quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fundação da Cirurgia Moderna.


FUNDAÇÃO DA CIRURGIA MODERNA 

1549 Ambroise Paré funda a cirurgia moderna. – É cirurgião, anatomista e fisiólogo francês. Nasceu em 1571 em Laval. Faleceu em 30-12-1590 em Paris. Abole, numa das guerras entre França e Espanha, o velho sistema de cauterizar feridas com ferro em brasa e azeite a ferver. Aplica métodos suaves. A descoberta da laqueação da artérias, pela cauterização com ferro em brasa, depois das amputações, imortalizou o seu nome. A cirurgia possui três grandes problemas fundamentais: a hemostase (controle das hemorragias), a anestesia (controle da dor) e a assepsia (controle das infecções). E Paré indicou o meio mais eficiente e menos doloroso de controlar as hemorragias: a atadura. Esclareceu, ainda, com sua brilhante investigação, muitos assuntos de Anatomia, Fisiologia e Terapêutica. Em virtude dos altos conhecimentos que introduziu à Ciência médica e dos relevantes serviços prestados à sua pátria, foi nomeado cirurgião do rei da França. Justamente o cognominaram “O Pai da Cirurgia Moderna”. Em 1585 veio à luz seu livro Apologia e Tratado, em que descreve todo o costume de sua época. É dele esta frase: “Eu tratei-o e Deus curou-o”. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 119/120.

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terça-feira, 30 de agosto de 2011

O que morre.


O QUE MORRE 

Casa e caminhos morrem desamados, 
esquecidos, na solidão do Além. 
Os segredos falecem de guardados, 
e amores morrem quando morre alguém. 

O porto morre. A onda se esvazia. 
E o sonho esvai-se quando acorrentado. 
A treva nasce do morrer do dia. 
Morre o rico, o feliz e o desgraçado. 

Nada é imortal, pois o que nasce vibra 
somente um instante para a queda enorme, 
eis que essa lei fatal tudo equilibra. 

Morrem lembranças, fruto do passado, 
e o presente e o futuro quando dorme 
o homem sem fé, sem luz, abandonado. 

Francisco Miguel de Moura 


Francisco Miguel de Moura é poeta, ensaísta, cronista, romancista, crítico literário e bancário. Nasceu em Francisco Santos (PI), em 16 de junho de 1933.  Bacharel em Literatura Plena e Língua Portuguesa e pós-graduado em Crítica de Arte pela Universidade Federal da Bahia. Ocupa a cadeira número 8 da APL

Obras: Areias, 1966; Pedras em Sobressalto, 1974; Universo das Águas, 1979; Bar Carnaúba, 1983; Quinteto em Mi(m), 1986; Sonetos da Paixão, 1988; Poemas Ou/tonais, 1991 (poesias); Linguagem e Comunicação em O. G. Rego de Carvalho, 1972; A Poesia Social de Castro Alves, 1979 (ensaios); Os Estigmas, 1984; Laços do Poder, 1991; Ternura, 1993 (romances); Eu e Meu Amigo Charles Brown, 1986, ...E a vida se fez crônica, 1996 (crônicas); Piauí: Terra, História e Literatura (antologia), 1980; Literatura do Piauí, 2002; Sonetos Escolhidos, 2003; e Rebelião das Almas, 2003.

Fonte: http://www.ube.org.br/ 

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domingo, 28 de agosto de 2011

"Mesmo do pouco".


"MESMO DO POUCO" 

“Se comer pouco é bom para à saúde de quem tem muito, melhor ainda é para à daqueles que nada têm para comer. Portanto, doe um pouco, mesmo do pouco que você tem”. 

R.S. Furtado.

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sábado, 27 de agosto de 2011

O espírito.


O ESPÍRITO 

Nada a fazer amor, eu sou do bando 
Impermanente das aves friorentas; 
E nos galhos dos anos desbotando 
Já as folhas me ofuscam macilentas; 

E vou com as andorinhas. Até quando? 
À vida breve não perguntes: cruentas 
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando 
Ave estroina serei em mãos sedentas. 

Pensa-me eterna que o eterno gera 
Quem na amada o conjura. Além, mais alto, 
Em ileso beiral, aí espera: 

Andorinha indemne ao sobressalto 
Do tempo, núncia de perene primavera. 
Confia. Eu sou romântica. Não falto. 

Natália Correia 


Natália de Oliveira Correia nasceu na Fajã de Baixo, ilha de São Miguel, Açores, em 13/09/1923 e morreu em Lisboa em 16/03/1993. 

Fez os estudos secundários em Lisboa. Sem estudos universitários foi, em 1979, deputada à Assembleia da República. Colaborou em diversos jornais e revistas. Não se prendendo fortemente a nenhuma corrente literária, esteve inicialmente ligada ao surrealismo e, segundo a própria, a sua mais importante filiação estabeleceu-se em relação ao romantismo. A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. 

