quinta-feira, 29 de setembro de 2011

"Crescer ou Inchar?"


"CRESCER OU INCHAR?"

“Crescer é uma coisa e inchar é outra totalmente diferente, pois o crescimento é feito de uma forma responsável, coordenada e bem alicerçada, enquanto que, o inchaço, é como uma balão inflado, estoura quando espetado.” 

R.S. Furtado.

PS. Este mesmo post foi publicado no dia 12 de março próximo passado. Resolvi republicá-lo, por acreditar que muitos não entenderam a mensagem. 

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Bocage.


BOCAGE 

Naquele ano fatal da Grande Perdição 
Que deflagrou, no mundo, un nouvel âge, 
Chegou aqui surgido de Cantão, 
Pra onde o arrebatara o furor de um tufão, 
poeta Bocage. 

Achou a terra decadente e estranha 
E a gente ora mendiga ora devassa. 
E enquanto, num soneto, a satiriza, entoa 
Meigas estrofes à "magnânima Saldanha" 
(Marília, ao celebrar-lhe a formusura e a graça) 
E um hino de lisonjas à "preclara Hulhoa" 

Quase um ano inteiro (quase uma vida inteira!) 
Por Macau bocejou e vageou à toa. 
Mas, por mercê de Lázaro Ferreira, 
Um dia, enfim, pôde enrolar a esteira 
E voltar a Lisboa. 
A cidade, porém, não lhe esqueceu o vulto 
(Esqueceu o soneto que é justo, sem ser mau): 
Hoje, uma rua, rende-lhe culto. 
-É quanto o poeta tem em Macau. 

António Manuel 


António Manuel Couto Viana, nasceu em Viana do Castelo a 24 de Janeiro de 1923, filho de um ilustre minhoto e de uma asturiana, e faleceu em Lisboa a 8 de Junho de 2010. Poeta, dramaturgo, contista, ensaísta, memorialista, tradutor, gastrólogo e autor de livros para crianças, foi também empresário teatral, director artístico, encenador e actor. Publicou meia centena de livros de poesia e mais de 80 títulos de outros géneros literários. Dirigiu e encenou mais de duzentos espectáculos de teatro infanto-juvenil, para adultos, de ópera e opereta. Obteve, tanto pela sua obra poética e literária como pela actividade artística, numerosos e valiosos prémios. Dirigiu, com David Mourão- Ferreira e Luís de Macedo, as folhas de poesia Távola Redonda e foi director da revista de cultura Graal. Participou em alguns filmes portugueses e estrangeiros, em dezenas de peças para a televisão, como vários programas culturais na TV e Rádio. A sua poesia está traduzida em espanhol, inglês, francês, alemão, russo e chinês. 

Fonte: http://www.wook.pt/ 

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A Tragédia e a Comédia.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Rosa dos ventos.


ROSA DOS VENTOS 

O vício se alastra noite dentro 
e a cidade se rende ao rumor de vozes 
Todavia não era mais este o tempo sombrio 
em que cada um se fecha dentro de sua dor 
ou finge sorrir dentro da falsa alegria 
Contornado o vazio da memória 
apenas os pássaros enlouquecidos buscam agora 
o rumo perdido da rosa dos ventos 

José Vicente Lopes


José Vicente Lopes nasceu na cidade de Mindelo, Ilha de São Vicente, a 6 de outubro de 1959, com vivência em São Tomé e Príncipe, Angola, Portugal e Brasil. Reside atualmente na cidade da Praia. É jornalista, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. Poeta, contista e ensaísta, os seus textos encontram-se publicados, de forma dispersa, pela imprensa caboverdiana e estrangeira. 

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/ 

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Partículas infecciosas e Decomposição da matéria.


PARTÍCULAS INFECCIOSAS 

1665Athanasius Kircher, ótico, matemático, físico, naturalista e músico, natural de Fulla (Prússia) onde nasceu em 1602 e faleceu em 1680, foi o primeiro cientista a usar o microscópio para proclamar ao mundo que as partículas infecciosas eram vivas. 


DECOMPOSIÇÃO DA MATÉRIA 

1668Francesco Redi, naturalista italiano desejando provar “se a matéria em decomposição produzia formas vivas”, teoria defendida durante séculos, destruiu-a, numa só experiência, em Toscana, quando, cobrindo carnes com gaze fina e expondo-a às moscas, notou que a carne não criou bicho, porque as moscas punham ovos na gaze. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, página 157. 

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domingo, 25 de setembro de 2011

A quem me silencia e inquieta.


A QUEM ME SILENCIA E INQUIETA 

A fruta dessa espera amadurece 
Enquanto o mais secreto de nós dois 
Permanece no escuro. E só depois 
Da chuva (ou do vento) que arrefece 

O calor primitivo da estação 
Provamos o sabor que tem o enigma 
Da semeadura. Ou, ainda, o estigma 
Que têm sempre as esperas sem razão. 

