sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Aqueles Olhos.





AQUELES OLHOS

Ela olhou e passou, graciosa e bela.
Passou... e foi-se para sempre, embora
brilhe em meu coração, desde tal hora,
ditosa, a doce luz dos olhos dela...

Estrela que no azul cintila e mora,
viu-a o Poeta e emocionou-se ao vê-la;
e amou a Estrela doidamente, e a Estrela
fugiu, fulgindo, pelos céus afora...

Desde então, muitos anos já passaram;
talvez haja fechado – a garra adunca
da morte, - os olhos que me deslumbraram...

Neste vale de lágrimas e abrolhos,
viva cem anos, não verei mais nunca
olhos tão lindos como aqueles olhos!

Correia de Araújo


Raimundo Correia de Araújo nasceu na cidade de Pedreiras, aos 29 de maio de 1885 e faleceu em São Luís, aos 24 de agosto de 1951. Foram seus pais o coronel Raimundo Nonato de Araújo e D. Antônia Correia de Araújo. Formou-se em Direito pela Faculdade do Maranhão e foi Lente de São Luís de Sociologia e História Universal no Liceu Maranhense. Diretor da Biblioteca Pública do Estado, cargo em que se aposentou. Jornalista e sobretudo grande poeta, um versejador admirável que enriqueceu a poética brasileira de vozes imorredoiras, de música eterna. Na Academia Maranhense de Letras fundou a Cadeira n.16, escolhendo para patrono Raimundo Correia


Fonte: Academia Maranhense de Letras.

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Infância.

 

INFÂNCIA

e jogava o pião com Deus
enquanto minha mãe estendia roupa
e o meu pai mendigava o pão

e minha alegria nesse tempo
era muito próxima da dos meninos
e de Deus que ganhava sempre

e não sei quem perdi primeiro:
o pião ou Deus
apenas sei que Deus continua
a jogar com outros meninos

e que no Outono quando saio à praça
nos sentamos e falamos muito
do suave rodopiar das folhas

Daniel Faria
Leia mais um belo poema e a biografia do autor aqui:

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Solidão.

 

SOLIDÃO

O rio se entristece sob a ponte.
Substância de homem na torrente escura
flui, enternecimento ou desventura,
misturada ao crepúsculo bifronte.

Antes que débil lume além desponte,
a sombra, que se apressa, desfigura
e apaga o casario em sua alvura
e a curva esquiva e sábia do horizonte.

Os bois fecham nos olhos os arados,
o pasto, a hora que tomba das subidas.
Dorme o ocaso, pastor, entre as ovelhas.

Sobem névoas dos vales fatigados
e das árvores já enoitecidas
pendem silêncios como folhas velhas.

Abgar Renault

 
Leia um belo poema e a biografia do autor aqui:

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sábado, 25 de janeiro de 2014

Soneto.



SONETO

Em 1817 em Pernambuco levantou-se o grito em prol da republica, e, apesar de haver recusado o cargo de conselheiro do governo provisório pela revolução, foi Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva preso, e julgado ter de subir ao cadafalso não sucumbiu, antes resignado e pronto a morrer pela pátria, escreveu em horas de agonia este soneto de altiva inspiração”:

Sagrada emanação da divindade,
Aqui do cadafalso eu te saúdo;
Nem com tormentos nem revezes mudo,
Fui teu votário e sou, ó liberdade.

Pode a vida feroz brutalidade
Arrancar-me em tormento o mais agudo;
Porém zomba do déspota sanhudo
De min'alma a nativa dignidade.

Livre nasci, vivi e livre espero
Encerrar-me na fria sepultura,
Onde império não tem mando severo.

Nem da morte a medonha catadura
Incutir pode horror n'um peito fero,
Que aos fracos somente a morte é dura.

Andrada Machado

 
(1773-1845) Nascido em Santos, Antônio Carlos forma-se em Direito e Filosofia pela Universidade de Coimbra. Ocupa os cargos de juiz de paz, em sua cidade natal; de ouvidor, na comarca de Olinda; e de desembargador, na Relação da Bahia. Defensor da Independência, participa em Pernambuco da Revolução de 1818, ficando por isto preso durante quatro anos em Salvador. Em 1821 elege-se deputado às Cortes de Lisboa, onde luta em vão contra as medidas recolonizadoras. Retirando-se de Portugal, refugia-se na Inglaterra. De lá volta ao Brasil em 1823, sendo eleito deputado à Assembléia Constituinte, na qual assume a presidência e é relator do projeto da Constituição. Após o fechamento da Constituinte, exila-se na França, juntamente com seus irmãos José Bonifácio e Martim Francisco. No mesmo ano casa-se com Ana Josefina de Carvalho, filha de sua irmã Ana Marcelina Ribeiro de Andrada. Reside na França por cinco anos; retorna ao Brasil em 1828 e, após a abdicação de d. Pedro I em 1831, toma parte nas lutas políticas da Regência, participando do movimento restaurador. Em 1838 é eleito deputado geral por São Paulo, sendo um dos artífices da antecipação da maioridade de d. Pedro II. Ocupa a pasta do Império no gabinete de 24 de julho de 1840. Em 1845 elege-se senador por Pernambuco, mas falece, no Rio de Janeiro, antes de exercer o mandato.

Fonte: www.obrabonifacio.com.br

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sonhos.

SONHOS

Sonhos bons, sonhos ruins, pesadelos,
Um misto de passeios nas altas madrugadas,
Independente de nós, tê-los ou não tê-los,
Pois suas causas, na mente já estão gravadas.

Sonho bom? Aconchegue-se! Seja bem-vindo!
Sua visita é sempre por DEUS abençoada.
Quem me dera, fosse interminável, infindo,
Para na felicidade, ter minha vida mergulhada.

Sonho ruim? Passando, procure outra parada!
Sua visita somente me traz más desilusões.
Siga em frente! Não é bem-vinda a sua estada,
Pois farto já estou de tão horrendas emoções.

Pesadelo? Por favor, exclua-me dos seus registros!
Tenha dó dos meus sentimentos, dos meus temores.
Livre-me dos seus maus momentos, tão sinistros,
E de uma vida de horrores, uma vida de pavores.

R.S. Furtado.

Meus queridos amigos!

Depois de um breve descanso, estamos voltando para esse maravilhoso convívio que o mundo virtual nos propicia para dar continuidade ao trabalho que iniciamos há cinco anos atrás, e que, com a graça de DEUS, a compreensão e, principalmente, a colaboração de todos vocês, mantemos até hoje.

Agradeço de coração a atenção e a consideração de todos, prometendo continuar ofertando o melhor possível, não só das baboseiras que escrevo, mas também das obras de terceiros que costumo publicar, assim como retribuir as honrosas visitas e os amáveis comentários de todos que por aqui passaram.

Beijos para todos.

QUE DEUS SEJA LOUVADO!

Rosemildo Sales Furtado
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