Figura proeminente da cultura portuguesa da segunda metade do século XX, notabilizou-se como poetisa e como política, tendo sido eleita deputada pelo Partido Socialista. 

Foi fundadora da Frente Nacional para a Defesa da Cultura, interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos da mulher. Apelou sempre à literatura como forma de intervenção na sociedade, tendo tido um papel activo na oposição ao Estado Novo

Foi uma figura importante das tertúlias que reuniam nomes centrais da cultura e da literatura portuguesas dos anos 50 e 60. Ficou conhecida pela sua personalidade vigorosa e polémica, que se reflecte na sua escrita. 

Fonte: http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Xicuembo.


XICUEMBO 

Eu bebeu suruma 
dos teus ólho Ana Maria 
eu bebeu suruma 
e ficou mesmo maluco 

agora eu quero dormir quer comer 
mas não pode mais dormir 
não pode mais comer 

suruma dos teus olhos Ana Maria 
matou sossego no meu coração 
oh matou sossego no meu coração 

eu bebeu suruma oh suruma suruma 
dos teus ólho Ana Maria 
com meu todo vontade 
com meu todo coração 

e agora Ana Maria minhamor 
eu não pode mais viver 
eu não pode mais saber 

que meu Ana Maria minhamor 
é mulher de todo gente 
é mulher de todo gente 
todo gente todo gente 

menos meu minhamor. 

Rui Nogar 


Rui Nogar é o pseudónimo literário de Francisco Rui Moniz Barreto (Lourenço Marques, 1932 – Lisboa, 1993). Filho de emigrantes brancos oriundos de Goa, após a morte do pai abandonou os estudos secundários, a fim de prover ao sustento da família. Considerava-se um auto-didacta, cuja formação devia tanto ao exemplo dos pais como ao de professores, exilados políticos portugueses, que o alertaram para as questões sociais e a necessidade de as problematizar no contexto colonial. 

Vivenciou de perto desigualdades e injustiças, quer no subúrbio laurentino quer no seu percurso profissional: trabalhou junto dos carregadores do cais e como praticante de escriturário nos Caminhos de Ferro de Moçambique. Posteriormente, foi “copywriter”, contabilista e redactor em diversos títulos da imprensa, como a Tribuna ou O Brado Africano. 

Com Craveirinha, participou nas actividades da Associação Africana, aí se notabilizando como declamador. Foi, aliás, na sequência de uma das sessões culturais dinamizada naquela Associação, em 1953, que a polícia política o deteve pela primeira vez. Os seus poemas mais antigos datam de 1954-55 e surgem em O Brado Africano e no Itinerário. A coerência com que pautou a sua postura levou-o a ingressar na Frelimo, em 1964. Incumbido da organização da Região político-militar do sul do Save, acabou por ser novamente detido, em Janeiro de 1965. Julgado com Craveirinha, Luís Honwana, Malangatana Valente e outros, foi libertado da Cadeia Central da Machava a 28 de Maio de 1968. Deste período de detenção, datam muitos dos poemas que reuniu no seu único livro, Silêncio Escancarado, dado à estampa em Lisboa, com a chancela das Edições 70, no ano de 1982. 

Não obstante a vigilância de que passou a ser alvo e a falta de informação sobre o avanço da luta armada, prosseguiu a sua actividade política clandestina até ao 25 de Abril de 1974. No período de transição, empenhou-se na preparação da independência, encarregue de organizar os grupos dinamizadores em Lourenço Marques. Depois, além de deputado da Assembleia Popular, assumiu outros cargos oficiais, tendo também, sido o primeiro Secretário-Geral da Associação de Escritores Moçambicanos e, a partir de 1987, Vice-Presidente da Assembleia Geral da mesma associação. 

Fonte: http://pluralpluriel.org/

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Invenção do Barômetro.


A INVENÇÃO DO BARÔMETRO 

1643 – O físico italiano Evangelista Torricelli verificou que o ar tinha peso, provou a existência da pressão atmosférica e inventou o barômetro. Essa invenção tem a seguinte história: “Um dia, em 1641, operários de Florença, pretendendo colocar uma bomba aspirante para elevar a água a uma altura determinada, não o conseguiram em virtude da pressão atmosférica. Galileu, consultado, declarou-se incompetente para resolver o problema. Foi então que Torricelli fez a memorável experiência a que deu o seu nome, para provar que o ar é pesado. Entre este barômetro primitivo, constituído por um enorme tubo de noventa centímetros de comprimento, muito incômodo, e os nossos modernos e aperfeiçoadíssimos barômetros houve diversas etapas, vencida por vários físicos e inventores. Apareceram sucessivamente, os barômetros com cubo de mercúrio, de Renaut, de Fortin e de Père Secchi. Em 1849 Eugène Bourdon inventou o barômetro metálico baseado na elasticidade dos metais, princípio mais corrente dos atuais barômetros. Em 1855, Jules Richard, sozinho e com alguns instrumentos rudimentares, criou o primeiro barômetro metálico registrador, composto de uma série de caixas circulares e de um papel quadriculado enrolado sobre um tambor e apto a receber automaticamente o traçado das variações da pressão atmosférica. São estes os antepassados de pouco mais de um século, de nossos barômetros de hoje, embora muito mais aperfeiçoados”. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 153/154 .