Seremos nós um ser no breu imerso 
Vivendo sem ventura um universo 
Imaginário, para sempre sós? 

Assim por acaso, - ou meditação -, 
Talvez exploda um mundo de paixão 
Tão belo que não mais coubesse em nós... 

Raul Passos 


Raul Passos iniciou-se na música aos 6 anos e foi aluno da pianista Vivian Siedlecki. Obteve sua diplomação em 2006 na classe do maestro Emanuel Martinez e recebendo orientação do compositor Harry Crowl. Aprimorou-se depois com Edson Elias, Fernando Lopes, Andrea Lucchesini (Itália), Giorgia Tomassi (Itália), Claude Bessmann (França), Roberto Tibiriçá, Elena Herrera (Cuba) e Peter Frank (Alemanha). 

Entre atividades como recitalista e camerista, tocou no Rio de Janeiro, no interior do Parana, em Santa Catarina, , Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Uma sólida carreira como recitalista em Curitiba levou-o, em 2008, ao exterior. Em novembro de 2008 realizou em Brasov, na Romênia, com o apoio da Embaixada do Brasil, um recital inteiramente dedicado a compositores brasileiros. Também na Romênia apresentou-se na Sala George Enescu, no Palatul Şuţu e na Sala Polivalenta, em Bucareste, ocasião na qual estreou sua suíte Cartas Romenas para piano a 4 mãos, ao lado da pianista romena Oana Zamfir, durante a realização da XIX Semana de Música Nova de Bucareste

Seu repertório constitui-se essencialmente de compositores da primeira metade do século XX, principalmente franceses, como Debussy, Poulenc e Satie. No âmbito da música de câmara, aparece frequentemente interpretando Negro Spirituals ao lado de Juarês de Mira

Sua carreira é pontuada pela estreia de várias peças do repertório moderno e contemporâneo, entre as quais a primeira audição no Brasil de Les Soirs Illuminés par l'Ardeur du Charbon, de Claude Debussy. Em maio de 2008, durante um recital com o baixo Juarês de Mira, televisionado para todo o Brasil e mais três países sul-americanos, realizou a prémière da Canção do Guerreiro, do compositor brasileiro Hekel Tavares. De 2003 a 2005 foi corresponsável por um projeto de redescoberta e divulgação da obra de Brasílio Itiberê. É autor, entre outras composições, de cadenzas para o Concerto para Piano n.21 K467, de Mozart

Tem se destacado como pesquisador e também por seus escritos na revista romena de música No. 14 Plus Minus, dedicando-se ainda à poesia. 

Fonte: Wikipédia. 

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Mais uma primavera - 2.



MAIS UMA PRIMAVERA - 2 

Mais uma vez Senhor, nesta hora, 
Vos agradecemos por não ser quimera. 
Estarmos felizes e com Vossa graça agora, 
Vivenciando mais uma primavera. 

Vós que com Vossa misericórdia, 
Nos ensinastes o caminhar nos trilhos. 
Guiando-nos para o bem e à concórdia, 
A mim, e aos meus queridos filhos. 

Mais um ano de luta, feroz, incontida, 
Num todo, um misto de alegria e tristeza. 
Batalhando sem fraquejo, por amor a vida, 
Mas confiantes, com fé na Vossa grandeza. 

Ilumineis nossos passos nestas caminhadas, 
Abençoeis àqueles que de nós se acercarem. 
Parentes, amigos e os que se dizem camaradas, 
Assim como a todos, que de Vós precisarem. 

Permitis Senhor, a mais um ano resistirmos, 
Concedei-nos o valioso alento da espera. 
Para com amor e esperança conseguirmos, 
A bênção de festejar mais uma primavera. 

R.S. Furtado. 

PS. No ano passado, escrevi uma baboseira em comemoração ao meu aniversário, anunciando que também era aniversário de dois dos meus filhos, o Rosemildo Filho e o Rosenildo, e para tal, utilizei a primeira pessoa do singular. Hoje, mais um ano se passou, e para comemorar o envelhecimento ou a idosidade (rsrs), escrevi esta baboseira, só que desta vez, utilizei a primeira pessoa do plural, ou seja, em nome dos três. Espero que gostem e me perdoem se não gostarem. 

“QUE DEUS SEJA LOUVADO” 

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O boato.


O BOATO 

 A conversa corre célebre pela cidade. Nas esquinas, nas lojas, em qualquer lugar. Em toda parte formam-se grupinhos de amigos para os costumeiros e, às vezes, escandalosos mexericos. Os comentários crescem, os pormenores passam a ter feições aparentemente verídicas. A partir daí, a patranha toma forma de algo quase irrefutável. Enfim, através dessa conversação infame, coadjuvada por um malabarismo de fortes efeitos psicológicos, a reputação de alguém está sendo impiedosamente estraçalhada. O que é verdadeiramente lamentável. 

