sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Soneto do Estranho.




 SONETO DO ESTRANHO
A geometria de Euclides me ampara,
mas a de Einstein é que me põe perplexo:
me exibo em versos côncavos-convexos,
minha rosa de rima é curva e clara.
A cicatriz da mágoa tem reflexos
ou se propõe na angústia que não pára.
A flor do lodo, flor do asfalto enfara
se a lésbica mulher mudar de sexo.
O que não muda é o homem (ser estranho)
o ser recente excelso de um rebanho
que ainda em hordas ríspidas resiste.
A minha rosa é côncava-convexa,
agora o que não sei nesta conversa
é o que Einstein e Euclides tem com isto.
Altino Caixeta de Castro
 Nasceu em Patos de Minas (MG), no dia 04 de agosto de 1916, e ali faleceu em 28 de junho de 1995. Conhecido, literariamente, como Leão de Formosa. Mudou-se para Brasília em 1970. Diplomado em Farmácia e em Bioquímica. Pertenceu a Academia Mineira de Letras.
Filho de Leão Theotonio de Castro e Júlia Fernandes Caixeta. Casado com Alfa Amorim de Castro em 30 de maio de 1952 com quem teve os filhos Ronaldo, Rosangela e Rossele.
As primeiras letras na Fazenda Campo da Onça. Curso ginasial no “Ginásio D. Lustosa”, em Patrocínio. Diplomou-se Farmacêutico Bioquímico pela Escola de Odontologia e Farmácia da Universidade de Minas Gerais. Tendo sido o Orador da turma. Redator de “O Ideal”, jornalzinho do ginásio onde publicou os seus primeiros poemas parnasianos simbolistas, já com a marca de seu lirismo persistente. Leia mais aqui:
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Nos tempos de outrora.



NOS TEMPOS DE OUTRORA

Se eu soubesse onde estás agora,
Juro-te, sairia sem atentar pra hora,
Correndo como louco, ao teu almejado encontro.
Te abraçaria e beijaria como antigamente,
Afogaria esta dor, imensa e persistente,
E dizimaria este meu terrível pranto.

E a saudade que me invade a todo o momento,
E que faz da minha vida um eterno tormento,
Mesmo assim, ameniza minha desilusão.
De jamais algum dia, eu ter-te de volta,
Seja sonho ou não, pra mim pouco importa,
O que importa é o alento pro meu coração.

Recordar os instantes juntinhos de ti,
E os prazeres do amor que contigo senti,
É tudo que quero, meu ser implora.
Pelos teus carinhos, beijos, devaneios,
Quando atendias todos os meus anseios,
Nos idos, passados, nos tempos de outrora.

R.S. Furtado.

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domingo, 25 de agosto de 2013

No Banho.


 NO BANHO

   Ninfas do bosque, Naiades formosas,
Sátiros, Faunos, vinde vê-la agora,
Nua, no banho, esta ideal senhora,
Que em beleza e frescura excede as rosas.

Vinde todos depressa!... Ei-la que cora,
Ei-la que solta as tranças graciosas
Sobre as espáduas níveas, capitosas...
Ei-la que treme à loura luz da aurora...

Tinge-se o céu de cores purpurinas,
O sol desponta; as tímidas boninas
Mostram à luz os cálices dourados.

Vêde-as, Ninfas, agora: os nacarados
Lábios, os seios túmidos, nevaeiados,
Segredam coisas ideais, divinas.

Adolfo Caminha
Leia a biografia e mais um belo soneto do autor aqui:

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Espelho.


  ESPELHO

Para fechar sem chave a minha sina
Clara inversão da jaula das palavras
As vestes da sintaxe que componho
De baixo para cima é que renovo.

Escancarando um solo transmutado
Para o sol da surpresa nas janelas
Ao mesmo pouso de ave renascida
Do fim regresso fera não domada.

Na duração que ocorre nessa arena
Lambendo vem pressa em que me aposto.
Nessa voragem, vaga um mar de calma

Que me alimenta os ossos da memória.
Sobrada sobra, cinza dos minutos,
O que sobrou de mim são essas sombras.

Aníbal Beça

Leia mais um belo soneto e a biografia do autor aqui:

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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Soneto.



 SONETO

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento.

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.

Ângelo de Lima


Ângelo de Lima nasceu no Porto no dia 30 de Julho de 1872. Filho do poeta Pedro de Lima, começou a frequentar aos 10 anos de idade o Colégio Militar (Lisboa). Expulso do Colégio Militar, regressou ao Porto em 1888 onde se inscreveu na Academia das Belas Artes. Enviado para Moçambique em 1891, viria a regressar a Portugal no ano seguinte. Por esta altura começou a denunciar os primeiros indícios de loucura. Foi internado no Hospital do Conde de Ferreira em 1894, sendo mais tarde recolhido no hospício dos Irmãos de S. João de Deus e, finalmente, em 1901, no Hospital Rilhafoles. Os seus primeiros poemas foram publicados em 1915 no segundo número da revista Orpheu. Morreu em 1921.