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Epílogo.


EPÍLOGO

Finda a leitura, o livro está completo 
em sua solidão mais-que-perfeita 
de couro falso e íntimo papel. 

Lá fora, o mundo segue, arquitetando 
as mesmas contingências costumeiras 
que nunca esbarram numa irrefutável 

conclusão que se possa resumir 
em três letras letais, inalienáveis. 
Que paz será possível nessa selva 

sem índices, prefácios, rodapés? 
indaga, da estante mais excelsa, 
o livro. Porém, nada disso importa, 

se todas as dúvidas se dissipam, 
com tudo mais, quando o bibliotecário 
apaga as luzes, sai e tranca a porta. 

Paulo Henriques Britto 


Paulo Fernando Henriques Britto (Rio de Janeiro RJ 1951). Poeta, contista, tradutor, ensaísta e professor. Aos 21 anos muda-se para a Califórnia, Estados Unidos, e ingressa no curso de cinema no San Francisco Art Institute [Instituto de Arte de San Francisco], mas não chega a concluí-lo. Em 1973, retorna ao Rio de Janeiro e trabalha como professor de inglês e tradutor. Nesse ano participa da fundação da Associação Brasileira de Tradutores. Forma-se em letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC/RJ em 1978, e conclui o mestrado em língua portuguesa em 1982. Na PUC passa a lecionar nas áreas de tradução, criação literária e literatura brasileira. Estréia como poeta em 1982, com o livro Liturgia da Matéria, e sete anos depois lança Mínima Lírica. Entre seus trabalhos, destacam-se traduções de obras dos poetas Elizabeth Bishop (1911 - 1979), Wallace Stevens (1879 - 1955), Lord Byron (1788 - 1824) e Henry James (1843 - 1916)

http://itaucultural.org.br/

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"Fidelidade".


"FIDELIDADE" 

 “A fidelidade não deverá existir somente nos nossos atos, mas também, nos nossos pensamentos.” 

 R.S. Furtado.

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domingo, 21 de agosto de 2011

Espera.


ESPERA 

Canções ecoam mansas pelos vales 
e sobem as montanhas docemente 
e delas adormece o solo quente 
e eu sobre ele sonho a cor dos males... 

Tudo está em mim à espera que tu fales... 
Por essa terra fora, terra quente 
só aos ecos respondem docemente 
os sons cruéis que eu quero que tu cales!... 

A tua voz não vem com a dos ecos... 
ao pé de mim só estalam ramos secos... 
e de ti nada chega aos meus ouvidos 

E em mim vou sempre esperando a tua voz... 
Será somente o meu pensar em nós? 
Ou tocar me á em todos os sentidos?... 

Jorge de Sena 


Jorge Cândido de Sena nasceu em 2 de Novembro de 1919 em Lisboa. Terminou em 1936 o seu curso de liceu (média de 13 no 5º e 6º anos, média de 14 no 7º ano), ano em que se inscreveu nos preparatórios para a escola naval. Formou-se em engenharia civil na Faculdade de Engenharia do Porto (licenciou-se com 13 valores). 

Até 1959 foi funcionário da Junta Autónoma de Estradas, data em que se exila no Brasil, onde conclui o doutoramento em letras e rege as cadeiras de teoria da literatura e literatura portuguesa na Universidade de Araquara. 

A partir de 1965 passa a viver nos E.U.A. acompanhado da esposa Mécia de Sena, de quem teve nove filhos, sendo professor catedrático na Universidade de Winsconsin e, posteriormente na Universidade da Califórnia - Sta. Bárbara, onde dirigiu o departamento de literatura portuguesa e espanhola. Recebeu ao longo da sua vida vários prémios, entre eles a Grã-Cruz de Santiago

Faleceu em 4 de Junho de 1978. Três dias depois, a Assembleia da República exprimia pesar unânime, certamente partilhado por todos os que tiveram a honra de o conhecer a si ou à sua obra. 

Fonte: http://www.citi.pt/

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sábado, 20 de agosto de 2011

Éramos tu e eu.


ÉRAMOS TU E EU 

Éramos eu e tu 
Dentro de mim 
Centenas de fantasmas compunham o espectáculo
E o medo 
Todo o medo do mundo em câmara lenta nos meus olhos. 

Mãos agarradas 
Pulsos acariciados 
Um afago nas faces. 