O fato insidioso, altamente difamatório, é que ao se investigar os rumores, procurando fielmente encontrar as origens da atoarda, dificilmente se encontrará quem a iniciou. Entretanto, se alguém deveras persistente teimasse em descobrir a procedência da torpe e destruidora balela, de imediato perder-se-ia no labirinto bem urdido da intrujice... 

O inusitado em tudo isso é que pessoas consideradas sérias, muitas vezes, aceitam a chocalhice com absoluta naturalidade. Alguns, ainda acrescentam ao boato outros detalhes, procurando torná-lo mais verossímil. E assim, a endrômina passa a ter conotação de algo praticamente irrefutável. Com novos alentos difamatórios, o mexerico vai rolando de conversa em conversa, crescendo sempre e, aqui e ali, amealhando os aspectos mais degradantes. Somam-se um sorriso, um gesto, outro inocente detalhe, uma palavra ou um simples olhar e a imaginária trama é diligentemente urdida. O boato está feito, irremediavelmente criado e, sob todos os aspectos, altamente arrasador. 

Pensemos, antes de falar sobre a pressuposta reputação de alguém, com marcante serenidade e elevada consciência. Não nos acomodemos diante de ferinas agressões que covardemente são assacadas contra os nossos semelhantes, independente de os conhecermos ou não. Não devemos aceitar os boatos, mesmo contra as pessoas com as quais, infelizmente, não temos um bom relacionamento. 

Precisamos sempre nos manter vigilantes a fim de não nos envolvermos em conversa eivada de sentimentos de agressão, inverdades ou dúvidas. A ação torpe, vil, mesquinha e covarde do boato tem causado inúmeras infelicidades, pois, de forma propositada e abusiva, distorce o mais simples conceito de verdade. 

Em nome do bem e do elevado bom senso, serenamente cuidemos de nossa vida e por todos os meios ao nosso dispor, evitemos prejudicar os outros. Procuremos não aceitar o boato que, normalmente, distorce a verdade dos fatos, prejudicando as pessoas, nossas amigas ou não. 

Otacílio Negreiros Pimenta 
In Memorian 

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ilha.


ILHA 

Deitada és uma ilha. E raramente 
surgem ilhas no mar tão alongadas 
com tão prometedoras enseadas 
um só bosque no meio florescente 

promontórios a pique e de repente 
na luz de duas gémeas madrugadas 
o fulgor das colinas acordadas 
o pasmo da planície adolescente 

Deitada és uma ilha. Que percorro 
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias 
Mas nem sabes se grito por socorro 

ou se te mostro só que me inebrias 
Amiga amor amante amada eu morro 
da vida que me dás todos os dias 

David Mourão-Ferreira 


David de Jesus Mourão-Ferreira nasceu em Lisboa, em 24/02/1927. Professor, escritor, ensaísta dramaturgo, tradutor e divulgador da poesia européia, foi muito requisitado, também, para significativas atividades culturais desde 1957. No período de 1976 a 1979 ocupou a Secretaria de Cultura em Portugal. Seu amplo conhecimento teórico da literatura resultou em obras que, desde Vinte poetas contemporâneos (1960) a Lâmpadas no escuro (1979), dão ao poeta a estatura de um humanista europeu. Com farta colaboração em jornais e revistas e muitos estudos críticos, como ele próprio afirma, sobre aqueles autores que realmente admira e que elege por afinidades, é o exemplo típico do escritor português que diversifica em todos os gêneros a sua criação e reflexão. Quando ligado à revista "Távola Redonda", que dirigiu, publicou em 1950 o primeiro livro de poemas, A secreta viagem. A partir de então, sua obra vai centralizar-se numa temática essencial - a do amor - que, segundo Vasco da Graça Moura, simboliza a "pedra filosofal da vida e do mundo". Isso se aplica aos 12 livros de poesia que publicou (Obra poética reúne em dois volumes os livros até os anos 1970; Entre a sombra e o corpo (1980); e Ode à música (1981), bem como à ficção: Gaivotas da terra (1959), Os amantes e outros contos (1968) e As quatro estações (1980). Seu nome ficaou também ligado ao de Amália Rodrigues, que interpretou cerca de duas dezenas dos seus poemas. Faleceu em 16/06/1996. 

Fonte: http://www.tirodeletra.com.br/ 

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Filho.



FILHO 

Nicolau, menino, entra. 
Onde estiveste, Nicolau, 
que trazes a arrastar 
o teu brinquedo morto? 

Nicolau, menino, entra. 
Vem dizer-me onde foi que tu estiveste 
e a estrela fugiu das tuas mãos. 

Tens comigo o teu catre de lona velha. 
Deita-te, Nicolau, o fantasma ficou lá' longe. 

Dorme sem medo 
Porão, roça, medos imediatos, 
tudo ficou lá longe. 

