sábado, 25 de janeiro de 2014

Soneto.



SONETO

Em 1817 em Pernambuco levantou-se o grito em prol da republica, e, apesar de haver recusado o cargo de conselheiro do governo provisório pela revolução, foi Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva preso, e julgado ter de subir ao cadafalso não sucumbiu, antes resignado e pronto a morrer pela pátria, escreveu em horas de agonia este soneto de altiva inspiração”:

Sagrada emanação da divindade,
Aqui do cadafalso eu te saúdo;
Nem com tormentos nem revezes mudo,
Fui teu votário e sou, ó liberdade.

Pode a vida feroz brutalidade
Arrancar-me em tormento o mais agudo;
Porém zomba do déspota sanhudo
De min'alma a nativa dignidade.

Livre nasci, vivi e livre espero
Encerrar-me na fria sepultura,
Onde império não tem mando severo.

Nem da morte a medonha catadura
Incutir pode horror n'um peito fero,
Que aos fracos somente a morte é dura.

Andrada Machado

 
(1773-1845) Nascido em Santos, Antônio Carlos forma-se em Direito e Filosofia pela Universidade de Coimbra. Ocupa os cargos de juiz de paz, em sua cidade natal; de ouvidor, na comarca de Olinda; e de desembargador, na Relação da Bahia. Defensor da Independência, participa em Pernambuco da Revolução de 1818, ficando por isto preso durante quatro anos em Salvador. Em 1821 elege-se deputado às Cortes de Lisboa, onde luta em vão contra as medidas recolonizadoras. Retirando-se de Portugal, refugia-se na Inglaterra. De lá volta ao Brasil em 1823, sendo eleito deputado à Assembléia Constituinte, na qual assume a presidência e é relator do projeto da Constituição. Após o fechamento da Constituinte, exila-se na França, juntamente com seus irmãos José Bonifácio e Martim Francisco. No mesmo ano casa-se com Ana Josefina de Carvalho, filha de sua irmã Ana Marcelina Ribeiro de Andrada. Reside na França por cinco anos; retorna ao Brasil em 1828 e, após a abdicação de d. Pedro I em 1831, toma parte nas lutas políticas da Regência, participando do movimento restaurador. Em 1838 é eleito deputado geral por São Paulo, sendo um dos artífices da antecipação da maioridade de d. Pedro II. Ocupa a pasta do Império no gabinete de 24 de julho de 1840. Em 1845 elege-se senador por Pernambuco, mas falece, no Rio de Janeiro, antes de exercer o mandato.

Fonte: www.obrabonifacio.com.br

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7 comentários:

✿ chica disse...

Lindo soneto e ,se não erro, é novo por aqui esse autor.abração praiano,chica

Mary disse...

Oi meu querido!

Obrigada pela visita,tudo bem né?

Olha, lindo soneto do
Andrada Machado.

Bjos e excelente fds pra ti!

Daniel Costa disse...

Caro Rosemildo, Como aprecio muito fatos históricos. História em si, é sempre um prazer ler-te. Trazes sempre assuntos de suma importância.
Abraço

Carla Fernanda disse...

Muito lindo, forte e honrado poema amigo Rosemildo!!

Beijos

Zilani Célia disse...

OI ROSEMILDO!
INTERESSANTE!
É A NOSSA HISTÓRIA BRASILEIRA,QUE NOS CHEGA, RICA, NOS REVELANDO PERSONALIDADES QUE NÃO CONHECÍAMOS.
MUITO BONITO O POEMA, SENTE-SE QUE É DE ALGUÉM EM MOMENTO DE SOFRIMENTO, LINDO DEMAIS.
PARABÉNS PELO POST.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Gilberto Cantu disse...

Olá Rosemildo.
Primeiramente agradecer as carinhosas palavras em seu comentário.
Hoje carecemos de líderes sociais. O que está sobrando são baderneiros que se escondem nos movimentos legais. Acredito que isso seja armação política (esperem a aproximação da copa). Acho que a coisa vai ficar feia.
Antonio Carlos exemplo de líder em seu tempo.
Vou publicar uma notícia em meu blog. Dá uma olhadinha. O que achas?
Prazer em tê-lo como seguidor do meu humilde cantinho.
Volte sempre.
Um grande abraço.

Lau Milesi disse...

Bela escolha, Furtado! Intenso soneto!
Assim como seu leitor acima, aprecio também fatos históricos. Impressionante, como filósofos , depois de Aristóteles com " A Poética", passaram a abordar a arte literária. Adorei seu post!!!

Um beijo, amigo, e parabéns por seu capricho e sua preocupação em oferecer obras inéditas aos seus leitores.

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