Éramos tu e eu 
Dentro de nós 
Suores inundavam os olhos 
Alagavam lençóis 
Corriam para o mar. 
As unhas revoltam-se e ferem a carne que as abriga. 

Éramos tu e eu 
Dentro de nós. 

As contracções cada vez mais rápidas 
O descontrolo 
A emoção 
A ciência atenta 
O oxigénio 
A mão amiga 
De repente a grande urgência 
A Hora 
A Violência 
Éramos nós libertando-nos de nós. 
É nossa a dor.  

São nossos o sangue e as águas 
O grito é nosso 
A vida é tua 
O filho é meu. 

Os lábios esquecem o riso 
Os olhos a luz 
O corpo a dor. 

A exaustão total 
O correr do pano 
O fim do parto. 

Dina Salústio 


Dina Salústio (pseudónimo de Bernardina Oliveira), escritora e poetisa cabo-verdiana nascida em 1941, em Santo Antão, em Cabo Verde, com o nome de Bernardina Oliveira

Publicou em 1994 uma colectânea de 35 contos, Mornas Eram as Noites, que lhe valeu a obtenção do Prémio de Literatura Infantil de Cabo Verde

A Louca de Serrano assinalou a sua estréia no romance, em 1998. Dina Salústio foi uma das fundadoras da Associação dos Escritores Cabo-verdianos, assim como de diversas publicações literárias. Paralelamente à sua actividade de escritora, foi professora, assistente social e jornalista em Cabo Verde, assim como em Portugal e em Angola. Dirigiu também um programa de rádio dedicado a assuntos educativos e foi produtora de rádio. Trabalhou ainda para o Ministério dos Assuntos Exteriores de Cabo Verde. 

Fonte: www.infopédia.pt 

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Descoberta da estrutura das células.


DESCOBERTA DA ESTRUTURA DAS CÉLULAS 

1665 Robert Hooke, inglês, é o primeiro cientista a descobrir a estrutura celular dos seres vivos. – Examinou com um microscópio por ele mesmo construído, gotas de água de chuva, insetos, flocos de neve, penas, escamas de asas de lepidópteros, etc. e lâminas de cortiça, em que encontrou pequenos compartimentos capsuliformes, que comparou a favos de mel, batizando-os com o nome de “células”, sobre cujo assunto escreveu sua célebre obra ”Micrografia”

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 156/157. 

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Quem fez?


QUEM FEZ? 

Quem te deu 
o direito 
de molhar meus olhos, 
de suar minhas mãos 
de por na canção 
um suspiro de dor? 
Quem te fez 
tão fascínio 
teu riso um encanto 
a me prender? 
Quem fez tua voz 
tão cariciosa 
e estes olhos tão serenos, 
dois pontos de encontro 
de minha alma aflita? 

Tânia Martins 


Elvira Tânia Lopes Martins, filha de Edvardes Santana Martins e de sua esposa, Ana Evangelina Lopes Martins, fez os estudos primários em sua terra natal, vindo a Caetité para estudar o ginasial. Desde os dez ou onze anos começou a versejar, e teve os seus trabalhos recitados nas datas cívicas e solenes de sua terra natal. Em Caetité, cidade com secular tradição educacional, vivenciou a vida cultural, publicando a sua primeira poesia ("Sou") no jornal universitário de Salvador O Shalom. Tendo cursado o Magistério, graduou-se em 1975. Retornou ao distrito onde nasceu, lecionando até 1985. Ali ajudou na fundação do Centro Educacional Cenecista Padre Anchieta (do qual foi vice-diretora), acumulando, de dezembro de 1976 a 1982, os trabalhos do correio local. Em 1986 transferiu-se definitivamente para Caetité, por razões familiares. Lecionou por breve período no Instituto de Educação Anísio Teixeira (IEAT) e no G. E. Monsenhor Bastos. Começou a publicar os seus poemas nos jornais Tribuna do Sertão, O Tibagi (de Telêmaco Borba, no Paraná) e O Impacto (de Vitória da Conquista). A partir da década de 1990 colaborou no jornal Imagem, com seus poemas e também na redação e revisão. Em 1993 lançou o seu primeiro livro de poemas – Folha Solta – com apoio de Francisco Adauto R. Prates. Ali reuniu algumas das poesias escritas ao longo de sua vida, num primeiro voo solo. Em agosto de 2000 publicou o livro Velas, que chegou a ser adotado como paradidático em atividades pedagógicas na cidade de Caetité. Em 2002 lançou o seu terceiro livro poético: Questão de Escolha, expondo a maturidade de seu verbo lírico. 

Outros trabalhos: Verso Natural, 2004 Pura Beleza, 2004 O Medo e a Ternura, 2005

Fontes: Wikipédia.

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Solidariedade".


