terça-feira, 30 de julho de 2013

Átomo.


 

ÁTOMO

Vi uma criança
Dobrar-se inocente
Sob o peso da bomba.
Vi o átomo
Desagregar-se em morte
E cobrir em cogumelo
A Humanidade,
E lágrimas de sangue
Ergueram-se
Em ogiva
Sobre o deserto,
E lá longe,
Uma pomba branca
Que sobreviveu
Sem arca e sem Noé
Chorou a loucura do Homem. 

Agnelo Regalla 


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domingo, 28 de julho de 2013

Cleópatra.


   CLEÓPATRA
  
Sob o pálio de um céu broslado de cambiantes,   
a galera real, de tírias velas têsas,
avança rio a dentro, arfando de riquezas,
cheia de um resplendor de pedras coruscantes.        

Sob um dossel de bisso, entre espirais ebriantes
de incenso, a escultural princesa das princesas
cisma... Remos de prata, à flor das correntezas,
deixam móbeis jardins de bolhas trepidantes...

Soluçam harpas d'oiro às mãos de ancilas belas;
branda aragem enfuna a púrpura das velas
e à tona da água alveja um espumoso friso.

E a Náiade do Egito, ao ver a frota ingente
de Marco Antônio, ri, levando unicamente
contra as lanças de Roma a graça de um sorriso...

Gustavo Teixeira 



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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Vingativamente.





VINGATIVAMENTE

Durante aquele, amor pura loucura,
Que me consagraste fervorosamente.
Tu recusaste desdenhosamente,
Minhas cartas de amor, a antiga jura.

Cedo, porém, perdeste a formosura,
Resiste o orgulho fragorosamente.
É em balde que, com teu riso aparente,
Disfarçar queiras tua desventura.

Quando se esfuma a última esperança,
A triste realidade se descobre,
A ilusão foge e o desengano avança.

Hoje, um olhar se quer não te suplico,
Já de orgulho e desdém ficaste pobre,
De indiferença estou ficando rico.

R.S. Furtado

terça-feira, 23 de julho de 2013

Pernoitas em mim.



 

PERNOITAS EM MIM

pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer
pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas
é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves
já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes

Al Berto

Poeta e editor português, de nome completo Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu a 11 de janeiro de 1948, em Coimbra, e faleceu a 13 de junho de 1997, em Lisboa. Tendo vivido até à adolescência em Sines, exilou-se, entre 1967 e 1975, em Bruxelas, dedicando-se, entre outras atividades, ao estudo de Belas-Artes. Publicou o primeiro livro dois anos depois de regressar à Portugal. Em mais de vinte anos de atividade literária, a expressão poética assumida por Al Berto, o pseudônimo do autor, distingue-se de qualquer outra experiência contemporânea pela agressividade (lexical, metafórica, da construção do discurso) com que responde à disforia que cerca todos os passos do homem num universo que lhe é hostil. Leia mais aqui:

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domingo, 21 de julho de 2013

Olhos que apalpam.



OLHOS QUE APALPAM

Tímida, com seu ar de tapuia do mato,
quando ao meu lado está, fica suspensa e queda;
muda, porém, o olhar balbucia e segreda
o que a boca não diz de receio e recato.

E esse, a cujo fulgor não há nada que exceda,
untuoso olhar, por bem sentir o meu contato,
parece às vezes ter sutileza de tato,
finuras digitais de duas mãos de seda.

Fala-me o seu olhar com franqueza e descuido
tecendo em torno a mim suas tramas e enredos;
e ele envolve-me tanto em seu mágico fluido,

diz-me com tal calor os seus grandes segredos,
que quase sinto à flor da pele e quase cuido
que igual à mão, o seu olhar tem cinco dedos.

Júlio César da Silva

Júlio César da Silva nasceu em Xiririca, atual Eldorado, no Estado de São Paulo, em 23 de dezembro de 1872, e estudou Direito na Faculdade de São Paulo, pela qual se formou em 1895. Teve mocidade aventurosa, trabalhou em circo, andou por Buenos Aires e Montevidéu, e fixou-se afinal como funcionário da Prefeitura de São Paulo. Faleceu na capital do Estado em 15 de julho de 1936.

Fonte: Poesia Parnasiana - Antologia. Edições Melhoramentos - 1967.

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Os Cisnes.




OS CISNES

A vida, manso lago azul, algumas
vezes, algumas vezes mar fremente,
tem sido para nós, constantemente
um lago azul, sem ondas, sem espumas.

