sábado, 28 de setembro de 2013

Saudades do Corgo.



SAUDADES DO CORGO

Murmúrio de água na Terra da Purina,
Lembra a voz da montanha o meu amor.
Oh água em quebra voz”sou teu, és minha”!
Rescende em mim a madressilva em flor.

– Suas palavras dão perfume ao vento,
– Seus Olhos pedem o maior sigilo...
Sóror amando às grades de um convento,
Ó Sóror dum romance de Camilo!

De longe e ausente ao seu perfil do Norte,
Evoco em sonho as Terras do luar,
– Fragas do Corgo em medievo corte!

À Lua e o Sol para a servir e amar,
Quando a ausência vem – quem a suporte!
As saudades são o meu falar.

Afonso Duarte
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O jangadeiro.

O JANGADEIRO


jangadas amarelas, azuis, brancas,
logo invadem o verde mar bravio,
o mesmo que Iracema, em arrepio,
sentiu banhar de sonho as suas ancas.
Que importa a lenda, ao longe, na história,
se elas cruzam, ligeiras, nesse instante,
o horizonte esticado da memória,
tornando o que se vê muito incessante?
As velas vão e voltam, incontidas,
sobre as ondas (do tempo). O jangadeiro
repete antigos gestos de outras vidas
feitas de sal e sonho verdadeiro.
Qual Ulisses, buscando, repentino,
a sua ilha, o seu rosto e o seu destino.

Adriano Espínola

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Aniversário da plantinha.



ANIVERSÁRIO DA PLANTINHA

Nove meses antes de um lindo dia, de repente,
Em momentos de amor, de verdadeira paixão.
Num santo ventre, foi plantada uma semente,
Tão desejada e esperada, com ternura e emoção.
Os cuidados então surgiram, logo, prontamente,
E não lhe era desviado um segundo de atenção.

Salve 23 de setembro! Salve! O lindo dia chegou,
Trazendo a primavera, a mais bela das estações.
E, diante de tanta beleza, a semente então germinou,
Irradiando felicidade e alegrando os corações.
Pois a plantinha tão sonhada, da sementinha brotou
Para uma vida de muitas lutas e muitas realizações

Ao passar o tempo, a plantinha foi crescendo,
Cercada de muito zelo, de muito amor e carinho.
A cada batalha surgida, uma à uma, foi vencendo,
Pois, nas adversidades, sempre dava um jeitinho.
Com o seu saudoso pai, o poetar foi aprendendo,
Para postar na blogosfera, divulgar no seu cantinho.

Setenta e um anos se passaram, e ela tão somente,
Segue seu caminho, como DEUS quer e consente,
Se fazendo de poeta, utilizando rimas grosseiras.
Por algumas razões, às vezes se torna ausente,
Depois de certo tempo, retorna e se faz presente,
E tenta iludir a todos, escrevendo baboseiras.

MEUS QUERIDOS AMIGOS

Hoje é um dia muito especial para mim e para dois dos meus filhos, pois foi exatamente nesta data que ao chegar aqui no Brasil, a primavera trouxe-nos em suas bagagens. Eu, em 1942, Rosemildo Filho, em 1970 e Rosenildo em 1976.

Aproveito a oportunidade para levantar as mãos para os céus e, em meu nome e em nome deles, agradecer ao nosso bom DEUS por não ser uma quimera, mas sim, estarmos vivendo mais uma primavera.

Beijos com muito carinho para todos.

QUE DEUS SEJA LOUVADO!

Rosemildo Sales Furtado

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sábado, 21 de setembro de 2013

Soneto da última estação.


SONETO DA ÚLTIMA ESTAÇÃO
 
Esta que vem do mar por entre os ventos,
Sacudindo as espumas dos cabelos,
Vem molhada de azul nos pensamentos,
Seu corpo oculta a ilha dos segredos.

Vem e dança ao andar sobre as areias
Úmidas sob os passos e os desejos,
Onde as ancas são ondas em cadeias
Infinitas de luz contra os espelhos.

Nem precisa de flor nem de perfume,
Ela é a própria essência do ciúme,
Feita de mito e se fazendo estrela.

Vem – dança – e passa aos fogos do verão
– Fantasia da última estação.
Explodiu na vertigem da beleza.
 