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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Em busca da panela de ouro.


          

  






EM BUSCA DA PANELA DE OURO

Meu amigo, onde vais com tanta pressa, 
correndo, trabalhando como um mouro
O que é que você tem com isso? Homessa
Eu vou em busca da panela de ouro... 
 
Eu peço-te perdão. Não interessa
tanto esforço à procura de um tesouro. 
Na tua idade a vida mal começa... 
Tu não passas, menino, de um calouro! 
 
E agora, transcorridos tantos anos, 
inda estamos correndo, — eu e ela, — 
tendo nas mãos um turbilhão de planos! 
 
Mas eu tenho pensado, minha bela, 
que nós sete, — uma turma de ciganos, — 
sempre vivemos dentro da panela!

Anderson de Araújo Horta 
 

Nasceu em Tombos, Zona da Mata mineira, em 30 de novembro de 1906. estudou na cidade natal, em Leopoldina e em Carangola; diplomou-se, em 1931, pela Academia de Comércio de Juiz de Fora e, em 1937, pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, do Rio de Janeiro. Casou-se em Manhumirim, Minas Gerais, em 1934, com a poetisa Maria Braga. Pai do poeta Anderson Braga Horta.

Sempre advogou. Antes e depois de formado, lecionou (Inglês, Geografia e História) em Vila Boa de Goiás – no Liceu Oficial – e no Rio de Janeiro. Foi em 1945, chamado da antiga Vila Boa de Goiás por Pedro Ludovico para ocupar o cargo de Primeiro-Promotor Público em Goiânia. Em 1947, voltou ao Estado natal, onde continuou advogando. Em 1956, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, aí, ora advogando, ora lecionando. Em 1964, transferiu-se para Brasília, onde faleceu em 16 de junho de 1985. Deixou um romance inédito e grande número de poemas, alguns deles publicados em jornais, revistas e antologias. Saiu em 2004, pelas Edições Galo Branco, do Rio de Janeiro, o seu livro de poesia – Invenção do Espanto.

Fonte:www.antoniomiranda.com.br

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sábado, 17 de agosto de 2013

O Bambu.


O BAMBU

Exposto ao dia, à noite, à beira da lagoa,
Onde se miram, rindo, as boninas do prado,
Vive um velho bambu, velho, curso e delgado,
A escutar a canção que o triste vento entoa...

Jamais os leves pés de um trovador alado,
Desses que pela mata andam cantando à toa,
Pousara-lhe num ramo! Apenas o povoa
Alta noite, agourento, um corujão rajado...

E vive, – arcaico monge a gemer solitário, –
A sua dor sem fim, o seu viver mortuário,
Tristonho a refletir no fundo azul das águas...

Como bambu da mata, exposto ao sol e ao vento,
Do deserto sem fim de meu padecimento,
Triste nos olhos teus reflito as minhas mágoas!...

Alcides Freitas
Alcides Freitas nasceu em Teresina, em 04 de julho de 1890. Estudou no Liceu Piauiense, cursou Humanidades e, terminado o curso, em 1906, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia. Na defesa da tese de doutorado, na área de Fisiopsicopatologia, produziu um texto – Da Lágrima – que já revelava o grande poeta que existia dentro de si, pois era muito mais afim à literatura do que à ciência. A tese foi publicada em 1912, o mesmo ano da edição do livro Alexandrinos, escrito em parceria com o irmão Lucídio Freitas.

Publicado em outubro de 1912, o livro Alexandrinos mereceu elogios de críticos de renome nacional, como Osório Duque Estrada, autor do Hino Nacional Brasileiro, José Veríssimo, Clóvis Beviláqua e Laudemiro de Menezes. Também os piauienses, como Zito Baptista, Antônio Chaves, Abdias Neves e Cristino Castelo Branco, aplaudiram a obra de estreia do poeta.

Conta a professora Socorro Rios Magalhães que antes mesmo do lançamento do primeiro livro, os jovens poetas Alcides Freitas e Lucídio Freitas já gozavam de grande prestígio entre os conterrâneos. “A par do pendor pelas letras, demonstrado desde a infância, e dos estudos superiores feitos fora do estado, eram ainda filhos de Clodoaldo Freitas, naquele tempo já uma legenda no meio intelectual e político do Piauí”, destaca a professora.

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br

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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Maldita Ilusão.


MALDITA ILUSÃO

Eu queria poder voltar a ter o teu amor de verdade,
Reviver toda àquela nossa louca paixão.
Acabar de uma vez com essa angústia, essa saudade,
Que machuca, maltrata, dilacera o meu coração.