"SOLIDARIEDADE" 

“O fato de não salgares a comida porque o teu próximo está impossibilitado comer salgado, não impede que depois coloques um pouco de sal na parte que te couber. Portanto, sejas solidário, ajude-o.” 

R.S. Furtado.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Já foste rico e forte e soberano.


JÁ FOSTE RICO E FORTE E SOBERANO 

Já foste rico e forte e soberano, 
Já deste leis a mundos e nações, 
Heróico Portugal, que o gram Camões 
Cantou, como o não pôde um ser humano! 

Zombando do furor do mar insano, 
Os teus nautas, em fracos galeões, 
Descobriram longínquas regiões, 
Perdidas na amplidão do vasto oceano. 

Hoje vejo-te triste e abatido, 
E quem sabe se choras, ou então, 
Relembras com saudade o tempo ido? 

Mas a queda fatal não temas, não. 
Porque o teu povo, outrora tão temido, 
Ainda tem ardor no coração. 

Saul Dias 


Saul Dias, poeta e artista plástico português, de nome verdadeiro Júlio Maria dos Reis Pereira, nascido a 1 de novembro de 1902, em Vila do Conde, e falecido a 17 de janeiro de 1983, na mesma cidade. Formou-se em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia do Porto. Conviveu, por intermédio do seu irmão, José Régio, com alguns dos nomes que integraram a geração da Presença. Conhecido sobretudo como artista plástico, sob o nome de Júlio, os seus quadros foram expostos em inúmeras exposições individuais e coletivas, editou dois álbuns de desenhos (Música, Domingo), ilustrou as suas obras poéticas e as de outros poetas presencistas. Como poeta e como artista, colaborou em diversas publicações, como Presença, Revista de Portugal, Sudoeste, Atlântico, Távola Redonda, Panorama, Vértice, Síntese, Cadernos de Poesia, Cadernos do Meio-Dia, O Comércio do Porto, Jornal de Notícias, Diário de Lisboa. Como poeta da geração da Presença, a poesia de Saul Dias, seu pseudónimo, comunga de caracteres associados a uma estética presencista, como a obediência à sinceridade e ao "coração" ("É só com sangue que se escrevem versos."), o subjetivismo ou o influxo do expressionismo. Linguagem icónica e palavra poética assumem, na obra deste autor, uma complementaridade, seja por uma poesia que investe reiteradamente nas sensações cromáticas e sinestésicas, no visualismo das cenas e imagens feminis evocadas, seja por uma obra pictórica que consagrou a figura do "Poeta", num todo que se distingue pela delicadeza, pela simplicidade quase onírica, por uma visão ao mesmo tempo encantada, melancólica e levemente amarga da realidade. Da sua poesia, que trata liricamente temas como a adolescência e a vida da província, destacam-se as obras Mais e Mais... (1932), Tanto (1934) e Sangue (1952). 

Fonte: http://www.infopedia.pt/

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domingo, 14 de agosto de 2011

Madrigal de Montevidéu.


MADRIGAL DE MONTEVIDÉU 

Se teces, no teu fiar 
enovela o madrugar. 

Como ave falcoada 
bebes por malamar. 

Malama quem quer 
canta por cantar, 

rosa ou malmequer 
amor amaro amarar. 

Sega o amor cego 
ou deixa-o madurar, 

se sombra o desamor 
num bar a nimbar, 

não teças por tecer, 
nem para o afogar. 

Fernando Ferreira de Loanda 


Fernando Ferreira de Loanda nasceu em Luanda (Angola), África, em 1924, e faleceu no Rio de Janeiro, em 2002. Jornalista e antologista: Panorama da nova poesia brasileira (1951), Antologia da nova poesia brasileira: Geração de 45 (1965) e Antologia da moderna poesia brasileira (1967). Obra poética: Equinócio (1953), Do amor e do mar (1964/1966) e Kuala Lumpur (1991). 

Fonte: www.antoniomiranda.com.br/

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sábado, 13 de agosto de 2011

A invenção do Taoísmo.

 Lao-Tsé

FUNDAÇÃO DO TAOÍSMO 

600 a.C.Lao-Tsé publica sua obra “Tao-Te-King”, fundando, assim, o “Taoísmo”; cuja religião é das mais antigas e importantes da China. Tao tomou a significação de princípio e fim de todas as coisas. A ele se deve a razão da existência, o sentido do Universo. Tudo existe de conformidade com ele e a ele deverá voltar. A comunhão com Tao seria alcançada pelo ascetismo e meditação, o que conferia ao iniciado um poder mágico sobre todas as coisas. O sistema taoísta abrangia uma lógica, uma psicologia e uma política, segundo a qual o príncipe deveria agir, a fim de não levar tudo à desordem. A tais ideias se opôs Confúcio mais tarde, criando uma nova religião. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, página 22. 

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Se eu fosse um padre.


SE EU FOSSE UM PADRE

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
... a um belo poema - ainda que de Deus
se aparte - um belo poema sempre leva a Deus!

