobrado
por um preto d'Ambaca
bem vestido,
bem falante,
escrevendo que nem nos livros!

Teresa Mulata
- alumbramento de muito moço -
pegada por um pobre d'Ambaca
fez passar muitas conversas
andou na boca de donos e donas...

Quê da mulata Teresa?

A história da Teresa mulata...
Hum...
Vôvô Bartolomé enlanguescido em carcomida cadeira adormeceu
o sol coando das mulembeiras veio brincar com as moscas nos
lábios
ressequidos que sorriem
Chiu! Vôvô tá dormindo!
O moço d'Ambaca sonhando...

António Jacinto

http://2.bp.blogspot.com/_qsD2YgTWqY4/SLlUIFYegqI/AAAAAAAACa8/Txoz8m9mbps/s400/antoniojacinto.jpg

António Jacinto do Amaral Martins nasceu no Golungo Alto, Angola, em 28 de Setembro de 1924. Conclui seus estudos licencias em Luanda, passando a trabalhar como funcionário de escritório.

Destacou-se como poeta e contista da geração Mensagem e, como membro do Movimento de Novos Intelectuais de Angola. tendo colaborado com produções suas em diversas publicações nomeadamente "Notícias do Bloqueio", "Itinerário", "O Brado Africano".

Como contista, por vezes, usava o nome literário de Orlando Távora, como também o de Kiaposse.

Por questões políticas foi preso em 1960 sendo desterrado para Campo de do Tarrafal, em Cabo Verde, onde cumpriu pena até 1972, quando foi transferido para Lisboa, em regime de liberdade condicional, por cinco anos, onde exerceu a função de técnico em contabilidade. Em 1973 evadiu-se de Portugal e foi para Brazzaville, onde se juntou à guerrilha do MPLA.

Após a independência de Angola foi co-fundador da União de Escritores Angolanos, e participou activamente na vida política e cultural angolana, sendo Ministro da Cultura de 1975 a 1978.

Ganhou vários prémios, nomeadamente o Prémio Noma, Prémio Lotus da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos e Prémio Nacional de Literatura.
.
Em 1993, o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), instituiu em sua homenagem o “Prémio António Jacinto de Literatura”.

Morreu em 23 de Junho de 1991.


Publicou:
Poemas(1961),
Vovô Bartolomeu (1979),
Poemas (1982, edição aumentada),
Em Kilunje do Golungo (1984),
Sobreviver em Trrafal de Santiago (1985; 2ªed.1999),
Prometeu (1987),
Fábulas de Sanji (1988).


Fontes:
http://betogomes.sites.uol.com.br/AntonioJacinto.htm
http://www.lusofoniapoetica.com/index.php/content/category/6/29/304/
http://bracosaoalto.blogspot.com/
http://www.angoladigital.net/