Quando acordares a jornada será' mais longa. 
Nicolau, menino, 
onde foi que deixaste 
o corpo que te conheci? 
Deus há-de querer que o sono te venha depressa 
no meu catre. 

Osvaldo Alcântara 


Baltasar Lopes da Silva nasceu na aldeia do Caleijão na ilha de São Nicolau em Cabo Verde no dia 23 de Abril de 1907. Tendo concluído os seus estudos secundários no seminário de São Vicente, viajou para Portugal para estudar na Universidade de Lisboa. Durante o seu tempo em Lisboa, Baltasar Lopes estudou com importantes nomes da cultura portuguesa, como, por exemplo, Vitorino Nemésio e Câmara Reis. Formou-se em Direito e Filologia Românica, tendo sempre obtido excelentes notas durante os seus estudos na Universidade de Lisboa. Depois da universidade, Baltasar Lopes regressou a Cabo Verde, onde exerceu o cargo de professor no Liceu Gil Eanes em São Vicente. Após alguns anos foi nomeado reitor deste liceu. Chegou a deixar a colónia portuguesa mais escolarizada para ensinar em Leira (Portugal) por um breve período, mas devido às dificuldades de relacionamento com a política portuguesa daquela época, regressou para Cabo Verde onde continuou educando e exercendo a advocacia. Os seus últimos dias foram passados em Lisboa onde foi transferido para tratamento de uma doença cerebrovascular, falecendo pouco depois, no dia 28 de Maio de 1989. 

OBRAS: 

Chiquinho, 1947 
Cabo Verde visto por Gilberto Freyre, 1956 
O dialecto crioulo de Cabo Verde, 1957 
Antologia da Ficção Cabo-Verdiana Contemporânea, 1961 
Cântico da Manhã Futura (poemas), 1986 (com o nome poético de Osvaldo Alcântara
Os trabalhos e os dias (contos), 1987 

Fonte: Wikipédia

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domingo, 18 de setembro de 2011

A invenção do relógio de algibeira.

 
Pedro Henlein
 
A INVENÇÃO DO RELÓGIO DE ALGIBEIRA 

1500 Pedro Henlein inventa o relógio de algibeira, em Nurenberg. Nessa cidade alemã ainda rapazinho, a todos assombrava com seu talento. Era ali relojoeiro. Para conseguir seu intento, pensou, primeiro, como empregar motor, em lugar de pesos. Lembrou-se dai de utilizar uma mola espiral. Mas a característica principal dessa mola é a teimosia. Por mais que se a enrole, conseguirá desenrolar-se. E foi, justamente, esta qualidade, que Pedro Henlein pensou utilizar. Pois bem. No interior de um relógio de algibeira está oculta uma caixinha plana, feita de latão. Este tambor não é outra coisa senão a casinha onde se encontra o motor que faz andar o relógio, ou, por outras palavras: a mola ou corda. A extremidade inferior desta mola mantém-se sempre móvel. Está fixada num eixo sobre o qual descansa o tambor. A outra extremidade, a exterior, permanece sobre a parede do tambor. Ora, quando se dá corda a um relógio, faz-se girar este tambor. Ao mesmo tempo enrola-se a mola, obrigando a sua extremidade exterior a descrever círculos. Mas tão depressa se solta a mola, ela começa a desenrolar-se; a extremidade exterior volta à sua posição anterior e o tambor faz exatamente o mesmo número de revoluções para trás que antes fazia para diante. E nisto consiste o truque. Um certo úmero de rodas dentadas transmite as revoluções do tambor aos ponteiros, exatamente como sucede nos relógios de pesos. Para evitar que a corda se desenrole demasiado à pressa, Pedro Henlein aproveitou o mesmo tipo de balancim utilizados nos grandes relógios. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 108/109. 

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sábado, 17 de setembro de 2011

Anunciação.


ANUNCIAÇÃO 

Irás conceber, um dia, 
a menina a tua espera 
na luz opaca e serena. 

Será canto de açucena 
Será canto de alegria 

Irás conceber, a Júlia, 
que virá pra inaugurar 
em tua vida outra era. 

Será vento de mudança 
que virá sem tardança. 

Irás conceber, agora, 
Tudo o que virá depois: 
Um nariz bem alongado 

um sorriso de senhora 
e um olhar inaugurado 
pro espanto d´ocês dois. 

Charles Kiefer 


Charles Kiefer é natural de Três de Maio (RS), onde nasceu em 05 de novembro de 1958. 

Estreou na ficção em 1982 com Caminhando na Chuva, novela de temática adolescente que já vendeu mais de 100.000 exemplares. 