Mario Quintana


Mario Quintana foi um importante escritor, jornalista e poeta gaúcho. Nasceu na cidade de Alegrete (Rio Grande do Sul) no dia 30 de julho de 1906. Trabalhou também como tradutor de importantes obras literárias. Com um tom irônico, escreveu sobre as coisas simples da vida, porém buscando sempre a perfeição técnica. Sua infância foi marcada pela dor e solidão, pois perdeu a mãe com apenas três anos de idade e o pai não chegou a conhecer (morreu antes de seu falecimento). Viveu na cidade natal até os 13 anos de idade. Em 1919, mudou-se para a cidade de Porto Alegre, onde foi estudar no Colégio Militar. Foi nesta instituição de ensino que começou a escrever seus primeiros textos literários.  Já na fase adulta, Mario Quintana foi trabalhar na Editora Globo. Começou a atuar na tradução de obras literárias. Durante sua vida traduziu mais de cem obras da literatura mundial. Entre as mais importantes, traduziu “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust e “Mrs. Dalloway” de Virgínia Woolf. Com 34 anos de idade lançou-se no mundo da poesia. Em 1940, publicou seu primeiro livro com temática infantil: “A rua dos cataventos”. Volta a publicar um novo livro somente em 1946 com a obra “Canções”. Dois anos mais tarde lança “Sapato Florido”. Porém, somente em 1966 sua obra ganha reconhecimento nacional. Neste ano, Mario Quintana ganha o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira dos Escritores, pela obra “Antologia Poética”. Neste mesmo ano foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras. Ainda em vida recebeu outra homenagem em Porto Alegre. No centro velho da capital gaúcha é montado, no prédio do antigo Hotel Majestic, um centro cultural com o nome de Casa de Cultura Mario Quintana. Faleceu na capital gaúcha no dia 5 de maio de 1994, deixando um herança de grande valor em obras literárias

Fonte: http://www.suapesquisa.com/

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Amarga desilusão.


AMARGA DESILUSÃO 

Esta tua ausência que em mim tanto dói, 
Que impõe e me leva à ingrata solidão. 
Maltrata, machuca, e aos poucos corrói, 
O pouco que resta do meu pobre coração. 

Esta tua indiferença que nada constrói, 
Só aumenta a angústia e alimenta a aflição. 
E ao passar do tempo, lentamente destrói, 
O mais puro amor e uma grande paixão. 

Já não mais sou a mesma, viver já não sei, 
A vida pra mim já não tem mais fundamento. 
Vagueio nas lembranças do tempo que passei. 
E alimento-me do mais cruel sofrimento. 

Até quando não sei, seguirei resistindo, 
Neste mundo carrasco e sem compaixão. 
Pois sem ter a ti, aos poucos vou partindo, 
E na bagagem levando a amarga desilusão. 

R.S. Furtado.

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terça-feira, 9 de agosto de 2011



SONETO DE AMOR 

Não me peças palavras, nem baladas, 
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio, 
Deixa cair as pálpebras pesadas, 
E entre os seios me apertes sem receio. 

Na tua boca sob a minha, ao meio, 
Nossas línguas se busquem, desvairadas... 
E que os meus flancos nus vibrem no enleio 
Das tuas pernas ágeis e delgadas. 

E em duas bocas uma língua..., - unidos, 
Nós trocaremos beijos e gemidos, 
Sentindo o nosso sangue misturar-se. 

Depois... - abre os teus olhos, minha amada! 
Enterra-os bem nos meus; não digas nada... 
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce! 

José Régio 


José Régio é o pseudônimo que José Maria dos Reis Pereira escolheu para assinar sua obra literária. Nascido no dia 17 de Novembro de 1901 em Vila do Conde, distrito do Porto. José Régio, após cursar os estudos de Liceu, ingressa na Faculdade de Coimbra, formando-se em Letras. A sua carreira literária inicia-se em 1925, antes mesmo de concluir o curso superior, com a publicação do volume de poesias "Poemas de Deus e do Diabo". Em 1927, na companhia de João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, funda a revista Presença, marco inicial da segunda fase do modernismo português. Devido a sua forte atuação na Revista Presença, é considerado por muitos estudiosos como "uma das principais personalidades dessa geração". Depois de formado, lecciona, por mais de 30 anos, no Liceu de Portalegre, José Régio falece em Vila do Conde, sua terra natal, em 22 de Dezembro de 1969. 

Fonte: http://www.portaldaliteratura.com/ 

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

De certo modo os destroços das palavras.