Sobre ele, quando, desfazendo brumas
matinais, rompe um sol vermelho e quente,
nós dois vogamos indolentemente,
como dois cisnes de alvacentas plumas!

Um dia, um cisne morrerá, por certo...
Quando chegar esse momento incerto,
no lago, onde talvez a água se tisne,

- que o cisne vivo, cheio de saudade,
nunca mais cante, nem sozinho nade,
nem nade nunca ao lado de outro cisne.

Júlio Salusse



Júlio Mário Salusse nasceu na província do Rio de Janeiro, em 30 de março de 1872, na fazenda do Gonguy, município de Bom Jardim. Aos cinco anos foi levado para Nova Friburgo, para residir em casa da avó paterna: perdera o pai e sua mãe casara-se de novo. Depois dos estudos rudimentares foi internado no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e aos quinze anos, matriculou-se no Curso Anexo à Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1889 entrou nas Arcadas, mas interrompeu o curso jurídico em 1892, ano do qual passou oito meses em Paris. Formou-se no Rio de Janeiro, em 1896; no ano anterior, havia publicado o seu livro de estreia, "Nevrose Azul", seguido por "Sombras" 1901. Exerceu a promotoria pública em Paraíba do Sul e em Nova Friburgo. Em 1907 mudou-se para a Capital da República, onde passou a advogar cerca de dez anos mais tarde, quando se esgotaram os recursos que havia herdado. Faleceu em 30 de janeiro de 1948. 

Fonte: Poesia Parnasiana - Antologia. Edições Melhoramentos -1967.




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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vacina contra varíola.


VACINA CONTRA VARÍOLA 

1796 – (1.º de julho) Edward Jenner descobre a vacina contra a varíola. É natural de Glancestershire (Inglaterra) (1749-1823). Diplomou-se em Medicina em Londres. Em maio de 1796 Jenner viu a mão de Sarah Nelmes – uma vendedora de leite, que aparecera com pústulas no pulso, no dedo indicador e na base do polegar, apanhadas duma vaca infectada. A 1.º de maio de 1796 Jenner recolheu a matéria dessas pústulas e inoculou-a no braço de um menino, James Phipps, através de duas incisões superficiais. No sétimo dia, James apareceu com os gânglios das axilas enfartados e uma erupção no local das incisões – restabelecendo-se em seguida. A 1.º de julho do mesmo ano Janner inoculou na pele do mesmo James Phipps a matéria infecciosa extraída da pústula dum doente de varíola e nenhuma doença se manifestou. Alguns meses mais tarde, o menino foi novamente inoculado com a matéria variolosa, sem que nenhum efeito sensível se produzisse em sua constituição. Eis aí, em poucas palavras, toda a contribuição de Jenner para a medicina moderna.
Edward Jenner

Era uso comum no Oriente as pessoas sãs se deixarem infetar propositadamente por um doente de varíola, quando esta aparecia de forma benigna, a fim de evitar um contágio futuro de caráter maligno; essa prática introduziu-se na Europa, no século dezoito. Em 1796 o médico Jenner descobriu, portanto, um método mais seguro de proteção: há, nas vacas, uma doença semelhante à varíola, e Jenner verificou que, se uma pessoa fosse inoculada com o vírus das pústulas das vacas, contraia a moléstia sob forma relativamente inofensiva, que não era contagiosa e que a deixava imune contra a varíola. Aparentemente, as duas enfermidades – a da vaca e a do homem – são devidas a germes de diferentes virulências; tal é o princípio da vacina (a palavra vem do latim vaccina, que quer dizer 'de vaca'), tal como vigora hoje em dia”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 02, páginas 287/288.

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domingo, 14 de julho de 2013

Teus olhos.






TEUS OLHOS

-Teus olhos são sonhadores,
-Sonhos róseos que embalam.
Mimosas fontes de amores,
Risonhos olhos que falam.

Teus olhos são dois ramos,
De um jardim na primavera.
São dois sinais amorosos,
No celeste azul da esfera.

Teus olhos traem segredos,
Que guardas em tua alma.
Pois quando sorriem ledos,
As tuas frontes se espalmam.

Teus olhos tão termais,
São dádivas do senhor.
E, feliz será demais,
Quem merecer teu amor.

R.S. Furtado 

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

A Assembleia dos ratos.


A ASSEMBLEIA DOS RATOS

Um gato, de nome Faro-Fino, deu de fazer tal destroço na rataria duma casa velha, que os sobreviventes sem ânimo de sair das tocas, estavam a pique de morrer de fome.

Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembleia para o estudo da questão.

