sábado, 17 de agosto de 2013

O Bambu.


O BAMBU

Exposto ao dia, à noite, à beira da lagoa,
Onde se miram, rindo, as boninas do prado,
Vive um velho bambu, velho, curso e delgado,
A escutar a canção que o triste vento entoa...

Jamais os leves pés de um trovador alado,
Desses que pela mata andam cantando à toa,
Pousara-lhe num ramo! Apenas o povoa
Alta noite, agourento, um corujão rajado...

E vive, – arcaico monge a gemer solitário, –
A sua dor sem fim, o seu viver mortuário,
Tristonho a refletir no fundo azul das águas...

Como bambu da mata, exposto ao sol e ao vento,
Do deserto sem fim de meu padecimento,
Triste nos olhos teus reflito as minhas mágoas!...

Alcides Freitas
Alcides Freitas nasceu em Teresina, em 04 de julho de 1890. Estudou no Liceu Piauiense, cursou Humanidades e, terminado o curso, em 1906, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia. Na defesa da tese de doutorado, na área de Fisiopsicopatologia, produziu um texto – Da Lágrima – que já revelava o grande poeta que existia dentro de si, pois era muito mais afim à literatura do que à ciência. A tese foi publicada em 1912, o mesmo ano da edição do livro Alexandrinos, escrito em parceria com o irmão Lucídio Freitas.

Publicado em outubro de 1912, o livro Alexandrinos mereceu elogios de críticos de renome nacional, como Osório Duque Estrada, autor do Hino Nacional Brasileiro, José Veríssimo, Clóvis Beviláqua e Laudemiro de Menezes. Também os piauienses, como Zito Baptista, Antônio Chaves, Abdias Neves e Cristino Castelo Branco, aplaudiram a obra de estreia do poeta.

Conta a professora Socorro Rios Magalhães que antes mesmo do lançamento do primeiro livro, os jovens poetas Alcides Freitas e Lucídio Freitas já gozavam de grande prestígio entre os conterrâneos. “A par do pendor pelas letras, demonstrado desde a infância, e dos estudos superiores feitos fora do estado, eram ainda filhos de Clodoaldo Freitas, naquele tempo já uma legenda no meio intelectual e político do Piauí”, destaca a professora.

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br

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14 comentários:

ReltiH disse...

LETRAS QUE ENGRANDECEN A LA NATURALEZA.
UN ABRAZO

✿ chica disse...

Linda póesia e imagino o sucesso que faziam por lá, mesmo antes de se tornarem escritores. Coisa rara, não? abraçãop,chica

Wanderley Elian Lima disse...

Um poeta sensível é capás de transformar em poema, um simples pé de bambu.
Abraço

Maria Alice Cerqueira disse...

Presado amigo vim agradecer sua amavel visita lá no meu recanto! Desejo-lhe um lindo fim de semana coberto com muita paz e alegrias!
abraço amigo
maria Alice
http://www.mariaalicecerqueira.com.br/
http://www.mariaalicecerqueira.com

Anne Lieri disse...

Que bela poesia e os poetas fazem versos maravilhosos de um simples bambu!Eu adorei!bjs e bom fim de semana,

SIMONE PRADO disse...

Muito bonito. As vezes fico a pensar nessa maravilha que surge de dentro pra fora sendo colocado em letras grafadas palavras que tem vida própria. Obrigada pela visita, pelos comentários....e vamos caminhando....Lindo domingo!!!!

ONG ALERTA disse...

Tudo inspira....
Abraço Lisette.

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Que belo e inspirador soneto.Seu espaço é um ótimo lugar para se aprender um pouco mais sobre Literatura. Excelente escolha.Grande abraço!Feliz final de semana!

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Que belo e inspirador soneto.Seu espaço é um ótimo lugar para se aprender um pouco mais sobre Literatura. Excelente escolha.Grande abraço!Feliz final de semana!

Cristina disse...

Hermoso poema, me trajo recuerdos de una poetiza uruguaya Juana de Ibarburou y su poema La Higuera.
Un placer leerte, te dejo un fuerte abrazo y te deseo un hermoso fin de semana!

LUCONI disse...

Belo poema, que talento, adorei, também muito interessante os dados biográficos, muito bom conhecer, abraços Luconi

Luján Fraix disse...

HOLA QUERIDO AMIGO.
PRECIOSO POEMA, LA NATURALEZA NOS DA TANTO. GRACIAS POR COMPARTIR TANTA CULTURA, ES UNA MANERA DE ENRIQUECERNOS.
BESOS

Cristina disse...

Gracias por tu cariñoso saludo... paso a dejarte un fuerte abrazo y desearte un hermoso comienzo de semana!

Lau Milesi disse...

Amei esse soneto,Furtado.Mais uma excelente escolha.
Interessante,também tenho essa sensação,a de que o vento embala um canto triste dos bambus.Lembrei da casa da minha avó,onde havia um bambuzal.

Um beijo,amigo, pra você e sua família.
Obrigada por suas visitas sempre gentis. Gosto muito.

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