DE CERTO MODO OS DESTROÇOS DAS PALAVRAS 

de igual modo as partículas invariáveis traços lábias 
sempre há uma mulher no mal 
por isso trepo meu olhar pelas paredes e pelo tecto 
o último cruzar de pernas 
zona prestigiada o eixo compreendia o acento de intensidade 
junto todos os sentidos no modo algum tempo exacto 
sem esquecer na via erudita expressão 
o étimo uma mesa com o portal aberto 
outro reino de certeza 
a comunicação oficial adoptou o berço  língua lençol 
tanto tempo sonorizado 
estava inscrito nas fronteiras  este período 
das alíneas funções sintácticas 
diferenças dos pares vocabulares 
nascem outras partículas variáveis destroços 

Abreu Paxe 


Abreu Castelo Vieira dos Paxe, nasceu em 1969, no Colonato do Vale do Loge, Província do Uíge, filho de operário e de mãe doméstica. Venceu o concurso Um Poema para África em 2000, e foi animador do Cacimbo do Poeta na sua 3ª. edição, atividade organizada pela Alliance Francisco por ocasião do dia da África. Figura na Revista Internacional de Poesia “Dimensão" n. 30 de 2000, na antologia dedicada à poesia contemporânea de Angola, editada em Uberaba, Brasil. 

Fonte:www.antoniomiranda.com.br/ 

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domingo, 7 de agosto de 2011

Fundação da Medicina Experimantal.

 

FUNDAÇÃO DA MEDICINA EXPERIMENTAL 

180Galeno funda a Medicina Experimental. É o segundo médico da humanidade, depois de Hipócrates e o maior dentre os antigos. Nasceu em Pérgamo no ano de 130. Falece a 201. Inicia seus estudos de medicina aos 17 anos em Esmirna, Corinto e Alexandria. Desde aí cura-se a si mesmo de dores terçãs, insônias, etc. Aos 28 anos é nomeado em Pérgamo médico assistente dos gladiadores. Em seguida parte para Roma onde ensina Biologia, Anatomia e Fisiologia. Torna-se famoso e estimado pelos seus largos conhecimentos e curas. Daí segue para a Ásia Menor, Síria, Fenícia e Palestina. Os Árabes o consideram “O Príncipe dos Médicos”. Os hebreus o denominam “Nobre Cirurgião”. A “Teriaga” é uma velha panaceia que ele prepara. Tal receita lhe dá renome. Abre-lhe o caminho da glória, em virtude de curar Eudemo e outros nomes famosos. Sua anatomia disseca somente porcos, ursos e cães. Embora eivada de erros, dá impulso e ensino à ciência médica. Prevalece alguns séculos até Vesalio. Atribui-se a ele o título de “Criador da Fisiologia”. A base de sua medicina era o humoral. Muitas experiências se lhe devem no sentido da corrente sanguínea; pulso, supressão da voz (corte do recorrente); função renal e urética; estudo da incubação dos ovos; imobilização de músculos por secção de nervos. Admitia a existência de três espíritos (pneuma) ou forças mães; Animal (psicon); Vital (zolicon) e Natural (fisicon), localizados, respectivamente, no cérebro, no coração e no fígado. O fígado, grande gerador de sangue; o cérebro, sede do pensamento e da alma; o coração, sede do calor inato. Além dos pneumas, considerava as forças secundárias: atrativas, alterantes, expulsiva e retentiva. Quase se torna o criador da teoria da circulação do sangue. Acreditou, porém, na passagem do sangue no coração do lado direito para o esquerdo, através do orifício do septo interventricular, o que obstava a compreensão da pequena circulação ou pulmonar. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 64/66. 


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sábado, 6 de agosto de 2011

Países Baixos.


PAÍSES BAIXOS 

rasguei 
ó sutiã 

(empáfia vã) 

rasguei 
a calcinha 

(glória de mentirinha) 

rasguei 
a meia nylon 

(negaça em vão) 

rasguei 
os lábios 

(odores sábios) 

rasguei 
a vagina 

(vesga malsina) 

enjaulei 
-me 

Sylvio Back 


Sylvio Back nasceu em 1937, em Blumenau, SC. Escritor, poeta, ensaísta e, sobretudo, cineasta. Aliás, um dos mais premiados com mais de 70 láureas conquistadas em festivais nacionais e internacionais e cinema. Sua filmografia sobre a história do Brasil promove uma releitura crítica única e original da história e da realidade do país. Aos 48 anos começou a poetar, sem abandonar o cinema, e publicou O caderno erótico de Silvio Back (Tipografia do Fundo de Ouro Preto, 1986). Não parou mais de fazer poesia e publicou em seguida: Moedas de luz (Max Limonad, 1988); A vinha do desejo (Geração Editorial, 1994); Yndio do Brasil ( Nonada, 1995); Boudoir ( 7 Letras, 1999); Eurus (7 Letras, 2004) e Traduzir é poetar às avessas (Memorial da América Latina, 2005). Em janeiro de 2007 declarou que sua estante de poesia é maior do que a de cinema. Realizou 36 filmes, dos quais 10 são longa-metragens e alguns sucessos de bilheteria: Lance maior (1968); A guerra dos pelados (1971); Aleluia Gretchen (1976); A revolução de 30 (1980); República Guarani (1982); Guerra do Brasil (1987); Cruz e Souza – o poeta do desterro (1999) etc. Seu filme mais recente é outra incursão na história recôndita do Brasil: Lost Zweig (2002). Mostra a última semana de vida do escritor judeu-austríaco Stefan Zweig e de sua mulher Lotte, que se suicidaram em Petrópolis logo após o Carnaval de 1942. 

