sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Xicuembo.


XICUEMBO 

Eu bebeu suruma 
dos teus ólho Ana Maria 
eu bebeu suruma 
e ficou mesmo maluco 

agora eu quero dormir quer comer 
mas não pode mais dormir 
não pode mais comer 

suruma dos teus olhos Ana Maria 
matou sossego no meu coração 
oh matou sossego no meu coração 

eu bebeu suruma oh suruma suruma 
dos teus ólho Ana Maria 
com meu todo vontade 
com meu todo coração 

e agora Ana Maria minhamor 
eu não pode mais viver 
eu não pode mais saber 

que meu Ana Maria minhamor 
é mulher de todo gente 
é mulher de todo gente 
todo gente todo gente 

menos meu minhamor. 

Rui Nogar 


Rui Nogar é o pseudónimo literário de Francisco Rui Moniz Barreto (Lourenço Marques, 1932 – Lisboa, 1993). Filho de emigrantes brancos oriundos de Goa, após a morte do pai abandonou os estudos secundários, a fim de prover ao sustento da família. Considerava-se um auto-didacta, cuja formação devia tanto ao exemplo dos pais como ao de professores, exilados políticos portugueses, que o alertaram para as questões sociais e a necessidade de as problematizar no contexto colonial. 

Vivenciou de perto desigualdades e injustiças, quer no subúrbio laurentino quer no seu percurso profissional: trabalhou junto dos carregadores do cais e como praticante de escriturário nos Caminhos de Ferro de Moçambique. Posteriormente, foi “copywriter”, contabilista e redactor em diversos títulos da imprensa, como a Tribuna ou O Brado Africano. 

Com Craveirinha, participou nas actividades da Associação Africana, aí se notabilizando como declamador. Foi, aliás, na sequência de uma das sessões culturais dinamizada naquela Associação, em 1953, que a polícia política o deteve pela primeira vez. Os seus poemas mais antigos datam de 1954-55 e surgem em O Brado Africano e no Itinerário. A coerência com que pautou a sua postura levou-o a ingressar na Frelimo, em 1964. Incumbido da organização da Região político-militar do sul do Save, acabou por ser novamente detido, em Janeiro de 1965. Julgado com Craveirinha, Luís Honwana, Malangatana Valente e outros, foi libertado da Cadeia Central da Machava a 28 de Maio de 1968. Deste período de detenção, datam muitos dos poemas que reuniu no seu único livro, Silêncio Escancarado, dado à estampa em Lisboa, com a chancela das Edições 70, no ano de 1982. 

Não obstante a vigilância de que passou a ser alvo e a falta de informação sobre o avanço da luta armada, prosseguiu a sua actividade política clandestina até ao 25 de Abril de 1974. No período de transição, empenhou-se na preparação da independência, encarregue de organizar os grupos dinamizadores em Lourenço Marques. Depois, além de deputado da Assembleia Popular, assumiu outros cargos oficiais, tendo também, sido o primeiro Secretário-Geral da Associação de Escritores Moçambicanos e, a partir de 1987, Vice-Presidente da Assembleia Geral da mesma associação. 

Fonte: http://pluralpluriel.org/

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7 comentários:

✿ chica disse...

Cada poesia, uma homenagem a um escritor e possibilidade de ampliar nosso conhecimento! abração,lindo fds,chica

Andradarte disse...

Uma delícia de poema...
Seja em que lingua for, o amor é sempre bonito....
Abraço

Everson Russo disse...

Muito belo meu amigo,,,abraços de bom final de semana pra ti...

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amigo
Pena que ele esteja sofrendo por amor.
Bom fim de semana
Abração

Luiza França disse...

Não conheci o Rui, adorei o trabalho dele.

A imagem está simplesmente perfeita.

Bjs
Luiza
www.barracodevidro.blogspot.com

Anne Lieri disse...

Furtado,que bonita essa poesia de amor!Adorei conhecer mais um grande poeta em seu blog!Bjsm

Fatima disse...

Nossa Língua Portuguesa,
Mais bonita e mais romântica,
Tem acima da semântica
Mais recursos e mais beleza;
Tem doçura e mais encanto,
E no som mais acalanto.
Tem também mais melodia,
Como as pétalas tem a rosa,
Tema as pérolas em nossa prosa
Cintilando na poesia.

Nossa Língua Portuguesa,
Entre todas que tem vida,
Foi por tempos mais querida;
Foi do povo e da nobreza
Uma fonte de cultura;
Que p´ra nossa desventura
Hoje em dia não é mais.
Eis porque essa defesa
Que eu faço com presteza
Externada nestes ais.

Nossa Língua Portuguesa,
O idioma consagrado
Em nosso antepassado,
Precisa, tenho certeza,
Receber da nossa gente
Mais depressa, muito urgente,
Tratamento à sua altura,
Com postura de respeito,
Como lastro de cultura.

O idioma Português,
A nossa honrosa língua,
Que vai resvalando à míngua
Sem fidalgo e sem burguês
Ser perder a exuberância,
P´ra manter-se com a elegância,
Com a qual ela nasceu,
Procura, Brasil inteiro,
Detre o povo brasileiro,
Patriotas como eu.

Poema de J. R. Martins, autor dos livros: Uma Porta Para a Paz e Cadernos de Poesia – Vol. I.


Bjs.

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