Em 1985 Kiefer ganhou projeção nacional com a novela O Pêndulo do Relógio, agraciada com o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro

Em 1993, com o livro de contos Um Outro Olhar o escritor recebeu outro Prêmio Jabuti

E em 1996, com Antologia Pessoal, o terceiro Prêmio Jabuti

O autor vem acumulando nos últimos anos uma série de outras premiações, entre elas o Prêmio Guararapes, da União Brasileira de Escritores, para O Pêndulo do Relógio

O Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, em 1993, por Um Outro Olhar; e o Prêmio Altamente Recomendável para Adolescentes, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, em 1986, para o livro infanto-juvenil Você Viu Meu Pai Por Aí?, entre dezenas de outros. 

Tem mais de 30 livros publicados no Brasil, na França e em Portugal.

As editoras Ática, Record e Leya são suas principais casas publicadoras no Brasil. 

Em 2010, a Editora Leya publicou Para Ser Escritor, obra em que o autor elabora seus mais de 25 anos de experiência como professor de oficinas literárias. 

Charles Kiefer é professor de Escrita Criativa, Produção de Textos Poéticos, Oficina de Criação Literária e Conto Brasileiro: Teoria e Prática, na PUCRS, e orientador de oficinas literárias particulares. 

Fonte: http://charleskiefer.blogspot.com/ 

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"Sensatez"


"SENSATEZ" 

“A sensatez é o ingrediente prioritário daqueles que elegem a responsabilidade e a dignidade como pratos principais no cardápio.” 

R.S.Furtado. 

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Entardecer na Praia da Luz.


ENTARDECER NA PRAIA DA LUZ 

Espreguiçados, os ramos 
das palmeiras filtram 
a luz que sobra 
do dia. É já noite 
nas folhas. O branco 
das paredes recolhe 
o sangue e o vinho 
de buganvílias 
e hibiscos. Bebe-os 
de um trago: saberás 
que, mais do que cegueira, a noite 
é uma embriaguez perfeita. 

in Castália e Outros Poemas - Albano Dias Martins 


Poeta, licenciado em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa. Realizou traduções de poesia grega arcaica e italiana contemporânea e foi um dos colaboradores assíduos de Árvore. Começando por se inscrever na poesia da década de 50, com a publicação de Secura Verde, numa fase posterior, a sua escrita reflete tendências poéticas reveladas no início da década de 60, por uma maior atenção conferida à palavra, à linguagem na sua opacidade, à busca de uma expressão depurada e não discursiva, encontrando na brevidade e num certo minimalismo nominal uma forma original, através da qual as palavras evocam uma essência perdida, anterior à erosão do tempo e do uso corrente. Deste modo, para Fernando Guimarães, na poesia de Albano Martins, "o que pode haver de centrífugo na imagem - o seu alargamento significativo, as suas possibilidades associativas, a sua potencialidade metafórica - é de imediato equilibrado pelo pendor substantivo de uma poesia que aposta na busca da concentração em que, muitas vezes, o próprio dinamismo verbal acaba por ser elidido" (GUIMARÃES, Fernando - A Poesia Portuguesa Contemporânea e o Fim da Modernidade, Lisboa, Caminho, 1989, pp. 65-66). 

Fonte: Infopedia

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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um poeta falando a Nietzche.


UM POETA FALANDO A NIETZCHE 

Deus morreu, 
Nietzsche, 
Mas no teu interior, 
Dentro de ti, 
Está mais vivo do que nunca. 
Mil vezes mais vivo. 

Disso eu sei porque 
De vocês os dois 
Sou eu a sepultura. 

Vadinho Velhinho 


Vadinho Velhinho nasceu em Calheta de São Miguel, interior de Santiago Nascido (Cabo Verde), em 29 de maio de 1961. Começou a escrever quando frequentava o Seminário São José, na Praia. Colaborador de revistas e jornais. Dono de uma poesia noturna, onde a solidão, a morte, o abandono, a loucura, Deus e a consequente expulsão do paraíso são temas recorrentes. Admirador dos poetas Fernando Pessoa, Luís de Camões, Augusto Anjos e Eugénio Tavares, ele anuncia o lançamento de Noites ao Cair da Noite — mais um título de poesia. Bibliografia: Relâmpagos em Terra (1995), Adeus Loucura, Adeus (1997), No Ponto de Rebuçados (2001) e O Túmulo da Fénix (2003), e Tenho o Infinito Trancado em Casa (2008). 

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/ 

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A descoberta do Havaí.



A DESCOBERTA DO HAVAÍ
1778James Cook, navegador inglês, descobre o Havaí, ilhas do Oceano Pacífico, que também são conhecidas por Sandwich. Esse grande navegador inglês nasceu em Marton, Condado de York, em 27 de outubro de 1728. Ingressou na Marinha em 1755. Em 1759 iniciou explorações no Rio São Lourenço, bem como nas costas de Labrador e de Terra Nova. De regresso a Inglaterra depois de explorar as costas da Nova Zelândia, Austrália e Nova Guiné, em 1772 partiu novamente para pesquisar a extensão de um provável continente antártico. Contornou no comando das naus “Resoultion” e “Adventure”, a Região Antártica, desde Nova Zelândia até o cabo Horn. Descobriu, daí, a Nova Geórgia, as Ilhas Salomão e a Nova Caledônia. Recebeu a medalha de ouro Copley da Real Sociedade, pelas precauções tomadas no sentido de prevenir o escorbuto e a febre entre os membros da expedição. Em 1776 partiu à procura de uma passagem do Norte Pacífico para o Atlântico. Realizou, ainda, extensas explorações na costa noroeste da América. Foi morto pelos nativos do Havaí em 14 de fevereiro de 1779. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 2, páginas 247/248. 