Fonte: www.tirodeletra.com.br/

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

"Julgamento".


"JULGAMENTO" 

“Por que avaliarmos do próximo os detalhes do seu comportamento, se no final, somente a DEUS caberá o julgamento?” 

R.S. Furtado

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Indício velado.


INDÍCIO VELADO

Não toques, distância, no seu cabelo molhado;
Não lhe mexas. Rosto puro, às aguas posto e preso,
Uma imagem será o seu único peso,
Um pensamento o único beijo que me há dado.

Que o Índico persiga o indício velado;
Decore o Mar Vermelho o forte rosto aceso -
Mas não para morrer: para menos desprezo;
E eu próprio fique em meu amor atenuado.

Oh! platónico amor de ninguém e de alguma,
Espectro que criei e rodeei de lágrimas,
Vénus ainda ao longe no aro da minha espuma!

Imagem, força de vontade, imagem
Viva ou morta, não sei; imagem acre... mas
Verdadeira e suave, isso mais que nenhuma!

Vitorino Nemésio


Poeta, ficcionista, ensaísta, cronista e crítico literário português, Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva nasceu a 19 de Dezembro de 1901, na Ilha Terceira, nos Açores, e faleceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Lisboa. Entre 1911 e 1912, Vitorino Nemésio frequentou o liceu de Angra, onde cedo manifestou a sua vocação de poeta e prosador, estreando-se com o livro de versos Canto Matinal, em 1916. Em 1919, após um desaire escolar, iniciou o serviço militar como voluntário, partindo para o continente. Do ano seguinte data a peça em um acto Amor de Nunca Mais e a poesia de A Fala das Quatro Flores. Em 1921, em Lisboa, iniciou-se na actividade jornalística, na redacção de A Pátria, a Imprensa de Lisboa e Última Hora. Em 1922, concluiu os estudos liceais em Coimbra e matriculou-se na Faculdade de Direito, onde, como revisor da Imprensa da Universidade, publicou o poema Nave Etérea. Transitará para o curso de Ciências Geográficas e, posteriormente, para Filologia Românica. Colaborou na fundação de Tríptico, em Seara Nova e na Presença. Correspondeu-se com Unamuno. Em 1934, doutorou-se com uma tese subordinada ao título A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.

Fonte: http://antoniogois1.blogspot.com/





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"Literatura & Companhia Ilimitada"

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A minha dor.


A MINHA DOR

Dói
a mesmíssima angústia
nas almas dos nossos corpos
perto e à distância.

E o preto que gritou
é a dor que se não vendeu
nem na hora do sol perdido
nos muros da cadeia.

Noémia de Sousa


Escritora moçambicana, Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares nasceu a 20 de setembro de 1926, em Lourenço Marques (hoje Maputo), Moçambique, e faleceu a 4 de dezembro de 2002, em Cascais, Portugal. Poetiza que, numa espécie de postura predestinada, desembaraçando-se das normas tradicionais europeias, de 1949 a 1952 escreve dezenas de poemas, estando muitos deles dispersos pela imprensa moçambicana e estrangeira.

Com apenas 22 anos de idade, surge na senda literária moçambicana num impulso encantatório, gritando o seu verbo impetuoso, objetivo e generoso, vincado (bem fundo) na alma do seu povo, da sua cultura, da sua consciência social, revelando um talento invulgar e uma coragem impressionante.

Mestiça, revela ser marcada por uma profunda experiência, em grande parte por via dessa mesma circunstância de ser mestiça.

A sua poesia, desde logo, se mostrou "cheia" da "certeza radiosa" de uma esperança, a esperança dos humilhados, que é sempre a da sua libertação.

Toda a sua produção é marcada pela presença constante das raízes profundamente africanas, abrindo os caminhos da exaltação da Mãe-África, da glorificação dos valores africanos, do protesto e da denúncia.

Poesia de forte impacto social, acusatória, a sua linguagem recorre estilisticamente à ressonância verbal, ao encadeamento de significantes sonoros ásperos, à utilização de palavras que transportam o "grito inchado" de esperança.

Noémia de Sousa, como autêntica pioneira da Literatura Moçambicana (como assim sempre foi considerada) preconiza - no seu percurso literário - a revolução como único meio de modificar as estruturas sociais que assolam a terra moçambicana...

Fonte: Infopédia.



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