Aguardaram, para isso, certa noite em que Faro-Fino andava aos mios pelo telhado, fazendo sonetos à lua.

Acho, disse um deles, que o melhor meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos um guizo no pescoço. Assim, mal se aproxime a fera, o guizo a denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo.

Palmas e bravos saudaram a luminosa ideia. O orador foi abraçado e gabado como o maior talento da geração e, posto a votos, foi o projeto aprovado com delírio. Só votou contra um rato casmurro e muito positivo, o qual, pedindo a palavra disse:

Está tudo muito direito. Mas quem amarra o guizo no pescoço de Faro-Fino?

Silêncio geral. Um desculpou-se por não saber dar nó. Outro porque não era tolo. Todos, porque não tinham coragem. E a assembleia dissolveu-se no meio de geral consternação.

Moral da história: DIZER É FÁCIL; FAZER É QUE SÃO ELAS!

Monteiro Lobato   

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Lago.



O LAGO

Um pouco d'água só, e, ao fundo, areia ou lama.
Um pouco d'água em que, no entanto, se retrata
o pássaro que o voo aos ares arrebata,
e o rubro e infindo céu do crepúsculo em chama.

Água que se transmuda em reluzente prata,
quando, do bosque em flor, que as brisas embalsama,
a lua, como uma áurea e finíssima trama,
pelos ombros da Noite a sua luz desata.

Poeta, como esse lago adormecido e mudo,
onde não há, sequer, um frêmito de vida,
onde tudo é ilusório e passageiro é tudo,

existem, sobre um fundo, ou de lama ou de areia,
almas em que tu vês apenas refletida
a tua alma, onde o sonho astros de oiro semeia.

Júlia Cortines
Leia mais um belo soneto e a biografia da autora aqui:

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

A Garrafa.

 

A GARRAFA

Que importa o caminho
da garrafa que atirei ao mar?
Que importa o gesto que a colheu?
Que importa a mão que a tocou
se foi a criança
ou o ladrão
ou filósofo
quem libertou a sua mensagem
e a leu para si ou para os outros.

Que se destrua contra os recifes
eu role no areal infindável
ou volte às minhas mãos
na mesma praia erma donde a lancei
ou jamais seja vista por olhos humanos

que importa?
... se só de atirá-la às ondas vagabundas
libertei meu destino
da sua prisão?...

Manuel Lopes


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sábado, 6 de julho de 2013

Cantigas Praianas.



CANTIGAS PRAIANAS

Ouves acaso, quando entardece,
vago murmúrio, que vem do mar,
vago murmúrio, que mais parece
voz de uma prece,
morrendo no ar?

Beijando a areia, batendo as fráguas
choram as ondas. Choram em vão:
o inútil choro das tristes águas
enche de mágoas
a solidão.

Duvidas que haja clamor no mundo
mais vão, mais triste que esse clamor?
Ouve que vozes de moribundo
sobem do fundo
do meu amor.

Vicente de Carvalho


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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Momentos de Reflexão.





MOMENTOS DE REFLEXÃO


 “Momentos de reflexão se tornam necessários, para que possamos partir para o autoconhecimento, avaliar nossos procedimentos e, se necessário, fazermos algumas modificações.”
R.S. Furtado 

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terça-feira, 2 de julho de 2013

Os treze sintomas das doenças mentais.



OS TREZE SINTOMAS DAS DOENÇAS MENTAIS 

1952 – Divulgan-se os treze sintomas das doenças mentais – A Comissão de Releções Públicas, em Nova Iorque, distribuiu um panfleto, esclarecendo:

Um indivíduo que apresente os seguintes sintomas durante certo tempo, necessita, sem a menor dúvida, de cuidados psiquiátricos:”

1.º) Viver num mundo à parte, recusando-se a enfrentar os seus problemas.

2.º) Ter a ilusão de que todos o perseguem.

3.º) Considerar-se incapaz.

4.º) Sofrer agonias ao ter de tomar uma decisão.

5.º) Apresentar atitudes que oscilam como um pêndulo entre a alegria e a depressão.

6.º) Insistir em que está doente, embora os exames médicos não revelem qualquer alteração física.

7.º) Não dormir sem remédios.

8.º) Ser excessivamente irritável, e dado a explosões temperamentais.

9.º) Perder o interesse em sua aparência, em seu trabalho, em sua família.

10.º) Falar nervosamente, pulando de um assunto para outro.

11.º) Gastar mais do que pode.

12.º) Sentir-se oprimido por receios infundados.

13.º) Ouvir ou ver coisas fantásticas.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 5, páginas 818/819. 

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