Sinto falta das noites que juntinhos passamos,
Sentindo a brisa do mar, sob os raios do luar.
Como dois sedentos; alucinados nos amamos,
Como animais, sem pudor, para a sede saciar.

Se por acaso voltares pra mim, que felicidade,
Darás um fim na minha amarga e triste solidão.
Mas, não sei se por pirraça, ou mesmo por maldade,
Continuas firme, insistes em dizer que não.

Até quando não sei, permanecerá essa ansiedade,
Nem tampouco, essa minha espera em vão.
Quem sabe, um dia, eu desperte para a realidade,
E elimine definitivamente essa maldita ilusão.

R.S. Furtado.

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Duas Almas.


 DUAS ALMAS

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

Alceu Wamosy  
Nasceu em Uruguaiana (RS), em 14/02/1895; e faleceu em Livramento (RS), em 13/09/1923. Publicou seu primeiro livro de poesia, Flâmulas, em 1913. Na época já trabalhava como colaborador no jornal A Cidade, fundado por seu pai, em Alegrete (RS). A partir de 1917, tornou-se proprietário do jornal O Republicano, apoiando o Partido Republicano. Continuou colaborando para diversos periódicos, como os jornais A Notícia, A Federação, O Diário e a revista A Máscara.

Alfares republicano, lutou na Revolução Federalista, combatendo em Santa Maria Chica, Pontes do Ibirapuitá e Ponche Verde, onde foi ferido — ferimento este que provocaria a sua morte. Publicou as obras poéticas Na Terra Virgem (1914) e Coroa de Sonho (1923).

Postumamente foram publicados Poesias Completas (1925), pela editora Globo, e Poesia Completa (1994), em Porto Alegre, na “Coleção Memória”, da EDIPURCS. Poeta simbolista, Alceu Wamosy escreveu poemas cheios de desencanto, em uma produção que se destacou no sul do país e que é uma das obras mais significativas do Simbolismo brasileiro, sendo o seu soneto “Duas Almas” um dos mais belos produzido em língua portuguesa.
 
Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br 

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sábado, 10 de agosto de 2013

A Virgem.


A VIRGEM
 
A onda desmaia, na beira da praia,
As rendas da saia da virgem beijou;
O anjo vagueia, pisando n'areia,
Nem mesmo receia do mar que a molhou.
 
 
Brincava, brincava, as conchas guardava
No seio que arfava no brinco infantil;
A nívea botina, de forma tão fina,
Gentil, pequenina, pisava sutil.
 
 
Na areia macia, que o vento movia,
A virgem escrevia, escrevia cismando;
Do astro do dia a luz imergia,
Na onda bravia do mar espumando.
 
 
Um vulto elegante, da praia distante,
Navega constante, cantando ao luar;
-Meu barco tem vela e a noite é tão bela
Donzela! Donzela! Voemos ao mar.
  
Afonso Cláudio
     

Afonso Cláudio de Freitas Rosa nasceu em Mangaraí, município de Santa Leopoldina, no Estado do Espírito Santo, no dia 02/08/1859. Os primeiros estudos foram feitos entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, respectivamente no Colégio das Neves e Ateneu Provincial. O curso superior o dividiu entre a Faculdade de Direito do Recife-PE, e de São Paulo, mas se formou na capital pernambucana em 1883. O contato com Sílvio Romero, Tobias Barreto e Clóvis Bevilácqua definiram o seu destino de escritor e pesquisador. Segundo Guilherme dos Santos Neves, ninguém, antes dele, focalizou o folclore capixaba com aquele "quê" científico e sério aprendido através das lições de seu colega e amigo Sílvio Romero e de seu mestre Tobias Barreto, Interessado também pela política, uma de suas bandeiras foi o movimento republicano, que compartilhou com jovens jornalistas e escritores através de campanhas pela imprensa. Vitorioso o movimento, República proclamada, Afonso Cláudio foi escolhido o primeiro governador do Estado, cuja posse se deu no dia 20/11/1889. Foi membro fundador da Academia Espírito-santense de Letras, onde ocupou a cadeira n. 01 , cujo patrono é Marcelino Pinto Ribeiro Duarte ( padre). Jurisconsulto, professor de Direito, Historiador, Conferencista, Poeta, foi uma das mais ilustres personalidades de sua época. Deixou vários livros e estudos sobre Direito, História, Literatura, Filosofia, Folclore. Magistrado, presidiu o Tribunal de Justiça. Pertencia ao Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. A Prefeitura Municipal de Vitória, em sua homenagem, deu seu nome a uma rua do bairro Praia do Canto. Faleceu no Rio de Janeiro, em 16/06/1934.


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