terça-feira, 1 de julho de 2014

A aranha.

   
A ARANHA

Num ângulo do teto, ágil e astuta, a aranha
Sobre invisivel tear tecendo a tenue seda,
Arma o artístico ardil em que as moscas apanha
E, insidiosa e subtil, os insectos enleia.

Faz do flúido que flue das entranhas a extranha
E fina trama ideal de seda que a rodeia
E, alargando o aronhol, os élos emaranha
Do alvo disco nupcial, que a luz do sol prateia.

Em flóculos de espuma urde, borda e desenha
O arabesco fatal, onde os palpos apoia
E, tenaz, a caçar os insectos se empenha.

Vive na mata e produz, nessa faina enfadonha;
E, o fascinante olhar a arder como uma joia,
Morre na própria teia, onde trabalha e sonha.

Da Costa e Silva
 

Antonio Francisco da Costa e Silva nasceu em Amarante, Estado do Piauí. Advogado. Sangue é seu livro de estráia na poesia, em 1908. Sua obra estraordinária oscilou entre o parnasianismo e o simbolismo mas sempre com um estilo próprio e inconfundível. Leia mais aqui:

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5 comentários:

✿ chica disse...

Olhei bem rápido a foto e li quase correndo,rs MOOOOOOrro de medo dessa bichinha,tenho trauma! abração,tudo de bom,chica

Andradarte disse...

Há que dar lugar a um pouco de diversão.pois o
trabalho mata......
Abraço

Mariazita disse...

Olá, Rosemildo
Não gosto nada de aranhas, e se forem dum certo tamanho... aí vira pavor, mesmo. Fico toda arrepiada só de as ver.
Mas achei o poema magnífico, muito bem construído em todos os pormenores.
Conheço muito mal o autor - Da Costa e Silva - embora não me seja totalmente estranho.

Dias felizes.
Beijinhos

ReltiH disse...

SIEMPRE NOS COMPARTES EXCELENTES POEMAS. GRACIAS.
UN ABRAZO

Dorli disse...

Oi Rosemildo,
Eu não tenho medo de aranhas comuns, só daquelas pretas cabeludas.Ai!
Mas a poesia é linda como é lindo o trabalho das aranhas.
Uma linda noite
Beijos
Lua Sigular

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