terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crónica feminina.


CRÓNICA FEMININA 

estava nua, só um colar lhe dava 
horizontes de incêndio sobre o peito, 
a transmutar, num halo insatisfeito, 
a rosa de rubis em quente lava. 

estava nua e branca num estreito 
lençol que o fim do sono desdobrava 
e a noite era mais livre e a lua escrava 
e o mais breve pretérito imperfeito 

só o tempo verbal lhe fugiria, 
no alongar dos gestos e requebros, 
junto do espelho quando as aves vão. 

toda a nudez, toda a nudez, toda a melancolia 
a dor no mundo, a deslembrança, a febre, os 
olhos rasos de água e solidão 

Vasco Graça Moura 


Vasco Graça Moura (n. Foz do Douro, 3 de Janeiro de 1942), escritor e político português. 

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Vasco Graça Moura é um dos nomes centrais da poesia portuguesa da segunda metade do Século XX, numa obra extensa, que integra o classicismo de contornos eruditos, até aos aspectos do quotidiano. Advogado, entre 1966 e 1983, está na escrita como poeta, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, cronista e tradutor. Neste último, tem traduzido, entre outros, autores como Dante Alighieri, Petrarca, François Villon, Racine, García Lorca, Rainer Maria Rilke ou Shakespeare. Quer ler mais?

Fonte: http://poemas-poestas.blogspot.com/ 

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4 comentários:

Si Arian disse...

A poesia é algo sublime. Me sinto tocada em suave valsa ao som de violinos... Amo o seu blog, adoro passar sempre por aqui, pois conheço sempre grandes escritores e delicio-me com as poesias.
Também gostaria de ser poderosa como uma Deusa ou Bruxa, para te dar toda a felicidade do mundo.
Sempre aqui para te prestigiar.
Receba um forte Abraço!

Everson Russo disse...

Uma bela poesia meu amigo,,,tudo que venha desse intenso universo feminino nos cai bem a alma...abraços de bom dia pra ti.

Fatima disse...

Belo poema!
Bjs.

ReltiH ReltiH disse...

IMPRESIONANTE TEXTO, DE MUCHA CALIDAD!!!!
UN ABRAZO

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