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domingo, 11 de setembro de 2011

Formiga.


FORMIGA 

Pequeno dragão 
doméstico. 

Cabeça grávida 
de hibisco. 

Rústico abdome- 
cogumelo. 

Escava o incerto 
dos dias, 

para a trilha 
vertical 

de farelo, 
fúria e folhas. 

Carrega seus mortos 
nas costas, 

com precisa 
geometria 

de fábrica 
fúnebre. 

Cláudio Daniel 


Claudio Alexandre de Barros Teixeira (São Paulo SP 1962). Poeta, tradutor e ensaísta. Faz o curso de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, de 1982 a 1984. Cria, com um grupo de amigos, a revista cultural Gaia, em 1989. Assume o pseudônimo de Claudio Daniel, adotando o nome "Daniel" em referência ao trovador provençal Arnaut Daniel (ca. século XIII) e ao profeta Daniel do Antigo Testamento. Em 1990, visita o mosteiro zen Morro da Vargem, em Ibiraçu, Espírito Santo, onde fica hospedado por alguns dias - experiência marcante que, somada às leituras sobre budismo e peregrinações a templos de outras tradições religiosas, o influencia a usar temas orientais em sua obra. Nesse ano, participa da antologia Cem Haicaístas Brasileiros, organizada pelo haicaísta Masuda Goga (1911). Publica seu primeiro livro de poemas, Sutra, em 1992, e seu único livro de contos, Romanceiro de Dona Virgo, em 2004. Desde 2003, edita, com o escritor Rodrigo de Souza Leão (1965) e a webmaster Ana Peluso (1966), a revista literária eletrônica Zunái. Seus poemas são traduzidos para o inglês e espanhol, e também publicados na Folha de São Paulo e em antologias como Poetas na Biblioteca, 2002, e Antologia Comentada da Poesia Brasileira, 2006, organizadas pelo escritor Reynaldo Damazio (1963), e pelo escritor Manuel da Costa Pinto (1966), respectivamente. Em 2004, é um dos curadores do evento Encontros de Interrogação, promovido pelo Instituto Itaú Cultural, e em 2006 organiza a Galáxia Barroca, Encontro de Poetas Latino-Americanos.  Atualmente é curador de literatura e poesia no Centro Cultural São Paulo.  

Fonte: http://www.itaucultural.org.br/

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

"Amor e fé."


"AMOR E FÉ" 

“Assim como o amor, a fé na realização dos nossos maiores anseios também fomenta à nossa existência.” 

R.S. Furtado. 

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Os amantes de novembro.


OS AMANTES DE NOVEMBRO

Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor

Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um

De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.

Alexandre O'Neill


Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões, nasceu em Lisboa em 1924.

Em 1948, Alexandre O'Neill, juntamente com Mário Cesariny, António Pedro, Vespeiro e José Augusto França, lançam-se na aventura do surrealismo. Este movimento, fruto da sua época, surgia como provocação ao regime político vigente, e à poesia neo realista.

Em 1950 O'Neill decide se pelo abandono polémico do Movimento Surrealista, expressando desta forma o seu desagrado pelo rumo simulado e decadente em que o surrealismo mergulhara. O poeta nunca foi muito de regimentos, e o surrealismo tinha algo de disciplina ideológica. Contudo, a sua poesia conservou traços surrealistas.

Colabora ainda com "Os Dissidentes" numa exposição. O'Neill, à semelhança de muitos artistas portugueses não pôde viver da sua arte. Afirmava "viver de versos e sobreviver da publicidade".

A publicidade foi a maneira menos trabalhosa de ganhar o sustento que Alexandre O'Neill encontrou. Esta é uma área que requer destreza e à vontade com as palavras, e nesse campo o poeta sentia-se como peixe na água. Porém, Alexandre não criou nenhum vínculo afectivo com esta profissão. Criou algumas frases publicitárias que ficaram na memória, como "Boch é Bom" e esse outro slogan, que é já provérbio, "Há mar e mar, há ir e voltar". A publicidade deu lhe o conforto económico de que necessitava, mas sempre que se enfastiava mudava de patrão e agência publicitária!

Vasto foi o seu currículo, onde constam diversas colaborações para jornais, revistas e televisão. Fez da pátria o seu tema mais constante, e do verso crítico o pincel com que pintou paisagens, gestos e costumes quotidianos.

