segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Uma ausência de mim.



UMA AUSÊNCIA DE MIM

Uma ausência de mim por mim se afirma.
E, partindo de mim, na sombra sobre
chão que não foi meu, na relva simples
outro ser que sonhei se deita e cisma.

Sonhei-o ou me sonhei? Sonhou-me o outro
– e o mundo a circundar-me, o ar, as flores,
os bichos sob o sol, a chuva e tudo
– ou foi o sonho dos demais que sonho?

A epiderme da vida me vestiu,
ou breve imaginar de um ócio inútil
ergueu da sombra a minha carne, ou sou

um casulo de tempo, o centro e o sopro
da cisma do outro ser que de mim fala
e que, sonhando o mundo, em mim se acaba.

Alberto da Costa e Silva 



Quarto ocupante da Cadeira nº 9, eleito em 27 de julho de 2000, na sucessão de Carlos Chagas Filho, e recebido pelo acadêmico Marcos Vinícius Vilaça em 17 de novembro de 2000. recebeu o acadêmico José Mindlin.



Alberto Vasconcellos da Costa e Silva nasceu em São Paulo, em 12 de maio de 1931. Filho do poeta Da Costa e Silva (Antônio Francisco da Costa e Silva) e de Creusa Fontenelle de Vasconcellos da Costa e Silva.



Fez os estudos primários e iniciou o curso secundário no Colégio Farias Brito, em Fortaleza. Em 1943, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou o Externato São José e o Instituto Lafayette. Diplomata pelo... Leia mais aqui:



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6 comentários:

✿ chica disse...

Lindo poema nos trouxeste, Rosemildo! Que tua semana seja linda e que bom se todas as "baboseiras" fossem lindas como o que escreveste por lá no contário! Adorei! abração, ótima semana,chica

SOL da Esteva disse...

Uma boa mostra, Amigo.
Parabéns pela partilha.


Abraço



SOL

Filha do Rei disse...

Maravilhoso poema! Lendo-o chego a conclusão que algumas vezes temos ausência de nós mesmo.
Tenha uma abençoada semana!Bjs

MARILENE disse...

Questionamentos existenciais expostos de forma rica e bela. Gostei muito de sua escolha. Abraço.

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Poema escolhido a dedo, sem metáforas (rsrs...). Muito lindo.
Abraço*

Laura Santos disse...

Lindo, lindo, lindo!
Algo neste poema me faz lembrar a escrita de Fernando Pessoa; esta dualidade do ser que existe e é, e do ser outro que se sonha.
Uma delícia de leitura!
xx

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