Adelmo Oliveira
Adelmo José de Oliveira nasceu em 13 de maio de 1934, na cidade de Itabuna, na Bahia. Em 1962, sob um júri formado por nomes de expressão da literatura brasileira, como Manuel Bandeira, Austregésilo de Athayde, José Carlos Lisboa e Pio de Los Casares, recebeu o Prêmio Nacional Luis de Góngora com ensaio “Góngora e o Sofrimento da Linguagem”. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, 1966, participou do Movimento Cultural baiano escrevendo estudos, ensaios e poesias para os principais jornais e revistas de Salvador.
 

Publicou entre outros títulos: Canto da Hora Indefinida, 1960; Três Poemas, 1966; O Som dos Cavalos Selvagens, 1971; Cântico Para o Deus dos Ventos e das Águas, 1987; Espelho das Horas, 1991; O Canto Mínimo, 2000, (Antologia Poética) Poemas da Vertigem, 2005. Participou de várias Antologias Poéticas editadas na Bahia, no Sul do País e no Exterior. Exerceu atividade política contra a Ditadura Militar, sendo preso por duas vezes e torturado. Foi eleito Deputado Estadual à Assembléia Legislativa do Estado da Bahia pelo antigo MDB em 1978.


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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Refletindo-a...



REFLETINDO-A...
 
Noite. Só. Fatigado da leitura,
- Único arrimo em que meu ser discreto
Entre os grandes espíritos procura
Consolação para seu mal secreto.
 
Dormem todos no lar. Fora, murmura
Mais soturno e sonoro no luar quieto
O rio, satisfeito da ternura
Branca da lua, lírica de afeto.
 
Meu pensamento, trêmulo de mágoa,
Ouvindo o rio, tomo a fórmula da água,
- De um curso d'água intimamente frio...
 
E em pleno curso de meu pensamento
Lívido, largo, langue, longo, lento
Lá vais rolando, Lua do meu rio...

Pereira da Silva



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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Adjetivado.



ADJETIVADO

Para este teu orgulho brutegrado,
Que dá-te esta aparência zelifrina.
Eu tenho o meu poder iscanzigrado,
E minha indiferença tevroprina.

Com este teu desdém quecalibrado,
Que tu levas na vida mesifrina.
Somente em teu viver legratofrado,
Colherás ironia quitoprina.

Não te iludas não sou um trasterito,
Que se curva ao teu ódio apristoprinho,
Que nota em teu olhar retrocabrito.

Pois se eu quiser num dia siluplano,
Vencerei teu orgulho quetofrinho,
Apenas com um beijo zetrofeno.  

R.S. Furtado 

Este soneto está sendo republicado, pois foi postado no dia 10 de agosto de 2009.

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sábado, 14 de setembro de 2013

"Abandono vigiado."



“ABANDONO VIGIADO”

Ler O'Neill
Aqui na prisão,
É como cuspir na cara dum burguês
(Francês, português ou angolês,
Tanto fez ou faz...)
Empanturrado de consideração...
Portanto, meu rapaz,
Desculpa a sem cerimónia,
E puxa-me da cachimónia,
O sumo de limão
Do verso que te apraz...

António Cardoso

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A uma ausência.



A UMA AUSÊNCIA

Sinto-me sem sentir todo abrasado
No rigoroso fogo, que me alenta,
O mal, que me consome, me sustenta,
O bem, que me entretém, me dá cuidado:

Ando sem me mover, falo calado,
O que mais perto vejo, se me ausenta,
E o que estou sem ver, mais me atormenta,
Alegro-me de ver-me atormentado:

Choro no mesmo ponto, em que me rio,
No mor risco me anima a confiança,
Do que menos se espera estou mais certo:

Mas se de confiado desconfio,
É porque entre os receios da mudança
Ando perdido em mim, como em deserto

António Barbosa Bacelar
António Barbosa Bacelar (1610-1663) nasceu em Lisboa de uma família remediada, frequentando o Colégio de Santo Antão e indo depois estudar Direito para Coimbra. Tendo-se dedicado à magistratura, foi corregedor em Castelo Branco, provedor em Évora, desembargador no Porto e magistrado na Casa da Suplicação em Lisboa. A par do trabalho no âmbito da justiça, dedicou-se à escrita, nomeadamente à historiografia e à poesia. Dentro da historiografia, escreveu a Relação Diária do Sítio e Tomada da Forte Praça do Recife, publicada em Lisboa em 1654, a Relação da Vitória que Alcançaram as Armas do Muito Alto e Poderoso Rei D. Afonso VI, em 14 de Janeiro de 1609, Uma e Outra Fortuna do Marquês de Montalvor, D. João de Mascarenhas e a Vida de D. Francisco de Almeida. A sua obra poética está essencialmente publicada na Fénix Renascida.