Transbordante de sonhos, sedento de realidades submersas, foi em vida, e é em morte, incompreendido e votado ao esquecimento. Esse terá sido o preço que pagou por se ter recusado diluir numa qualquer poesia do populismo fácil. O'Neil faleceu em 1986.

Fonte: http://www.truca.pt/

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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ai se um dia...


AI SE UM DIA... 

Ai se em Outubro chovesse 
a terra molhasse 
o milho crescesse 
e a fome acabasse 

Ai se o homem sorrisse 
a terra molhasse 
a fome acabasse 
e a chuva caísse 

Ai se um dia... 
Acordemos, camaradas, 
As chuvas de Outubro não existem! 
O que existe 
É o suor cansado 
Dos homens que querem 

O que existe 
É a busca constante 
Do pão que abundante virá 

Homens, mulheres, crianças 
Na pátria livre libertada 
Plantando mil milharais 
Serão a chuva caindo 
Na nossa terra explorada 

Vera Duarte 


Vera Duarte, de seu nome completo Vera Valentina Benrós de Melo Duarte Lobo de Pina, nasceu no Mindelo, Cabo Verde, num Outubro qualquer. Ali brincou, cresceu e amou. Depois esteve em Portugal para fazer o curso de Direito na Universidade Clássica de Lisboa e posteriormente para fazer formação na Magistratura Judicial, pelo Centro de Estudos Judiciários de Lisboa, tendo voltado a cidade da Praia, Cabo Verde, no sentido de trabalhar na justiça e como Juíza Conselheira do Supremo Tribunal da Justiça. Após se ter afastado do referido cargo assumiu a responsabilidade e honra de exercer as funções de Conselheira do Presidente da República. Entretanto escreveu, casou-se, publicou, teve filhos e filhos dos filhos, divorciou-se e de novo se casou, viajou e participou - do coração - na vida pública do seu país. Sobretudo nas questões ligadas à mulher, cultura e aos Direitos Humanos. Orgulha-se de ter sido galardoada em 1995 em Portugal pelo então presidente português Dr. Mário Soares com o Prémio Norte-Sul de Lisboa do Conselho da Europa, pelas suas actividades em prol dos Direitos Humanos. Sobretudo enquanto membro da Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos e da Comissão Internacional de Juristas. Actualmente é Presidente da Associação Cabo-verdiana de Mulheres Juristas (AMJ), membro do Comité Executivo da Comissão Internacional de Juristas, além de ser membro de várias associações oriundas da sociedade civil cabo-verdiana, nomeadamente a Associação de Escritores Cabo-verdianos (AEC). Tem como lema de vida, Liberdade, Justiça, Paz e Amor. 

Fonte: http://amulhereapoesia.blogspot.com/

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Início da Anatomia dos vegetais.

 Nehemiah Grew
INÍCIO DA ANATOMIA DOS VEGETAIS 

1671 – (7 de dezembro) Nehemiah Grew (1641-1712), cientista inglês, publica o Inicio da Anatomia dos Vegetais, em que se encontra a estrutura microscópica das plantas, órgão por órgão, o caráter sexual das flores, em que o pistilo corresponde à fêmea, e os estames, com seu polem, ao macho. Este cientista ainda descobriu o sulfato de magnésio (Sal de Epsom)

 Marcelo Malpighi
1671 (a) – (7 de dezembro) No mesmo dia em que sai a obra de Nehemiah Grew, é publicada a obra do cientista italiano Marcelo Malpighi (1628-1694), professor da Universidade de Bolonha e médico particular do papa Inocêncio XII, que é o primeiro a descrever a estrutura dos pulmões, a natureza das papilas linguais, os corpúsculos do baço, as pirâmides dos rins e o desenvolvimento da semente e do embrião. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, página 158. 

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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Doce deleite.


DOCE DELEITE

Doce deleite
na
fermentação
do meu (teu)
corpo
não se
esquece
do sal (doce)
que
se aquece
com o
meu (teu)
beijo.
resulta
na massa
quente
de
perfume
mel
em dose
dupla
de
doce
deleite.

Chris Herrmann


CHRISTINA MAGALHÃES HERRMANN (Chris Herrmann) - Carioca da gema, nasceu e cresceu no Rio de Janeiro. Cursou Letras (Literatura) na UFRJ, parcialmente filosofia e teologia na FACEN e cursou também Administração Básica na Fundação Getúlio Vargas e Propaganda & Marketing na ESPM. Estudou piano e teoria musical no Conservatório Brasileiro de Música (RJ). Já compôs músicas, é poeta, já participou de diversas antologias, dentro e fora do Brasil, como EUA e Espanha. Além disso, tem atuado na organização e divulgação de antologias e outros eventos literários. Trabalhou no Rio como secretária executiva bilíngüe e tradutora. Mudou-se para a Alemanha em 1996 onde, com sua família alemã, vive até hoje. Na Alemanha vem trabalhando com traduções e, atualmente, como web & graphic designer, mantém blogues de poemas, e escreve para a coluna "Orkultural" de Blocos. No Orkut, fundou várias comunidades de sucesso, onde o ponto alto são entrevistas online e diversos projetos culturais, como o Café Filosófico "Das Quatro", Sociedade dos Pássaros-Poetas, Orkultural*, CaravanaCult (estas duas últimas em parceria com Blocos) e Trovadores Noturnos. [*A comunidade Orkultural ligada à sua coluna quinzenal, de Blocos, foi apontada pelo Portal do Governo do Estado de São Paulo como uma das 8 melhores do Orkut na categoria cultura e conteúdo didático, em 2006] Suas maiores paixões são família, amigos, viagens, literatura, internet, pesquisas, música, cinema e filosofia.

Contatos: mail@c-herrmann.net
Página individual de poesia em Blocos Online
Página individual de prosa em Blocos Online

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sábado, 3 de setembro de 2011

Eu não faço panto, faço ponto.


EU NÃO FAÇO PANTO, FAÇO PONTO. 

Enquanto 
For tanto 
o medo, quanto 
o espanto
Eu garanto 
Portanto
Que no manto 
Jogado no canto
Marcado pelo pranto, 
Não reflete quebranto
Nem está no entanto 
Com imagem de santo 
Nem de sacrossanto
Mas, porém, entretanto
Sem motivo para ataranto
Lá do seu recanto 
Sem nenhum desencanto
Mostra um perianto 
Com todo seu encanto
Elogiado no banto 
E também no esperanto
Mas, contudo e contanto
Para todos, o acalanto
Como não tem mais anto, 
Para este poema tonto, 
Eu não faço panto, 
Faço ponto. 

R.S. Furtado.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Bolor.


BOLOR 

Os versos 
que te digam 
a pobreza  que somos, 
o bolor nas paredes 
deste quarto deserto, 
o orvalho da amargura 
na flor 
de cada sonho 
e o leito desmanchado 
o peito aberto 
a que chamaste 
amor. 

Carlos de Oliveira 


Carlos de Oliveira, nasceu a 10 de Agosto de 1921 em Belém do Pará, filho de emigrantes portugueses no Brasil. Passou a infância nos terrenos pantanosos e arenosos da região da Gândara. Este contacto precoce com o mundo rural e com a pobreza marcou profundamente a sua obra e influenciou a sua ligação ao neo-realismo. Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde estabeleceu amizade e solidariedade ideológica e política com Joaquim Namorado, João Cochofel e Fernando Namora, entre outros. Estreou-se com Turismo (1942), uma colectânea de poemas, e com o romance Casa na Duna (1943). Atingiu reconhecimento público na área da poesia e da ficção. Escreveu o célebre romance Uma abelha na Chuva em 1953. Morreu em Lisboa no dia 1 de Julho de 1981. 

Obra poética: Turismo, “Novo Cancioneiro”, Coimbra, 1942; Mãe Pobre, Coimbra, 1945; Colheita Perdida, Coimbra, 1948; Descida aos Infernos, Porto, 1949; Terra de Harmonia, Lisboa, 1950; Cantata, Lisboa, 1960; Sobre o Lado Esquerdo, Lisboa, 1968; Micropaisagem, Lisboa, 1968; Entre Duas Memórias, 1971 (pelo qual lhe é atribuído no ano seguinte o Prémio de Imprensa) ; Trabalho Poético, poesia reunida, Lisboa, 1976 e 2003 (Assírio & Alvim) 

Fonte: http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt 

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nalgum canto.


NALGUM CANTO

nalgum canto 
da noite 
o galo espreita 
seu próprio ato 

no corpo 
da madrugada 
o mesmo galo 
tece seu canto 

no seu recanto 
oculto e claro 
o bravio galo 
traça a manhã. 

Sérgio Vieira 


Poeta e político moçambicano, Sérgio Vieira nasceu em 1941, em Tete (Moçambique). Licenciado em Ciências Políticas, desde jovem se tornou ativista político. Durante os estudos universitários, em Lisboa, esteve estreitamente associado às atividades culturais da Casa dos Estudantes do Império (CEI) e, depois, exilado em Dar-es-Salam (Tanzânia), dirigiu o Departamento de Educação e Cultura da FRELIMO. Após a independência do seu país, exerceu o cargo de Governador do Banco de Moçambique e o de Ministro da Administração Interna

Quanto à sua atividade literária, colaborou em alguns jornais e revistas, como o Jornal de Angola e a Mensagem (CEI), publicou Também Memória do Povo (1983) e está incluído em várias antologias de poesia, tal como Poetas Moçambicanos (1962), Breve Antologia da Poesia de Moçambique (1967), Poesia de Combate (1977), No Ritmo dos Tantãs (1991). 

Fonte: http://www.infopedia.pt/

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