 
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terça-feira, 10 de setembro de 2013

A luz do teu olhar.


A LUZ DO TEU OLHAR

A lua faceira e distante
Não pode se orgulhar
No seu andar errante
Não brilha como o teu olhar

Nem as estrelas vaidosas
Que ficam sempre a brilhar
– todas elas presunçosas
Não brilham como o teu olhar

Nem as pedras preciosas
Nem as conchinhas do mar
Podem ser tão valiosas
Como a luz do teu olhar

Teu olhar é tão profundo
Mais que luzes a cintilar
Não há nada neste mundo
Como a luz do teu olhar.

João Batista 



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domingo, 8 de setembro de 2013

Púrpuras.


PÚRPURAS

Na púrpura do verso o ouro do Sonho ardente,
Fio a fio, teci. Era manhã! Radiava
Em pleno azul o meu belo sol adolescente.
E o meu Sonho, a essa luz, resplendia e cantava.

Como a enrediça, a vida, indomada e ascendente,
Por minha mocidade em mil voltas serpeava.
E tudo, no esplendor de um mundo renascente,
Sonoro, multicor, multímodo, vibrava.

Musa, que não gemeu flébil, magoada e langue:
Vivaz, tonto de luz, salte o primeiro verso.
Ao primeiro rebate estuoso do meu sangue.

Ó selvas tropicais! Ó sonoras luxúrias!
Mundo excelso do Sonho, esvoaçando, disperso,
No incontentado ardor dessas rimas purpúreas!

Arthur de Salles

Arthur Gonçalves de Sales foi poeta, tradutor e escritor brasileiro, filho de Sinto Aquino Rego e Maria Eufrosina de Aragão Sales. Nasceu a 7 de Março de 1879 no bairro do Pilar, na Cidade Baixa de Salvador. A água do mar chegava próxima à porta de sua casa. Morava bem próximo ao Cais Dourado, onde havia muitos estivadores, comerciantes e aconteciam sambas-de-roda e rodas de capoeira. Essas primeiras impressões marcariam-no profundamente. Elabora seus primeiros versos aos treze anos e suas poesias são publicadas pela primeira vez em 1901 por diversas revistas de Salvador.

Em 1905 forma-se pela Escola Normal da Bahia.

Arthur de Salles foi Imortal da Academia Baiana de Letras, ocupando ali a Cadeira de número 3, que ocupou até sua morte, em 1952, sendo sucedido por Eloywaldo Chagas de Oliveira.

Em 1908 é nomeado bibliotecário da Escola Agrícola da Bahia, situada na vila de São Francisco do Conde. Publica seus poemas em diversas revistas da Bahia. Por essa época, participa dos serões, dos recitais de poesia na casa de seu tio Martinho Gonçalves de Salles Brasil, ao lado de seu pai, Severiano, da poetisa Amélia Rodrigues, dos Balthazar da Silveira, dos Mangabeira etc.

A Revolução de 1930 fechou os Aprendizados e fez com que o poeta caísse em disponibilidade não-remunerada. Em 1935 é nomeado para o mesmo cargo de professor adjunto, para o Aprendizado de Quissamã, Sergipe. Enquanto estava em disponibilidade, foi ensinar no Instituto Baiano de Ensino de seus antigos condiscípulos Hugo e Giraldo Balthazar da Silveira. Lecionou português, francês e história.

Fonte: Wikipédia.

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

"Ser"


"SER"
Dizer simplesmente eu 'SOU', não significa realmente 'SER'. O 'SER' é o produto resultante das ações, ou seja, é criado em conformidade com as formas de proceder.”
R.S. Furtado
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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Estela e Nise.



ESTELA E NISE

Eu vi a linda Estela, e namorado
Fiz logo eterno voto de querê-la;
Mas vi depois a Nise, e é tão bela,
Que merece igualmente o meu cuidado.

A qual escolherei, se neste estado
Não posso distinguir Nice d'Estela?
Se Nise vir aqui, morro por ela;
Se Estela agora vir , fico abrasado.

Mas, ah! Que aquela me despreza amante,
Pois sabe que estou preso em outros braços,
E esta não me quer por inconstante.

Vem, Cupido, soltar-me desses laços,
Ou faz de dois semblantes um semblante,
Ou divide o meu peito em dois pedaços!

Alvarenga Peixoto 
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